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Vice são-paulino promete ir a campo para abraçar Ney Franco

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Se alguns jogadores - como o goleiro Rogério Ceni e o meia Paulo Henrique Ganso - tiveram problemas de relacionamento com Ney Franco no São Paulo e devem ignorá-lo no reencontro de sábado, a diretoria promete ser cortês com o treinador do Vitória. João Paulo de Jesus Lopes, vice-presidente de futebol do clube paulista, adianta que até subirá do vestiário do Morumbi para cumprimentar o agora adversário.

"Da nossa parte, vai ser a melhor recepção possível. Tenho o Ney e sua equipe em altíssimo conceito. Farei questão de abraçá-lo, irei ao gramado, porque tenho estima especial por ele. E digo mais: ele tem serviço prestado ao São Paulo, foi campeão sul-americano, um título inédito para o clube, e levou a equipe ao primeiro lugar do returno do Brasileiro", justifica.

Jesus Lopes, curiosamente, foi personagem de uma das polêmicas de Ney Franco em sua passagem de exatamente um ano pelo São Paulo, encerrada no começo de julho. Na fase de grupos da Copa Libertadores deste ano, o dirigente se disse envergonhado pela atuação da equipe na vitória de virada sobre o The Strongest, em casa. Em resposta, o treinador demonstrou surpresa e incômodo com a crítica pública de seu superior.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
João Paulo de Jesus Lopes destaca a elegância de Ney Franco em sua passagem pelo clube paulista
Mas, rapidamente superada, a desavença caiu no esquecimento. "No período conosco, seu comportamento foi extremamente elegante. Um profissional seríssimo, de caráter. Não temos nenhum reparo a colocar. Pelo contrário, só elogios. Evidentemente, futebol tem circunstâncias de substituições em momentos que a diretoria julga oportunos, às vezes o próprio treinador. Mas nós prezamos muito que a relação com os profissionais seja a melhor possível", diz o vice.

A relação do ex-treinador com o elenco, porém, piorou ainda mais depois de sua demissão. Ceni, que se indispôs com ele em uma partida de 2012 (ao sugerir substituição não aceita), o criticou publicamente pouco tempo depois. O goleiro falou que o legado deixado pelo antecessor de Paulo Autuori havia sido zero. Mais tarde, Ney Franco rebateu dizendo que não teve no camisa 1 o capitão de que precisava, que o jogador tinha muita influência no clube e estava mais preocupado com marcas individuais.

Além de Jesus Lopes e Ceni, o agora comandante do Vitória foi obrigado a contornar insatisfações de Ganso e do zagueiro Lúcio, ambas por alterações. Ficou malvisto pelo elenco também por, com consentimento da direção, não ter ido a um treinamento de sábado, logo após revés para o Goiás, quando disse não ser o problema pelos tropeços. Por fim, alegou que não poderia ir a campo dar passe para se defender das críticas pela derrota para o Corinthians, na Recopa Sul-americana.

"São personalidades fortes, são pessoas de caráter. Às vezes, as discussões ocorrem por isso. Mas, na minha visão, sempre foram no âmbito profissional. Não vi nenhum questionamento de comportamento e caráter", minimiza Jesus Lopes, exaltando mais uma vez o ex-funcionário. "Não podemos desmerecer o trabalho dele. Se não foi tão feliz nesta temporada, não podemos desmerecer a temporada anterior".

São Paulo e Vitória se enfrentam às 21 horas (de Brasília) deste sábado, no Morumbi. Atualmente treinado por Muricy Ramalho, o time paulista vem de três derrotas seguidas e aparece na parte de baixo da classificação do Campeonato Brasileiro, ao passo que a equipe baiana não perde há sete rodadas da competição nacional e está próxima do G-4.

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