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Gratidão pesou para Muricy voltar: "Não dava para falar 'não'"

Tossiro Neto São Paulo (SP)

A torcida são-paulina e o próprio Muricy Ramalho queriam que o treinador fosse o sucessor de Ney Franco, mas foi preciso esperar dois meses - e a demissão de Paulo Autuori - para que o desejo fosse atendido pela diretoria do clube. Apesar da demissão de 2009 e de recentemente não ter sido a primeira opção, ele não pensou duas vezes ao receber o convite para tentar evitar o rebaixamento à segunda divisão nacional.

"Não sou o tipo de pessoa que tem mágoa de nada. Às vezes, claro, me irrito com um ou outro, posso discutir, mas não tenho mágoa por não ter sido o escolhido na época, não tem essa de falar 'agora é minha vez de falar não'. Isso não existe", disse o treinador, que estava desempregado desde o final de maio, quando foi demitido do Santos.

Muricy nem poderia falar "não", segundo ele, por uma dívida de gratidão com o clube em que se tornou jogador e, anos depois, firmou-se à beira do gramado. "Lá atrás, quando quiseram me contratar, e o São Paulo vinha de um título mundial (em 2005), foi fácil. Agora, nesta situação, é complicado. Mas não dá para falar 'não' para um clube que me abriu as portas, que me criou".

Em três passagens, ele dirigiu o time 364 vezes (197 vitórias, 101 empates e 66 derrotas), tendo conquistado cinco títulos: Copa Conmebol (1994), Copa Master Conmebol (1996) e três edições do Campeonato Brasileiro (2006, 2007 e 2008). É o quarto técnico que mais partidas fez pelo São Paulo.

A realidade atual, entretanto, difere das anteriores. Em vez de lutar por conquistas, Muricy terá a missão de impedir que a equipe caia para a Série B do Campeonato Brasileiro, o que representaria o maior vexame na história do clube. Ele sabe, portanto, que o passado e sua identificação com o clube não bastam.

"Só amor pelo clube não adianta. Tem que fazer os caras darem resultado. Meu trabalho é escalar, achar o que é melhor para o time", reconheceu o sucessor de Autuori, que acertou seu retorno na segunda-feira. "Nasci aqui, aqui é minha casa, a gente sente algo a mais. Devo ter demorado 30 segundos para acertar o contrato. Não briguei por salário, por nada. Porque agora não dá, alguém tem que abrir mão de alguma coisa".

A estreia de Muricy será às 21 horas (de Brasília) de quinta-feira, no Morumbi, contra a Ponte Preta. O São Paulo não vence há duas rodadas e ocupa o antepenúltimo lugar da competição, com 18 pontos ganhos, quatro abaixo dos primeiros times fora da zona de rebaixamento.

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