Futebol/Copa do Brasil - ( - Atualizado )

Jayme repete ‘sina de interinos’ e prova que solução do Fla está em casa

Bruno Landi, especial para a GE.net São Paulo (SP)

Assumir o time interinamente, obter bons resultados, agradar à torcida e conquistar um título nacional. Tal sequência de fatos não é provável e muito menos comum no futebol mundial. No Flamengo, porém, aconteceu três vezes. Time de maior torcida do Brasil, o Rubro-Negro achou na simplicidade dos ‘treinadores da casa’ a receita para os recentes sucessos em âmbito nacional. Com o título da Copa do Brasil sobre o Atlético-PR, nesta quarta-feira, no Maracanã, Jayme de Almeida repetiu Andrade, em 2009, e Carlinhos, em 1987 e 1992, e provou que a ‘grife’ à frente do banco de reservas não funciona pelos lados da Gávea.

Curiosamente, a combinação Furacão e Maracanã foi a mesma que proporcionou a Jayme assumir o Flamengo na atual temporada. Tudo aconteceu na 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Rubro-Negro, sob o comando do badalado ex-treinador da Seleção Brasileira, Mano Menezes, acabou derrotado por 4 a 2 após abrir 2 a 0 ainda no primeiro tempo, e terminou aquela quinta-feira de 19 de setembro na perigosa 15ª colocação. E pior do que isto: sem técnico. O comandante, que chegara há 16 rodadas, abandonava o barco sob a justificativa de que “não havia conseguido passar o que pensa de futebol para o grupo”.

Agif
Criado como jogador e treinador no Flamengo, Jayme de Almeida ganhou os atletas com sua simplicidade
Jayme, que antes da chegada de Mano já havia treinado a equipe na vitória por 3 a 0 diante o Criciúma, em Santa Catarina, depois da demissão de Jorginho, foi novamente eleito para ‘tapar o buraco’. O talentoso zagueiro rubro-negro dos anos 70, que chegara à comissão técnica do Flamengo em 2010 após rápidas passagens por Desportiva Ferroviária, do Espírito Santo, e Iraty, do Paraná, tinha, então, o maior desafio de sua vida à frente de um banco de reservas.

No primeiro jogo, contra o Náutico, na Arena Pernambuco, conquistou um 0 a 0 para segurar a pressão. Daí para frente, uma sequência de cinco partidas sem derrotas, com vitórias sobre Criciúma (4 a 1), Coritiba (2 a 0) e Internacional (2 a 1), e empates contra Vasco e Botafogo (ambos por 1 a 1, mas o último válido pela Copa do Brasil) serviram para colocar o time na 7ª posição do Brasileiro, garantir a efetivação de Jayme e conquistar, de volta, a confiança da torcida.

Isto ficou claro na primeira derrota do Flamengo sob o comando do novo treinador: para o Botafogo, por 2 a 1, pela 28ª rodada do Brasileirão. Naquela ocasião, apesar do tropeço, o time rubro-negro saiu de campo aplaudido pelos seus torcedores, que, enfim, se identificavam e criavam uma sintonia com o “novo Flamengo”. O Flamengo que, se antes era formado por jogadores e atletas, passava a ter em campo onze “meninos”, como sempre gostou de dizer Jayme. O Flamengo que voltava a lotar o Maracanã, como fez durante os confrontos decisivos da Copa do Brasil.

Inovafoto/Divulgação
O comandante rubro-negro evitou o rebaixamento no Brasileiro e liderou o Fla à conquista da Copa do Brasil
Foi assim diante do Botafogo, pela volta das quartas de final, quando 59.849 pessoas viram o Rubro-Negro massacrar e garantir vaga na semi após um contundente 4 a 0. Foi assim, também, contra o Goiás, quando a repetição do 2 a 1 do jogo de ida, no Serra Dourada, foi presenciado por 56.224 torcedores. Acabou da mesma maneira nesta quarta-feira, com o título da Copa do Brasil sobre o Atlético-PR, observado por 68.857 fãs. Foi a consagração de Jayme, que repetiu a ‘sina dos interinos’ flamenguistas.

Dos últimos seis títulos nacionais conquistados pela equipe da Gávea, três foram liderados por técnicos que chegaram para ‘tapar buracos’ e acabaram se afirmando. Em 1987, Luís Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos, saía das divisões de base do clube para substituir Antonio Lopes, demitido após derrota para o São Paulo, no Maracanã, pela primeira rodada da Copa União. O Violino, como era conhecido nos tempos de jogador durante a década de 60, puxou jovens com poucas oportunidades entre os profissionais como Leonardo e Zinho para dosar juventude com a experiência de Leandro, Edinho, Andrade e Zico. Resultado: título brasileiro após quatro anos de ‘seca’.

Acervo/Gazeta Press
Carlinhos foi 'tapa buraco' de Antonio Lopes e ganhou dois Brasileiros à frente do Flamengo
Cinco temporadas depois, em 1992, Carlinhos voltava ao comando do Rubro-Negro para recolocar o time no topo do Brasil. Liderado por Júnior, lateral que, já experiente, virara meio-campista, o Flamengo conquistava o pentacampeonato nacional e se estabelecia como o maior detentor de títulos do Brasileirão. A taça da Copa Mercosul, em 1999, e o bi estadual no início dos anos 2000 preencheram o currículo do humilde treinador, que, em 2011, foi homenageado com um busto na sede social do clube.

Dois anos antes da condecoração, porém, o time da Gávea voltara a apelar para um ‘recurso caseiro’ a fim de obter sucesso em âmbito nacional. O auxiliar Andrade, ex-jogador comandado pelo próprio Carlinhos na conquista de 1987, assumia o time após a saída de Cuca, que não convencera nas primeiras rodadas do Brasileirão. O ‘eterno interino’ fez a equipe de Petkovic e Adriano jogar bem, tirar oito pontos do então líder, Palmeiras, e saltar da sétima para a primeira posição, garantindo o hexa na campanha que ficou marcada como a de maior arrancada da história dos pontos corridos no Brasil.

Quatro anos depois, o Flamengo volta a ter destaque no cenário nacional. De um time de desacreditados nas mãos dos ex-integrantes da comissão técnica da Seleção Brasileira, Jorginho e Mano Menezes, a uma equipe aguerrida e afinada sob o comando do ‘sossegado’ Jayme de Almeida. O sucesso rubro-negro está, de fato, dentro de casa.

Divulgação/Flamengo
Campeão Brasileiro como jogador em 1987, Andrade levou o Fla ao hexa do Brasileirão com pouca 'grife'

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