Futebol/Campeonato Brasileiro - ( )

Como há 12 anos, banco tende a despertar reação de Luis Fabiano

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Antes de quarta-feira, Luis Fabiano não ficava na reserva do São Paulo desde 2001, sua primeira passagem pelo clube. Apesar da sensação ruim, há uma boa lembrança: naquela temporada, ele reagiu bem ao ser colocado por Nelsinho Baptista no banco e recuperou a titularidade rapidamente. Essa é a mesma esperança de Muricy Ramalho.

O treinador evitou ao máximo expor o atacante, que anotou só três gols sob seu comando e, depois de ser baixa em seis partidas por lesão, vinha atuando pouco - mas sempre como titular - sob a alegação de não estar bem condicionado fisicamente. Porém, quando ele passou a disputar vaga tanto com Aloísio quanto com Ademilson, não houve outra saída a não ser tirá-lo do time.

A decisão chegou a suscitar dúvida antes de ser colocada em prática. Afinal, depois de Nelsinho, ninguém havia tomado a iniciativa de tornar o artilheiro uma mera opção no elenco, mesmo em má fase. Da última vez como reserva até a chegada de Muricy, Luis Fabiano foi dirigido por nada menos que sete treinadores diferentes no São Paulo (Oswaldo de Oliveira, Roberto Rojas, Cuca, Adilson Batista, Emerson Leão, Ney Franco, Paulo Autuori).

Acervo/Gazeta Press
No São Paulo, atacante havia ficado no banco pela última vez em 2001, com o técnico Nelsinho Baptista
Em outubro de 2001, a estratégia de Nelsinho deu resultado. Luis Fabiano - então aos 20 anos, em início de carreira - perdeu lugar para Dill, atacante que fora contratado do Servette, da Suíça. Mas, ao entrar no segundo tempo de uma partida contra o Internacional, fez gol e deu passe para França também marcar. Nos dois jogos seguintes do Campeonato Brasileiro, novamente como titular, fez mais quatro gols (dois contra o Botafogo e dois contra o Flamengo).

"No banco, você está no fundo do poço. De lá, você só pode melhorar. Foi o que aconteceu comigo", opinou, na época, o jogador, que estava emprestado pelo Rennes, da França. "O período na reserva fez com que ele refletisse e percebesse o espaço que estava deixando para outros jogadores", explicou Nelsinho, satisfeito pela recuperação de seu homem de frente.

Doze anos depois, Muricy recupera esse discurso. "Depende do jogador (se recuperar), porque estamos dando oportunidade", disse o atual treinador, recentemente, antes até de deixar o camisa 9 na reserva, diante da Ponte Preta, na primeira semifinal da Copa Sul-americana.

Por pouco – ou por conta de boas defesas do goleiro Roberto e de sorte da defesa ponte-pretana –, Luis Fabiano não repetiu o que fez em 2001. Ao entrar na segunda etapa do duelo de quarta-feira, ele foi melhor do que os outros atacantes e quase balançou a rede. Uma atuação que vai ajudar Muricy a escalá-lo no domingo, diante do Botafogo, quando os titulares serão de novo poupados.

Dependendo de seu desempenho no Morumbi, o atacante pode reconquistar a vaga para o jogo de volta contra a Ponte, na próxima quarta-feira, dia em que o São Paulo precisará vencer por 3 a 0, em Mogi Mirim, para chegar à final da Sul-americana. E, apesar de Luis Fabiano já não ser mais unanimidade - pode até deixar o clube ao final da temporada -, é difícil imaginar que o treinador enfrentará o risco de ser cobrado por uma eliminação com o seu principal artilheiro no banco.

Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade

Publicidade