Futebol/Brasileiro Série B - ( )

Xingado, Kleina pede paciência à torcida e cobra "espírito" do time

William Correia São Paulo (SP)

Entre todos os alvos de protestos da torcida palmeirense no empate sem gols com a Chapecoense, Gilson Kleina foi o mais xingado. Os poucos que não usaram palavrões o chamaram de “burro”. Sob a maior pressão que enfrentou em quase um ano no clube, o técnico pede paciência a quem está nas arquibancadas, ao mesmo tempo em que faz eco às cobranças do presidente Paulo Nobre por mais entrega em campo.

“Pela grandeza do clube, não dá para aceitar. Pedi para voltar a ter o espírito”, disse o treinador, em palavras bem similares às usadas pelo presidente há uma semana. Em Curitiba, Nobre apontou uma apatia já presente há alguns jogos e se irritou pela derrota por 3 a 0 para o Atlético-PR que eliminou o clube da Copa do Brasil.

Se antes discordava da ‘apatia prolongada’ do time, Kleina passou a ficar mais cabisbaixo à medida que ouviu do diretor executivo José Carlos Brunoro, em entrevista, que ainda não está nos planos para o centenário. Afirmação frustrante para um técnico que já sabia não ser um dos preferidos de Nobre – foi mantido porque o presidente assumiu após o início do Paulista e sobreviveu à goleada para o Mirassol e à queda na Copa do Brasil também porque sua demissão custaria caro ao endividado clube.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Técnico deixou o Pacaembu ouvindo palavrões após o 0 a 0 que garantiu ao time o título simbólico do primeiro turno
Sincero, Kleina está consciente do peso da derrota para o Atlético-PR, embora insista em pedir para que a bronca pública de Nobre seja esquecida. “A forma como saímos pode ter deixado gerar uma desconfiança, mas não queríamos ser eliminados. Sempre trabalhamos com seriedade aqui, preparando o melhor, mas às vezes não é assim”, disse o técnico, falando diretamente ao torcedor.

“Estamos sentidos e pedimos para o torcedor ter paciência para que possamos ir forte até o fim. Fazemos tudo pelo torcedor para que possamos pegar força e tudo acontecer. Que encham o Pacaembu”, convocou. “A Série B é difícil, precisamos do apoio do torcedor”, continuou.

Na tentativa de buscar a simpatia de quem o critica, Kleina até argumenta a favor dos que não foram ao Pacaembu na fria e chuvosa noite dessa terça-feira, quando menos de 9 mil pagantes assistiram a uma partida que valia a liderança do primeiro turno da Série B – que ficou com o Palmeiras, apesar da contestável atuação no 0 a 0.

“O horário é difícil, a chuva atrapalha... Quase 9 mil em uma terça mostra que o Palmeiras tem muita torcida”, elogiou o técnico. “Sempre temos 20 mil e vamos resgatar, dar liga de novo, o grupo vai dar a volta por cima. Jogando com a torcida ficamos mais fortes”, reforçou Kleina.

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