Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Vuaden afirma que não pensa enquanto corre e pede profissionalização

Bianca Mascara, especial para a GE.net São Paulo (SP)

O árbitro gaúcho Leandro Vuaden foi aprovado no teste físico realizado pela Fifa nesta terça-feira e, apesar dos elogios à evolução da arbitragem, pediu pela profissionalização da carreira. O juiz de futebol ainda parafraseou Mirandinha, que atuou no Corinthians na década de 1990, e proferiu a célebre frase: “Ou eu corro, ou penso”.

Dentre as importâncias do teste físico destacada por Vuaden, está a necessidade de o árbitro estar próximo da jogada, não apenas para visualizar o lance com precisão, mas para dar credibilidade a sua decisão. “Quando você está longe recebe críticas e o jogador também confia mais quando você apita de perto”, ressaltou.

No entanto, para acompanhar o jogo de perto, é preciso estar bem preparado. Afinal, Leandro Vuaden partilha da mesma opinião de Mirandinha, jogador que atuou no Corinthians entre os anos de 1996 e 1999, e ficou conhecido por afirmar: “Ou eu corro, ou penso”.

“O que mais incomoda é quando você fica longe de uma jogada, porque aí você precisa correr e você não pensa enquanto corre. Fica difícil de tomar decisões”, declarou o árbitro gaúcho.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Vuaden destaca dificuldade de tomar decisões correndo e busca proximidade dos lances

Vuaden fez questão de destacar o forte trabalho desenvolvido pelos árbitros de futebol, que além de manter o físico em boas condições, precisam cuidar do emocional. “Árbitro precisa de descanso, alimentação adequada e fisioterapeuta a disposição”, disse.

O gaúcho se declara um apaixonado por futebol, mas apesar da vontade de estar sempre em campo, lembra da dificuldade de uma rotina com muitos jogos. “Árbitro é que nem jogador, quer jogar sempre, no caso apitar. Mas não dá pra apitar todo o jogo. Quando você trabalha quarta e domingo, não tem tempo para fazer um prepara físico adequado. O melhor é apitar só domingo”.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Para Vuaden, bom árbitro precisa de autoestima e ansiedade controlada

Tamanho esforço merece um reconhecimento, segundo Vuaden, por isso ele insiste na necessidade de profissionalizar a carreira. “A arbitragem brasileira melhorou muito, mas só ficará perfeita quando fomos profissionais. Nós já somos 99% profissionais, só falta oficializar”, opinou.

Claramente cansado após as avaliações, Leandro Vuaden também trazia consigo o alívio por ter passado do teste físico. A satisfação era fruto do esforço feito para avançar nessa etapa da Fifa e não repetir a reprovação que o juiz teve no final do ano passado, em um teste para o Mundial realizado em Assunção, no Paraguai.

“É uma sensação ímpar para quem já reprovou. Essa sensação se explica acima de tudo porque valoriza o treino”, comemorou. “A reprovação é uma coisa que mancha sua carreira, mas quando acontece, tem que saber enfrentar. O culpado é você mesmo. Você pode ser seu melhor amigo ou o seu inimigo, mas não adianta procurar outros culpados”, completou. Vuaden fez uma preparação de 45 dias para esse teste, incluindo duas simulações nas últimas semanas. Ele teve que conciliar a rotina de jogos com a preparação para a atividade desta terça-feira.

O gaúcho ainda contou que sempre assiste aos jogos que apita. Eles são gravados pela sua esposa e Vuaden aproveita para aprender com os erros e acertos. “Algumas vezes, nem eu sei explicar como acertei alguns lances difíceis, mas o árbitro também comete equívocos em lances simples”, ponderou.

Aos 38 anos, Leandro Vuaden ressalta constantemente sua paixão pelo futebol e pela arbitragem. “O árbitro nasce com o dom para apitar e aprimora isso”, finalizou o juiz, que assumiu o comando do apito aos 15 anos de idade e não nega que a falta de habilidade com a bola tenha influenciado na escolha.

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