Futebol - ( )

Cruzeiro e Atlético-MG seguem mandamentos e se tornam reis de 2013

Bruno Grossi, especial para a GE.net São Paulo (SP)

Com o título inédito da Copa Libertadores da América, agregado à conquista do Estadual, o Atlético-MG pôde assistir de camarote ao Campeonato Brasileiro. O Galo só não esperava que sua festa particular em Belo Horizonte fosse invadida justamente pelo maior rival. E agora é a vez do Cruzeiro, com status de tricampeão nacional, secar o inimigo no Mundial de Clubes.

A rivalidade mineira dominou o País. “BH é a capital mundial do futebol. Fomos bem mineirinhos, mesmo, como o pessoal gosta de falar. E nós ganhamos uma ‘Copinha Libertadores’, um ‘Brasileirinho’ e agora vamos ganhar um ‘Mundialzinho”, festejou o ex-atacante Reinaldo, maior artilheiro da história atleticana com 255 gols.

Mas o ano de sucesso da dupla não surgiu do acaso. Tudo parece ter uma explicação. Desde a pré-temporada longa, passando pela visão das diretorias e chegando à força das torcidas. Quem caiu no Horto ‘saiu morto’ no primeiro semestre. Na segunda metade do ano, quem caiu no Mineirão acabou ‘trancado no caixão’. Alvinegros e celestes foram cruéis com os adversários.

FMF e o calendário – Como todo time top, Atlético-MG e Cruzeiro mostraram ter contatos importantes, influência nos bastidores. E assim a Federação Mineira adiou o início do Estadual e reagendou partidas dos gigantes de Minas antes de compromissos pela Libertadores e pela Copa do Brasil. A medida deu mais tempo para os jogadores entrarem em forma. “Os times mineiros tem uma preparação melhor, é o último campeonato a iniciar e a pré-temporada é maior”, destacou o correspondente da GE.net em Belo Horizonte, Wanderson Lima.

Investimento para contratar e manter – Depois de quase ser rebaixado em 2011 e não sair do meio da tabela ano passado, a diretoria do Cruzeiro resolveu se mexer e contratou um elenco inteiro para 2013. Até então sem grife, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Dedé e Willian chegaram com outros operários e custaram os mesmos R$ 40 milhões que o Corinthians desembolsou por Alexandre Pato.

Já o Atlético-MG conseguiu manter a base do time vice-brasileiro em 2012 e ainda se reforçou com o ídolo Diego Tardelli. “O segredo é investimento. Contrataram jogadores de qualidade. O Galo fez contratações fantásticas e manteve o trabalho. O Cruzeiro mudou quase 17 jogadores e conseguiu que dessem certo rapidamente”, ressaltou o técnico Celso Roth, atleticano em 2003 e 2009 e cruzeirense em 2012.

Espaço exclusivo – Na temporada passada, o Galo ganhou a Arena Independência e até aqui perdeu apenas uma partida. Em 2013, o Mineirão enfim foi entregue após quase três anos de obras para a Copa do Mundo e a Raposa também acumula somente um revés na nova mansão. “Jogar na Arena do Jacaré em Sete Lagoas e no Parque do Sabiá em Uberlândia causou uma época de vacas magras. Caiu receita e as diretorias não conseguiram manter elencos qualificados”, relembra Emerson Panfieri, repórter da Rádio Globo MG.

Atraindo estrelas – Todo time grande precisa de estrelas, mas o Cruzeiro deu susto na torcida ao negociar o argentino Walter Montillo com o Santos no início do ano. Graças ao dinheiro da venda, porém, a diretoria montou um elenco homogêneo, atraiu o público de volta para o Mineirão e com o programa de sócio-torcedor em alta conseguiu preencher a vaga de astro com Everton Ribeiro e Julio Baptista.

“O Cruzeiro começou a ter a grana com os sócio-torcedores e a venda do Montillo. Tudo para colocar dinheiro em caixa e montar o time”, exalta Panfieri. No Galo a situação foi semelhante. Tardelli se juntou a Ronaldinho Gaúcho e Bernard, mas logo a jovem revelação se transferiu para o Shakhtar Donetsk. O dinheiro em caixa serviu para qualificar o grupo que viaja para o Marrocos em dezembro para disputar o Mundial de Clubes.

Inveja – Não adiantaria o Galo contratar seguranças para proteger o clube da inveja cruzeirense. A Raposa não suportou ver o rival em alta e decidiu responder em campo. “O fato de o Atlético ter ido bem serviu de estímulo para o Cruzeiro formar um bom time. Um estimulou o outro a se organizar, buscar técnicos bons e contratar ótimos jogadores”, opinou Tostão, tricampeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1970 e maior goleador celeste com 242 tentos.

Reação dos comandantes – O ano de 2013 serviu para Cuca e Marcelo Oliveira provaram que não são meros pilotos de teco-teco, mas sim comandantes de boeings. Os técnicos antes contestados ganharam status de ídolos e escreveram de vez o nome na história do futebol mineiro ao ganharem títulos e prezarem pelo jogo bonito dentro de campo.

“Marcelo chegou desacreditado. É mineiro e, apesar do passado no rival, sabe o que é o Cruzeiro. Fez um time do jeito dele, com toques rápido e pressão. O Cuca também gosta desse tipo de jogo e ainda pode usar os lançamentos longos e bolas altas porque tem o Jô de referência. Outro mérito do Marcelo foi saber lidar com os jogadores. Ter Júlio Baptista e Dagoberto no banco poderia criar problemas de vaidade e ele controlou”, elogiou Emerson Panfieri.

Publicidade

Publicidade


Publicidade

Publicidade

Publicidade