Futebol/Copa do Mundo 2022 - ( - Atualizado )

Anistia denuncia exploração “alarmante” de trabalhadores no Catar

Doha (Catar)

A Copa do Mundo de 2022, no Catar, segue rendendo polêmicas atrás de polêmicas. Após a incerteza sobre a realização do torneio devido às altas temperaturas registradas no país em junho e julho, o foco agora são as más condições de trabalho dos operários envolvidos nas obras da competição. Após centenas de pessoas manifestarem em frente à sede da Fifa, há cerca de dois meses, na Suíça, a Anistia Internacional (AI) resolveu se mexer: denunciou, no início desta segunda-feira, a exploração “alarmante” dos trabalhadores imigrantes no Catar e pediu ao país que aproveite a organização da Copa do Mundo de 2022 para demonstrar respeito pelos direitos humanos.

O relatório contém 169 páginas e cita que parte dos trabalhadores é tratada como “animais”, termo ouvido pelos próprios investigadores da organização em conversa informal com o diretor de uma construtora. No documento, a AI ainda pede que a Fifa pressione o país em busca de melhorias nas condições de trabalho dos estrangeiros, em sua maioria do sudeste asiático. O Catar, por sua vez, anunciou que incluirá o relatório da organização na investigação que solicitou a um escritório de advogados para esclarecer as acusações de exploração dos imigrantes.

AFP
Salil Shetty lidera as denúncias contra as más condições de trabalho nas obras de 2022
“Nossas conclusões demonstram o nível alarmante de exploração no setor da construção no Catar. Não existe desculpa para que tantos trabalhadores imigrantes sejam explorados sem piedade e se vejam privados de seus salários em um dos países mais ricos do mundo”, declarou o secretário-geral da Anistia, Salil Shetty. O texto afirma que a exploração dos operários “se assemelha, em alguns casos, ao trabalho escravo”, e que a Anistia denuncia o “não pagamento de salários, condições de trabalho duras e perigosas e condições de alojamento escandalosas”.

Além disto, a Anistia Internacional destaca que o país ‘aprisionou’ dezenas de trabalhadores, que tiveram sua saída do país bloqueada pelos seus empregadores das obras da Copa. Vale lembrar que o Catar, ao lado da Arábia Saudita, é o único país do Golfo que impõe aos imigrantes a necessidade de permissão para se deslocar para outros territórios. Shetty usou o exemplo de um grupo de 70 operários do Nepal, Sri Lanka e de outras nacionalidades, com os quais se encontrou na sexta-feira. “Trabalham para uma empresa que constrói torres de muito prestígio em Doha. Não recebem pagamento há nove ou dez meses, não têm dinheiro nem para comer”.

Entenda o caso:

As acusações sobre as más condições de trabalho nas obras da Copa do Mundo de 2002, no Catar, ganharam força há cerca de dois meses. O jornal inglês The Guardian publicou uma reportagem denunciando a utilização de trabalho escravo em construções da competição. De acordo com o diário, em matéria publicada em outubro, mais de 40 trabalhadores morreram no Catar entre 4 de junho e 8 de agosto (mais da metade por problemas cardíacos ou acidentes de trabalho).

Uma das obras com problemas é a da construção da Lusail City, local onde será erguido o estádio da final do Mundial. Segundo o jornal, os imigrantes têm ficado meses sem receber salário, além de terem os passaportes confiscados por empregadores e não receberem água para beber no deserto. Por isto, recentemente, durante reunião de membros da Fifa em Zurique, centenas de manifestantes cercaram o local e carregaram faixas com os dizeres “Cartão vermelho para a Fifa” e “Não à Copa do Mundo no Catar sem direitos dos trabalhadores”.

AFP
Recetemente, centenas de manifestantes cercaram a sede da Fifa para protestar contra a "escravização" na obras

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