Futebol/Campeonato Brasileiro - ( )

No último ano como capitão, Ceni atravessa pior crise da carreira

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Com contrato até o fim da temporada e prestes a se aposentar, Rogério Ceni vive a pior crise - em campo - de sua passagem pelo São Paulo. Supercampeão pelo clube do qual é considerado por muitos o maior ídolo, o capitão jamais passou por período tão infértil de vitórias. Das últimas 17 partidas, a equipe ganhou apenas uma (sobre o Benfica, na amistosa Copa Eusébio).

Além da seca coletiva, o goleiro de 40 anos tem colecionado polêmicas e sido questionado tecnicamente em 2013. Foi alvo de críticas do ex-diretor Adalberto Baptista e do ex-treinador Ney Franco, falhou mais do que o habitual debaixo da trave - até por estar mais exposto por uma defesa desajustada - e acaba de errar duas cobranças de pênalti em menos de duas semanas, algo que sempre foi um ponto forte seu.

"É um cara que está sob uma pressão intensa, mas é nosso capitão e tem total respeito de todos. Estamos procurando ajudá-lo ao máximo", diz o volante Fabrício, seu companheiro mais próximo nas concentrações antes das partidas. "Ele está se entregando no dia a dia, na palestra, no jogo. Daqui a pouco, todos nós vamos voltar a sorrir de novo".

Fernando Dantas/Gazeta Press
Prestes a se aposentar, goleiro tem sentido crise são-paulina mais do que os companheiros de time
No domingo, depois de ter perdido pênalti quando o jogo estava empatado, Ceni deixou o Canindé assumindo culpa pelo revés por 2 a 1 para a Portuguesa. O técnico Paulo Autuori, minutos depois, não descartou mudar o batedor. Na quarta-feira, porém, alegou ter calculado um aproveitamento "altíssimo" de acerto no levantamento de suas cobranças e saiu em defesa daquele que foi essencial para, juntos, conquistarem o Mundial de 2005.

"Essa simplicidade devastadora com que se analisa futebol... Tem que ser feita de uma forma mais coerente. As pessoas usam muitos dados quando interessam. O Rogério é muito importante, assim como Luis Fabiano, Jadson, Osvaldo, Aloísio. Todos eles. É assim que tem que ser", falou o treinador.

Ceni foi bem no ano passado, em especial no segundo semestre, na campanha campeã da Sul-americana. A conquista do torneio, que levou o time de volta à Libertadores, dava a impressão de uma temporada seguinte tão ou mais produtiva, mas não tem sido assim. A equipe não vence há dez jogos no Campeonato Brasileiro e está na zona de rebaixamento. O risco de queda para a segunda divisão nacional no ano de sua aposentadoria o incomoda ainda mais.

"Mancharia não só a (carreira) dele. Mancha na vida de todos. Um clube que nunca foi rebaixado, nunca passou por uma crise dessas. A gente está preocupado com o que está acontecendo, ele mais ainda. Pela história dele no clube, é com certeza quem mais está sentindo. Pode ser o último ano dele", reconheceu o amigo Fabrício.

Nesta quinta-feira, um dia depois de ter completado 21 anos como capitão do São Paulo - usou a braçadeira pela primeira vez em 14 de agosto de 1994, em partida contra o Paysandu -, Ceni volta a campo para tentar o primeiro ponto no Morumbi desde maio. E como primeiro cobrador de pênaltis do time, de acordo com o que Autuori deu a entender.

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