Futebol/Campeonato Brasileiro - ( )

Tite infla números para evitar reclamações sobre ataque estéril

Marcos Guedes São Paulo (SP)

Tite fica longe da falta de educação de outros treinadores quando a pergunta incomoda, mas claramente se irrita nos momentos em que é questionado sobre as dificuldades ofensivas do Corinthians. Uma defesa constante do gaúcho, que não se aproxima de qualquer grosseria, é inflar os números.

Na entrevista concedida na última sexta-feira, o técnico voltou a fazer uso desse artifício quando foi mencionada a péssima marca de 13 gols em 14 rodadas de Campeonato Brasileiro - só o Náutico, com duas partidas de desvantagem, balançou menos a rede. Ele negou que a produção do ataque alvinegro esteja mal.

“Nos últimos quatro jogos, fizemos sete gols. Se forem contados os dois da Recopa, serão 11”, afirmou Tite. Na verdade, foram só cinco caixas guardadas nas últimas quatro partidas. E há outros jogos entre essa sequência e os triunfos sobre o São Paulo (2 a 1 e 2 a 0) na decisão da Recopa Sul-americana.

O exagero nos números não foi o primeiro do técnico nas últimas semanas. Após o empate com o Santos - um 0 a 0 -, ele não gostou de ser questionado sobre os recorrentes resultados desse tipo e disse: “O líder da competição tinha o mesmo número de empates que a gente”.

Na ocasião, há dez dias, o Corinthians tinha seis marcas na coluna do meio da tabela do Nacional. A conta de Tite só batia se fossem somados os três empates do Cruzeiro e os três do Botafogo, que então dividiam a liderança da competição.

Divulgação/Agência Corinthians
Tite hoje até brinca com a expressão "empatite", mas o assunto costuma incomodá-lo
Os exemplos não são os únicos. Houve outras situações em que o ótimo técnico, menos acostumado a críticas após tantas conquistas importantes, aproveitou a habitual desatenção de jornalistas com números e usou a calculadora da maneira mais conveniente.

Outrora perseguido pela expressão “empatite”, o gaúcho geralmente toma essa atitude quando é pintado como defensivo. E sempre usa a palavra “equilíbrio”, pedindo que se leve em conta o saldo de gols, não isoladamente o número de bolas na rede do adversário ou na meta defendida por Cássio.

Graças à - de longe - melhor defesa do Brasileiro, o Corinthians tem sete gols de saldo, estatística na qual só fica atrás de Botafogo (oito) e Cruzeiro (13), líder e vice-líder. E Tite tem razão ao apontar que a mobilização para a conquista da Recopa chegou a atrapalhar em algumas rodadas, prejudicando os números.

Mesmo assim, há jogos em que fica clara a falta de ímpeto ofensivo do Corinthians. Na última rodada, por exemplo, apesar de contar com uma linha de frente talentosa - formada por Romarinho, Renato Augusto, Emerson e Alexandre Pato - a equipe só atacou o desfalcado Fluminense, recheado de garotos, quando teve um homem a mais. O placar não saiu do zero.

Por isso, o treinador tem cobrado uma efetividade maior de seus atacantes. Além dos gols perdidos, há momentos em que a equipe toca demais a bola sem finalizar. “Eu falo para eles que é na zona de armação que precisamos trocar passes. No último terço do campo, tem que ir dentro deles.”

No domingo, contra um Coritiba cheio de problemas, os atletas terão a oportunidade de levantar os números do Corinthians, sobretudo o de pontos ganhos. Se a equipe alvinegra se impor diante de um adversário que não terá Alex, Deivid e outros nomes importantes, Tite não precisará acionar a sua calculadora particular.

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