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Jornal inglês denuncia trabalho escravo e mortes em obras da Copa no Catar

Lusail City (Catar)

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal inglês The Guardian denuncia trabalho escravo nas obras da Copa do Mundo do Catar, em 2022. De acordo com a publicação, imigrantes do Napal estão sendo explorados na construção de Lusail City, nova cidade onde será erguido o estádio da final do torneio.

Em 66 dias de obras, entre 4 de junho e 8 de agosto, 44 pessoas morreram nas obras por problemas cardíacos, exaustão ou acidentes de trabalho. O jornal menciona jornadas de até 24 horas, com agressões e sem comida ou água. Imigrantes do Nepal correspondem à maioria dos 90% de trabalhadores estrangeiros no Catar.

Além disso, os envolvidos na construção ficam meses sem receber salário e tem seus passaportes confiscados a fim de evitar possíveis saídas do Catar. Ao menos 30 nepaleses procuraram abrigo na embaixada de seu país em Doha para escapar das péssimas condições de trabalho.

Divulgação
Segundo jornal inglês, obras da grandiosa Lusail City e seu estádio envolvem trabalho escravo
O Ministério do Trabalho do Catar afirmou à publicação que “as mortes dos trabalhadores do Nepal dizem respeito às autoridades de saúde ou ao governo do Nepal”. Além disso, garantiu estar empenhado em assegurar que todos os trabalhadores do país sejam tratados de maneira justa e igual.

Já o Comitê Organizador da Copa de 2022 afirmou que as obras em Lusail City começaram recentemente, mas que está atento e preocupado com as denúncias. O órgão garante que as autoridades já estão investigando o caso. Enquanto isso, a Lusail Real Estate Company, responsável pela contratação da mão de obra, disse “não tolerar violações de trabalho ou saúde” e prometeu instruir seus fornecedores e contratados para “evitar atividades ilegais”.

A previsão é que o Catar gaste R$ 100 bilhões apenas na construção da cidade e do estádio da final, com capacidade para 86 mil torcedores. Esta não é a polêmica envolvendo o país e a Copa de 2022: recentemente, a Fifa abriu discussões sobre a data de realização do evento, já que o forte calor no verão pode prejudicar a saúde de atletas e turistas.

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