Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Misto do pai e do tio, gestor são-paulino foi craque universitário

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Além de serem ídolos de clubes rivais, os irmãos Sócrates e Raí tiveram estilos diferentes de jogar. O ex-corintiano dispunha de muita técnica. Ao ex-são-paulino, nunca faltaram força e faro de gol. Novo gerente executivo do São Paulo, o advogado Gustavo Vieira de Oliveira, "doutor" como o pai e tricolor como o tio, uniu um pouco da qualidade dos dois e quase seguiu carreira, mas se contentou em ter (bastante) destaque apenas no futebol universitário.

"Ele era uma mistura do pai e o tio. Tinha o vigor físico do tio, era grande e forte, e a inteligência do pai. Uma mistura de técnica com porte físico, sem ser brucutu", diz Antônio José Carvalho Salomão, o Macalé, treinador de Gustavo na divisão de base da Portuguesa, antes de ele decidir deixar de ser segundo volante aspirante para se dedicar exclusivamente ao terceiro ano de Direito na USP, em 1997.

Com uniforme da Lusa, filho de Sócrates já perdeu do São Paulo
Veja fotos de Gustavo como jogador e como gerente executivo

Frequentador assíduo das aulas, uma cobrança do pai, o então garoto de 19 anos era famoso no Largo São Francisco, embora não gostasse disso. Gostava era de desafiar a ala mais nerd da faculdade em partidas de xadrez. Porém, os tabuleiros não eram sua verdadeira praia.

"A praia dele era o futebol, aquele era o habitat dele", conta Alexandre Oliveira, comentarista esportivo nos canais ESPN, treinador universitário há mais de duas décadas e um dos responsáveis por fazer com que Gustavo, mais tarde, se aventurasse também no futsal.

Montagem sobre fotos de Djalma Vassão e Divulgação
Gustavo é parecido também fisicamente com o tio Raí (à esquerda na primeira foto); quando garoto, o agora gerente são-paulino atuava pelo time do Direito da USP e chegou à Seleção Brasileira universitária
Enquanto começava a gostar das quadras, o filho de Sócrates fazia sucesso nos campos, como lembra o amigo Flavio Borgheresi, hoje procurador do município de São Paulo. "Da nossa geração, com certeza ele foi o maior jogador da São Francisco. Não só por jogar muito bem, mas também pela projeção que deu ao time de futebol da faculdade. Nossos adversários respeitavam bastante ele, e não só pelo sobrenome".

Meia-atacante cobrador de faltas - não mais volante -, Gustavo fez parte do time campeão dos Jogos Jurídicos de 1999. No mesmo ano, foi convidado a defender a equipe do Mackenzie que representaria o Estado e seria vice-campeã brasileira. Suas boas atuações em Aracaju despertaram atenção, e ele foi convocado para disputar a Universiade (considerada a Olimpíada universitária) pela Seleção Brasileira.

O Brasil ficou em terceiro lugar na competição disputada em Palma de Mallorca, depois de ter perdido a semifinal para a anfitriã Espanha, de Alberto Rivera, meio-campista que, em 1997, havia se tornado o jogador mais jovem a atuar pelo Real Madrid até então - o espanhol não vingou como se imaginava naquela época, rodou por equipes menores do país e, aos 35 anos, está no Elche, recém-promovido de volta à primeira divisão nacional.

O bronze na Universiade foi o último feito de Gustavo nos gramados. Tanto que, quando se formou pela USP, ganhou uma bolsa de estudos da FAAP para fazer pós-graduação em Administração e jogar somente futsal. "A adaptação demorou um pouco. Mas, depois, conseguimos aproveitá-lo bem de pivô. Ele não era brilhante, mas era forte, corria bastante e sabia todos os fundamentos de modo bem equilibrado", recorda Alê Oliveira.

Mesmo aos 36 anos, ele não está parado. Pelo time de amigos chamado Holanda, Gustavo participa sempre dos campeonatos entre associados do São Paulo. Agora não mais sob a alcunha de "sobrinho de Raí" ou de "filho de Sócrates", mas como gestor do futebol do clube.

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