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Agora ‘André de Deus’, Balada lembra grupo da "cervejinha" de 2003

Bruno Oliveira, especial para a GE.NET São Paulo (SP)

Reserva do Palmeiras durante o Campeonato Brasileiro da Série B, em 2003, o centroavante André Neles teve pouco destaque dentro de campo na campanha que culminou no retorno a elite do futebol nacional e acabou deixando o clube na temporada seguinte. Entretanto, mesmo com poucas aparições na equipe alviverde, o atacante chamou atenção por seu estilo de vida fora das quatro linhas, ganhando, inclusive, o apelido de “Balada”.

Dez anos após fazer parte do plantel que conquistou o título da segunda divisão nacional, André concedeu entrevista exclusiva à Gazetaesportiva.net e contou informações curiosas sobre aquele grupo, que contava com atletas como Marcos, Sérgio, Vágner Love, Diego Souza, Lúcio e Baiano.

“Era o grupo da balada (risos). O pessoal gostava de tomar uma cervejinha. O Lúcio, Élson, Diego, Vágner. Eu também fazia parte disso, ainda era da balada naquela época, não havia me convertido. Era um bom elenco, tanto fora de campo quanto dentro, pois resolvia quando jogava”, afirmou o centroavante.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Fã da vida noturna em sua passagem pelo Palmeiras, André recebeu apelido de "Balada" em São Paulo

Natural de Patrocínio, cidade do interior de Minas Gerais, Balada passou por importantes equipes do futebol brasileiro e europeu, como Benfica (Portugal), Internacional, Vitória, Atlético-MG, Figueirense, Fortaleza, Ceará, Botafogo de Ribeirão Preto e América-RN. Além disso, ainda atuou pela seleção de Guiné Equatorial na vitória por 2 a 0 sobre Serra Leoa, em 2008, em partida válida pelas Eliminatórias Africanas para Copa do Mundo de 2010.

Aos 35 anos, o centroavante, que já admitiu ter usado cocaína, tem atuado pela Associação Esportiva Unitri, de Uberlândia, na terceira divisão do Campeonato Mineiro. Apesar de seguir  no futebol profissional, André Neles divide seu tempo entre carreira como jogador e cantor gospel desde 2008, tendo lançado cinco CDs neste período. Projetando continuar no esporte até 2016, Balada almeja gravar DVD no próximo ano.

“Essa carreira surgiu do nada. Estava no limite de drogas, noite e mulherada. Não aguentava mais, então decidi dar um rumo a minha vida. Fui aIgreja em 2004, em Florianópolis, e fui tocado pelo Espírito Santo de forma sobrenatural. Em 2005, firmei uma vida através de Deus, me converti, e em 2008 gravei meu primeiro CD. Agora estou planejando um DVD para 2014”, completou o atacante.

Confira entrevista exclusiva do centroavante André Neles à Gazetaesportiva.net:

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Reserva de Vágner Love, André acabou deixando o clube alviverde pouco depois do acesso

Gazetaesportiva.net: Em 2003, você era reserva do Vágner Love na equipe do Palmeiras que conquistou título inédito do Campeonato Brasileiro da Série B. Como era o ambiente daquele grupo?

André Neles: Era um grupo com uma mescla entre jovens e experientes. Nosso líder era o Marcos, mas tínhamos o Vágner Love em uma fase muito boa, fazendo muitos gols. O elenco era fechado, homogêneo e conseguiu ser campeão com sobras naquele torneio.

GE.net: Você acompanhou a campanha feita neste ano?

André Neles: Foi um momento mágico, depois de praticamente dez anos do primeiro acesso. Tive a felicidade de fazer parte daquele grupo em 2003. Fico muito contente em ver o clube retornando a elite do futebol brasileiro.

GE.net: Era boa sua relação com os atletas mais jovens do elenco em 2003? Dois deles, o Vágner Love e o Diego Souza, foram muito importantes durante a campanha na Série B.

André Neles: Eles foram fundamentais. Eram jogadores desacreditados, desconhecidos e que estavam vindo da base na época. Eles deram resposta positiva naquela situação, cresceram como profissionais e estão fazendo sucesso no futebol até hoje. Sempre tive boa relação com Vágner Love, Diego Souza, Magrão, Marcos. Foi um grupo vitorioso. Será difícil o Palmeiras montar um plantel igual aquele.

GE.net: Alguém daquele plantel gostava de sair ao seu lado na noite?

André Neles: Era o grupo da balada (risos). O pessoal gostava de tomar uma cervejinha. O Lúcio, Élson, Diego, Vágner. Eu também fazia parte disso, ainda era da balada naquela época, não havia me convertido. Era um bom elenco, tanto fora de campo quanto dentro, pois resolvia quando jogava.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Aos 35 anos, o centroavante exaltou bom relacionamento existente no elenco do Palmeiras em 2003
GE.net: Hoje em dia existe algum jogador que tenha perfil semelhante ao seu nos momentos mais difíceis de sua carreira?

André Neles: Ele (Jobson) é um excelente jogador, mas enquanto não encontrar Deus e parar de usar drogas, não vai conseguir jogar. Ele tem a mesma vida tumultuada que eu tinha antes. Eu não conseguia parar em lugar nenhum que eu ia. A droga toma o profissionalismo, você esquece que precisa treinar e jogar. Você vive como refém dela, não tem família, futebol e nem nada. A substância te domina. O único que pode salvar ele é Deus. É um menino que poderia estar na Seleção Brasileira.

GE.net: Aos 31 anos, o Adriano não entra em campo desde 4 de março de 2012, quando defendeu o Corinthians na derrota por 1 a 0 contra o Santos. O que você pensa sobre isso?

André Neles: O Adriano não quis mais o futebol, se entregou a noite e a bebida. No Brasil não há um centroavante com a qualidade dele, já que deveria ser o titular da Seleção na Copa do Mundo de 2014. Bebida e noite não combinam com futebol. Ou você joga futebol ou vai pra noite.

GE.net: Como anda sua carreira?

André Neles: Estou jogando na Unitri, em Uberlândia. Sou vice-artilheiro do time na terceira divisão do Campeonato Mineiro. Estamos classificados para fase final e temos grande possibilidade de conseguir o acesso.

GE.net: Você está com 35 anos e viveu um de seus melhores momentos nas últimas temporadas pelo Botafogo de Ribeirão Preto, em 2010, onde conquistou o Campeonato Paulista do Interior. Ainda almeja retornar ao futebol de São Paulo?

André Neles: Esse é meu pensamento. Estou em boa forma, perdi mais de 10 kg aqui, estou em uma fase excelente dentro de campo. Meu intuito é acertar com uma equipe para disputar a primeira divisão do Campeonato Paulista em 2014. Vou encerrar minha carreira em 2016 e pretendo que seja em alto nível, disputando artilharia.

GE.net: No Botafogo, inclusive, você protagonizou situação curiosa ao entrar no hotel do São Caetano, que seria seu adversário.

André Neles: Eu confundi o hotel. Fui um dia antes da delegação, pois precisei resolver problemas em São Paulo. No mesmo dia bati um pênalti na trave, mas depois participei diretamente do título do Botafogo. Aconteceram algumas coisas meio hilárias comigo no clube.

GE.net: Já ocorreu algo peculiar na Unitri também?

André Neles: Ainda não, mas vai acontecer. O futebol está muito burocrático, a irreverência sumiu e as comemorações engraçadas desapareceram. O pessoal faz no máximo uma dança, não há nada de novo. Deixa comigo que estou armando um negócio bacana que vai estremecer o Brasil todo.

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