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Renovando ou não, Kleina aponta Valdivia como legado para centenário

William Correia São Paulo (SP)

Gilson Kleina não sabe se será o técnico do Palmeiras em 2014, mas tem certeza do legado que deixará no centenário do clube: a recuperação do jogador mais caro do elenco. Recontratado em agosto de 2010, Valdivia vive atualmente o melhor momento em mais de três anos nesta segunda passagem pelo clube, o que, para o técnico, é consequência de um sacrifício que ele aceitou pagar.

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Kleina lembra que o chileno estava recuperado antes de voltar a campo em julho, 114 dias após o jogo em que sentiu dores na coxa direita. Mas a opção foi por deixá-lo treinando sem atuar independentemente da dificuldade do time nas seis primeiras rodadas da Série B do Brasileiro. Pelo bem do camisa 10.

Um estudo minucioso apontou que as lesões apareciam no Mago sempre que jogava uma longa sequência. Então, além de poupado de treinos e jogos, ele teve uma pré-temporada enquanto o time jogava. “Decidi pagar o sacrifício. Independentemente de eu estar aqui ou não, o Palmeiras vai ser recompensado por esse trabalho”, apontou o técnico.

Kleina conta que teve que se segurar para não colocar aquele que considera um “craque” e “grande diferencial” da equipe. “Todos querem ver o Valdivia jogar, é duro ter a atitude de deixá-lo no banco ou fora de um jogo sabendo que ele é importante e pode fazer a diferença”, afirmou, sorrindo ao ver que a espera mais longa devolveu o meia não só ao Verdão, mas também à seleção chilena.

Djalma Vassão/Gazeta Press
O técnico se orgulha por ter aprendido a lidar com as dificuldades físicas do jogador mais caro do elenco
“Isso ocorreu por toda a preparação que canalizamos para o Valdivia ter essa estrutura muscular e o comprometimento do Valdivia em aceitar esse tipo de trabalho. Teve o resgate coletivo, porque ele nos dá a condição de ter a alegria vendo-o jogar futebol com um talento maravilhoso, e o resgate individual porque hoje ele tem muito mais confiança que vai ajudá-lo até a disputar a Copa do Mundo”, projetou.

Kleina acredita que, em um ano no Palmeiras, aprendeu a lidar com o físico do jogador, que o irritou ao se apresentar com atraso sem avisar após as férias alegando ter treinado no Chile nos dias de folga. “Fico muito orgulhoso ao ver o Valdivia jogando. Atrás desse jogador tem profissionais que o estudaram conosco aqui: fisiologistas, fisioterapeutas, médicos, preparadores físicos e nós, que tivemos que monitorar,”

Valdivia não é o único trunfo do técnico. Kleina conta que aceitou ter quase 50 atletas no elenco sem fazer trabalho separado com nenhum deles. A ideia era deixá-los em condição de chamar atenção de outros clubes e ter um desempenho favorável quando fosse emprestado, já que todos são patrimônio do Palmeiras.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Kleina enxugou o elenco e hoje tem seu quadro com 34 atletas e Valdivia fora do departamento médico
“Agregamos 48 jogadores para não deixar ninguém trabalhando à parte. Os outros clubes têm interesse em quem está preparado, não em quem está afastado e desmobilizado porque não vai render e o trabalho aqui passa a ser de cumprir horário sem fazer nada. Não sou adepto a isso, mas de todos felizes e querendo oportunidade”, explicou.

O treinador teve participação direta na redução do grupo, hoje com 34 atletas. “Os convites vinham, analisávamos e passamos alguns com eu mesmo falando que era um momento importante de o atleta oxigenar e jogar para voltar com condição de atuar no Palmeiras. Eles entenderam da melhor maneira e fomos enxugando o grupo. O planejamento foi sempre coerente.”

Quem ficou também pode confiar no estilo “paizão” do chefe. “Na minha sala, consigo ouvir o que atleta pensa, qual o sentimento dele. Muitas vezes, nesta sala, fui descobrir que os problemas não estavam aqui, mas fora, e muitas vezes o homem passa do portão para cá como jogador, mas ainda com um problema, e um atleta com problema deixa o desempenho cair. É dessa maneira que conduzo”, ensinou.

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