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César Sampaio relembra queda e abre portas para centenário em 2014

Bruno Oliveira, especial para a GE.NET São Paulo (SP)

Ídolo do Palmeiras por causa de vitoriosas passagens como jogador (1991-1994 e 1999-2000), César Sampaio retornou ao clube alviverde em novembro de 2011, mas desta vez para ocupar cargo diretivo: gerente de futebol remunerado. O ex-volante permaneceu na função até janeiro de 2012 e aumentou ainda mais seu histórico de conquistas pela equipe paulista, triunfando na Copa do Brasil da última temporada. Entretanto, foi o rebaixamento para o Campeonato Brasileiro da Série B o que mais marcou esta fase de Sampaio.

Pouco mais de nove meses após deixar o Palmeiras, o gestor concedeu entrevista exclusiva a Gazetaesportiva.net e relembrou episódios da queda alviverde. Fora do cargo de gerente de futebol desde janeiro deste ano, César Sampaio lamentou o rebaixamento do time comandado por Gilson Kleina, mas negou arrependimento por aceitar a função diretiva.

“Fiquei dez anos me preparando na área de gestão para ter esta oportunidade. O Falcão sempre será ídolo no Internacional, assim como Zico no Flamengo e Renato Gaúcho no Grêmio. São coisas distintas. O respeito e admiração que adquiri como jogador é uma coisa, agora o que vou conquistar nesta parte de gestão depende dos resultados. Minha vida tem sido pautada por desafios. Eu gosto disso, de estar no grupo de risco”, afirmou o ex-volante.

Atleta profissional entre 1986 e 2004, Sampaio atuou pelo Palmeiras em dois momentos de sua carreira. No primeiro deles, entre 1991 e 1994, participou do renascimento do clube em cenário nacional, conquistando bicampeonato brasileiro, duas vezes o Paulista e uma o Rio-São Paulo. Na segunda, entre 1999 e 2000, foi capitão no inédito título da Copa Libertadores da América e em outra edição do Rio-São Paulo.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Aos 45 anos, o ex-volante César Sampaio segue estudando para seguir carreira no futebol como gestor

O êxito como jogador, porém, não se repetiu como dirigente no clube alviverde. Contratado pelo então presidente Arnaldo Tirone e pelo vice-presidente de futebol Roberto Frizzo, o ex-volante foi peça importante na montagem do elenco que conquistou a Copa do Brasil em 2012. No entanto, não conseguiu evitar rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Oficialmente vinculado ao Palmeiras até 31 de dezembro do último ano, Sampaio chegou a trabalhar sem ser remunerado no inicio desta temporada. Quando Paulo Nobre venceu as eleições presidenciais e assumiu o comando do clube alviverde, no último mês de janeiro, o ex-jogador acabou sendo trocado por Omar Feitosa na função. No entanto, não descartou participar das comemorações do centenário em 2014.

“Eu devo muito ao Palmeiras. Minha relação com o clube é muito boa, fui feliz em todos os momentos em que estive lá. Apesar de ter jogado nos quatro grandes times de São Paulo, minha imagem é totalmente associada ao Palmeiras. Tenho grandes amigos lá, e, se tiver oportunidade para fazer algo para essa marca mundial, estou à disposição”, completou o dirigente, lembrando também passagens por Corinthians, São Paulo e Santos.

Acervo/Gazeta Press
Como jogador, César Sampaio conquistou seu último título pelo Palmeiras em 2000

Confira entrevista exclusiva com o ex-gerente de futebol do Palmeiras, César Sampaio:

Gazetaesportiva.net: Quase um ano após o rebaixamento, o Palmeiras pode confirmar sua volta a elite do Campeonato Brasileiro neste sábado, diante do São Caetano, no Pacaembu. Quais motivos levaram o clube novamente a Série B depois de dez anos da primeira queda?

César Sampaio: Eu acho que o rebaixamento foi um acidente de percurso diante da grandeza que é a marca, das condições de trabalho oferecidas e da importância que tem no cenário nacional. O Palmeiras comemora seu centenário em 2014 e foi rebaixado em duas oportunidades só. Tem uma história importante, foi o campeão do século passado. A realidade do Brasileiro mostra que você corre risco por qualquer descuido, como vimos com grandes clubes como Corinthians, São Paulo, Vasco, Coritiba e Flamengo neste ano. É um torneio muito igual.

GE.net: Você não foi o principal responsável pela queda do Palmeiras, mas fez parte da gestão que acabou rebaixada. O acesso iminente ajuda a tirar esse peso de suas costas, assim como do Arnaldo Tirone e do Roberto Frizzo?

César Sampaio: Fizemos parte de dois semestres distintos em 2012. Nosso planejamento era usar o Paulista para identificarmos problemas. O Palmeiras correu risco assim que cheguei, em 2011. O intuito em 2012 era ter o Estadual como laboratório para o Brasileiro. Na montagem do elenco, algumas peças acabaram não correspondendo, tivemos um fator extracampo de alguns atletas que atrapalharam bastante, algumas lesões e erros de arbitragem.

GE.net: Você chegou ao clube para estreitar relações entre diretoria, comissão técnica e elenco, já que esse se tornou um problema habitual nos bastidores alviverdes nos últimos anos. Como você desenvolveu esse trabalho?

César Sampaio: Quando eu cheguei, tivemos a saída do Kleber, o incidente com o João Vitor. Houve também um problema com o Valdivia, que teve um atrito na seleção chilena. Era um momento de transição, a diretoria tinha um entrevero com Luiz Felipe Scolari, e ele com o Kleber. Havia a necessidade de vitórias, então tentamos fazer algo para que as individualidades e as diferenças fossem respeitadas. Era difícil unir o grupo, mas conseguimos e isso foi um êxito para mim.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Ao lado de Roberto Frizzo e Luiz Felipe Scolari, Sampaio conquistou Copa do Brasil de 2012

GE.net: Há arrependimento por alguma decisão tomada? Faria algo diferente?

César Sampaio: Eu não sei se teria feito algo diferente, pois havia dificuldade de caixa. Perdemos porque tínhamos 12 ou 13 jogadores considerados titulares, e as reposições não corresponderam à altura. O banco de reservas e o elenco acabaram desnivelando, mas era o que dava para fazer com nosso orçamento. Alguns atletas perderam o foco, assim como nossa própria gestão. Acabamos não tendo o mesmo rendimento que no primeiro semestre.

GE.net: Depois de deixar o Palmeiras, você passou seis meses na Inglaterra, que tem uma das principais ligas do mundo na atualidade. Como foi este período na Europa?

César Sampaio: Eu fui para ter noção de inglês, já que eu não falava nada desta língua. O Brasil é um país formador de atletas, que exporta muitos jogadores, e isso é importante para a relação entre os clubes. Também fiz alguma coisa em relação à gestão, entendi um pouco como funciona. A maioria dos clubes europeus tem um conceito empresarial, com um dono, orçamento e planejamento. É algo mais frio e transparente, que estamos tentando trazer para cá também. Todos têm acesso ao movimento financeiro.

GE.net: Você manteve contato com o Tirone e o Frizzo depois de sua saída?

César Sampaio: Falei com o Tirone e com o Frizzo. Liguei para o Frizzo depois que voltei da Inglaterra, mas para o Tirone não, pois ainda estou ajeitando as coisas. Tenho excelente relação com ambos, assim como com o Felipão, Brunoro, Kleina. Minha ligação com o Paulo Nobre existia antes mesmo dele assumir a presidência. Quando mudou a gestão, fiz questão de dar um abraço nele e desejar boa sorte. Sabemos que a dificuldade interna no Palmeiras é até maior do que a externa.

GE.net: Foi procurado por outros clubes?

César Sampaio: Fui. Tive e ainda estou tendo algumas conversas. O momento é complicado, pois os clubes estão disputando algum objetivo neste final de ano. Estou estudando algumas coisas. Sem dúvidas haverá novidade no ano que vem, já devo estar empregado. Espero aplicar tudo o que aprendi neste período de 11 anos para ajudar alguma agremiação a ter sucesso.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Troca entre Luiz Felipe Scolari e Gilson Kleina não evitou queda do Palmeiras para Série B nacional em 2012

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