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Perto de virar busto, Oberdan se vê jogando no cinema como homenagem

William Correia São Paulo (SP)

A noite dessa segunda-feira era, oficialmente, para lançar o filme “Primeiro Tempo”, que retrata por meio de depoimentos a história do estádio do Palmeiras. Mas serviu também como mais uma homenagem ao único jogador ainda vivo que atuou pelo Palestra Itália: Oberdan Cattani.

Nobre dá busto como certo

Nada foi exibido no telão da sala separada para convidados do clube no shopping Bourbon, vizinho do Palestra Itália, até que o ex-goleiro estivesse presente. Quando a cadeira de rodas que transporta o ídolo de 94 anos de idade foi posicionada entre outros espectadores, foram mostradas cenas raras de atuações suas gravadas.

Nos poucos minutos de material, em boa condição, foi possível a comprovação de uma lenda: o goleiro de largas mãos realmente precisava de só uma delas para tirar a bola do chão agarrando-a por cima. Nas imagens, Oberdan apareceu repondo a bola com chutões de perna esquerda e direita e executando defesas mostrando posicionamento preciso, além de esbanjar simpatia enquanto dava entrevistas ou caminhava para os vestiários. Quando as cenas acabaram, todos os presentes bateram intensas palmas.

“Fiquei emocionado. Muita gente não me viu jogar. Fico emocionado por saber que ainda sou lembrado por muitos torcedores que não eram da época e, quando pegam na minha mão, se emocionam. Mais emocionado fico eu”, comentou Oberdan, que gostou tanto da exibição do “Primeiro Tempo”, filme do qual participa bastante com seu depoimento, que disse ter sentido vontade de entrar na tela “só para ser reserva e ficar no banco do Palestra Itália”.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Ex-goleiro foi surpreendido com mais uma homenagem ao ver, na tela do cinema, raras imagens suas jogando
Oberdan sofre com dores cada vez mais fortes por pancadas que recebeu nos joelhos quando era atleta e, por isso, tem se locomovido em cadeiras de rodas. Mas consegue ficar em pé por alguns minutos mesmo sem o auxílio de bengala. Assim, ao chegar ao cinema, se sentou em uma mesa para conversar com o ex-volante Dudu. Da mesma forma, deve estar presente na inauguração de seu busto, no reformado Palestra Itália no ano que vem.

A homenagem é questão de tempo. “Já houve essa conversa na última reunião extraordinária do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização do clube), quando citei o assunto sem estar na pauta, e agora, na semana que vem, haverá uma reunião ordinária na qual vou oficializar esse pedido. Tenho quase certeza absoluta de que será aprovado pelo COF para acontecer uma homenagem superjusta”, avisou Paulo Nobre.

O presidente segue homenageando o único jogador ainda vivo que atuou no clube antes de deixar de ser Palestra Itália, há 71 anos. No início do mês, o dirigente levou o ex-goleiro para conhecer a Academia de Futebol e falar com Gilson Kleina e seus comandados. “Foi um presente para o grupo de jogadores conhecer um jogador tão emblemático quanto Oberdan Cattani. Foi um momento muito bacana”, lembrou Nobre.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Futuro colega de Ademir entre bustos, Oberdan cumprimenta o ex-volante Dudu, eterno parceiro do Divino
“Não tinha ninguém da minha época...”, brincou Oberdan. “Fiquei emocionado porque todos vieram me abraçar e eles também ficaram emocionados por me conhecer. Foi formidável, maravilhoso. Cheguei em casa e fiquei pensando como sou lembrado por muitos. Fiquei muito feliz.”

Nessa sequência de alegrias, Oberdan deve esperar por seu busto. Jogador do Palestra Itália e do Palmeiras de 1941 a 1954, foi tetracampeão paulista (1942, 1944, 1947 e 1950), ganhou o Rio-São Paulo-1951 e a Copa Rio-1951. Encerrou a carreira no Juventus e chegou a enfrentar o ex-time, o que acabou usado como justificativa para descartar o busto, mas não há nada a respeito no estatuto do clube, tanto que Ademir da Guia já jogou contra o Palmeiras pelo Bangu, em 1960.

“Muitos jogadores param de jogar e ficam esquecidos, ninguém lembra mais. Graças a Deus, aonde vou, todos me conhecem, querem bater aquele papo gostoso... Isso é a vida. Vou ficando velho, e é duro, viu. Mas tenho 94 anos e me sinto muito bem. Sou sócio vitalício do Palmeiras e vou ficando lá até quando Deus quiser”, comentou Oberdan.

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