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Kleina renova por convicção, mas sem esperar o mesmo da diretoria

William Correia São Paulo (SP)

Gilson Kleina acredita na força do Palmeiras, por isso aturou todas as indisposições impostas durante exatamente um mês entre a conquista do acesso à Série A do Brasileiro e o acerto de sua renovação. A crença, porém, não é mútua. Toda a negociação mostrou que a diretoria não está convicta de que o treinador é o nome certo para o centenário.

Paulo Nobre nunca teve o técnico entre os seus preferidos. Tanto que cogitou dispensá-lo, ao menos, três vezes, uma delas antes mesmo de ser eleito, e não contratou Marcelo Bielsa, tido por ele e pelo diretor executivo José Carlos Brunoro como o homem ideal, porque faltou dinheiro para pagar quase R$ 1 milhão por mês pela comissão técnica do argentino.

Será com esse ambiente que Kleina terá que lidar em uma das temporadas mais importantes da história do clube. Não à toa, o treinador exigiu uma multa rescisória, consequência de uma redução salarial menos impactante do que a oferecida inicialmente, que lhe servisse de garantia para o caso de demissão repentina. Além disso, foi assegurada autonomia na busca por reforços.

A pessoas próximas, o comandante sempre comentou entender que era a “última opção”. Mas não esperava tamanho desrespeito. Indispôs-se com Brunoro quando o diretor abriu mão da prometida transparência e, enquanto o presidente não cumpria sua palavra de procurar Kleina, foi à Argentina negociar com Bielsa, admitindo tudo publicamente após a derrota para o Paysandu que adiou a conquista do título da Série B. O salário menor foi uma frustração que quase se tornou o fim da linha para o técnico.

Kleina esteve irredutível, não aceitaria menos do que os cerca de R$ 300 mil mensais do contrato que acaba em 31 de dezembro. Entendeu, porém, que poderia ficar desempregado em 2014, abrindo mão de um clube que sempre respeitou. Preferiu ‘engolir’ Brunoro, Nobre, a promessa de reforços e salários de R$ 200 mil que podem chegar a R$ 400 mil de acordo com os resultados.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Kleina seguirá lidando com dirigentes que não têm certeza se ele é o técnico ideal no centenário
O presidente, por sua vez, teve que lidar da pior forma com o fato de Kleina ser a “última opção”. Após o fracasso com Bielsa, a esperança era de uma renovação tranquila, o que não ocorreu. Todos os outros nomes têm rejeição no clube, assim como Kleina, e a melhor solução passou a ser manter alguém com bom ambiente no elenco. Por isso, Nobre e Brunoro levaram horas para não ouvir uma negativa do técnico nessa terça-feira.

Lidar com alguém sem grife, como Kleina, preocupa Nobre desde antes da eleição. O agora presidente se reuniu com aliados para perguntar o que fazer com ele, já que tomaria posse exatamente um dia depois da estreia no Campeonato Paulista. Foi convencido de que seria melhor evitar problemas com uma demissão precoce.

Desde então, Kleina correu sério risco de ser dispensado duas vezes, e não escapou em nenhuma delas por ter convencido o mandatário de sua qualidade. O período mais crítico foi no fim de março, na goleada por 6 a 2 do Mirassol. Nobre estava voltando de Portugal quando o time passou vergonha e acabou dando nova chance ao técnico porque demiti-lo custaria cerca de R$ 2 milhões, alta quantia para um clube extremamente endividado.

No fim de agosto, a eliminação na Copa do Brasil irritou a ponto de o comedido dirigente dar bronca pública em treinador e jogadores. Ficou clara a necessidade de troca na comissão técnica, mas com cuidado para a caminhada na Série B seguir tranquila. Por isso, o passo só foi dado após a garantia de acesso.

Mas subir era uma meta cumprida por Kleina, iniciando uma situação concluída da seguinte forma: o Palmeiras terá em seu centenário um técnico que respeita o clube e sabe do peso da responsabilidade, mas que não tem total confiança da diretoria para assumir tamanha missão.

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