Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

"Combinado" entre Palmeiras e WTorre não ficou claro no papel

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Estivesse claro o contrato entre Palmeiras e WTorre, o impasse em relação à comercialização de assentos da futura arena não existiria. Ocorre que ele não está. O clube se apoia nas bases que foram "combinadas" e aprovadas pelo Conselho Deliberativo, e a construtora se vale do que foi transcrito para o papel - sim, coisas diferentes.

"Combinado não é caro", disse o presidente do clube, Paulo Nobre, na tarde de terça-feira, quando convocou entrevista após novo atrito público entre as partes. "Em 2007 e 2008, foi amplamente discutido como seria a relação caso a arena fosse construída. Eu me recordo, era vice-presidente na época e participei de todas as setoriais, quais seriam as premissas. Não é o caso de discutir o que foi combinado lá atrás, mas o que foi combinado tem que se fazer valer".

Fernando Dantas/Gazeta Press
"No fio do bigode": Paulo Nobre acredita que o clube possa fazer valer o que foi combinado com a parceira
O combinado, segundo ele, foi de que o Palmeiras teria direito a comercializar 35 mil das 45 mil cadeiras. O próprio presidente, no entanto, hesita quando questionado se tais números foram claramente estipulados no acordo. "Eu não falo dos termos do contrato, deixo isso para o meu jurídico tratar. O que eu posso falar é que o Palmeiras está muito seguro em relação a tudo o que foi combinado com a parceira, tudo o que foi passado para motivar o voto positivo dos conselheiros".

Se for preciso, o clube promete apresentar documentos da época da negociação que comprovam as bases do acordo. A GE.net solicitou entrevista com Ricardo Galassi, diretor de arena (departamento criado no início da atual gestão), mas teve o pedido negado, sob a justificativa de que o assunto já havia sido tratado em coletiva por Paulo Nobre. Questionado se alguns termos haviam sido esquecidos na confecção do contrato, o clube respondeu que "não vai entrar em detalhes".

A WTorre, que quer comercializar todos os assentos, apoia-se no que foi assinado. "Conforme os termos do contrato, o Palmeiras tem acesso, sim, às receitas de venda de cadeiras, mas nos percentuais estabelecidos no acordo firmado. Além disso, mantém acesso a 100% da arrecadação com as bilheterias nos jogos de futebol. O que a nova diretoria do clube pretende é alterar o que já está contratado faz muito tempo", argumentou a construtora, em nota oficial.

Nobre se diz seguro em não deixar Torre "passar Palmeiras para trás"
Sem recuar, construtora diz que Palmeiras tenta alterar contrato

A fim de convencer a empresa a ceder, o clube sugeriu deixar dois setores do estádio sem cadeiras (o que aumentaria a capacidade total em cinco mil lugares), mas teve a ideia rechaçada. Além disso, os dois lados também divergem quanto a quem será o responsável por atribuir preço aos ingressos. O Palmeiras calcula que, se não tiver autonomia para isso, pode sofrer prejuízo de até R$ 700 milhões em 30 anos, período de duração da parceria a partir da inauguração da Allianz Parque.

O que está previsto em comum acordo é que impasses como esses podem ser resolvidos - em definitivo, sem possibilidade de recurso - por uma comissão de arbitragem eleita previamente. Apesar de entender que pode dobrar a construtora sem terceiros, o clube não descarta a hipótese de conciliação.

Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade

Publicidade