Futebol/Brasileiro Série B - ( - Atualizado )

Palmeiras refaz caminho à elite e tenta provar que aprendeu a lição

Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

O rebaixamento no futebol nacional é tido como um momento que força os clubes brasileiros a uma reestruturação, com o fim de guerras políticas, a busca por novas fontes de receitas e a profissionalização de gestão. Não foi o caso do Palmeiras há dez anos. Por isso, neste sábado, a equipe dirigida por Gilson Kleina obteve o acesso na Série B pela segunda vez na história do time, que tenta agora mostrar que aprendeu de verdade a lição com a queda no Brasileiro.

Sem enfrentar a mesma dificuldade de 2003, quando a segunda divisão era disputada em três fases e apenas duas equipes garantiam o acesso, o Palmeiras de 2013 recuperou o orgulho de seu torcedor ao conquistar o direito de atuar na elite na temporada de seu centenário, que será especial também pela reabertura do Palestra Itália, totalmente remodelado.

Na falta de sua casa, o clube foi um cigano nesta Série B, já que não pôde se firmar no Pacaembu, em função da série de punições imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Até chegar ao jogo do acesso, neste sábado, foram seis partidas como mandante atuando longe da capital paulista, bem diferente do que aconteceu em 2003, quando o time que era dirigido por Jair Picerni teve no Palestra lotado seu grande aliado.

Mas aquela campanha não serviu para o clube se precaver para o futuro. Mesmo depois do vexame de ter sido rebaixado no Brasileiro de 2002, o Palmeiras continuou atrapalhado por uma forte guerra política entre seus conselheiros, teve problemas com atrasos salariais e ficou distante de títulos na grande maioria dos campeonatos que disputou - foi campeão apenas do Paulistão de 2008 (auxiliado pela Traffic) e da Copa do Brasil de 2012.

“Não sei como não serviu de lição o que aconteceu em 2002. Dizem que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas caiu no Palmeiras. Pela grandeza do clube, é para disputar título na elite sempre, pois tem torcedores pelo Brasil afora. Não tinha alguém com sensibilidade para ver que as coisas estavam erradas?”, comenta Picerni, inconformado pelo time ter jogado de novo a Série B.

A queda sacramentada parece ter feito o clube acordar, pelo menos neste momento de reconstrução. Até mesmo Arnaldo Tirone, que foi o presidente no ano do rebaixamento, sabe que o Palmeiras tem de aprender definitivamente com este novo calvário entre o inferno e o céu.

“A lição é que o Brasileiro é muito difícil, um campeonato cruel, com várias disputas, seja para não cair, para ser campeão, para ganhar vaga na Liberadores... Quem está na Série A precisa de um time competitivo”, atesta o ex-dirigente, que foi sucedido por Paulo Nobre, eleito em janeiro contando com o apoio de Mustafá Contursi, o mandatário do primeiro rebaixamento alviverde.

Nesta temporada, o clube tenta mostrar que está diferente, pois já não há tanta briga entre conselheiros como ocorria anteriormente, até porque o poder de cada integrante do Conselho Deliberativo foi reduzido com a aprovação do voto direto dos associados a partir da próxima eleição para presidente. Os salários de 2013 também não atrasaram, apesar de ainda haver resquícios do ano passado que não foram pagos.

Para voltar à primeira divisão, o Verdão não repetiu a receita de sucesso do primeiro acesso e apostou em uma fórmula diferente, com muitos jogadores promovidos da base. Se em 2003 o torcedor tinha esperança de tempos melhores com a geração de Vagner Love, agora não há um ídolo absoluto a quem se apegar. Castigada pelas saídas tumultuadas de Kleber Gladiador e Hernán Barcos nos últimos anos, além da inconstância de Valdivia, a torcida sonha em se orgulhar com a força da instituição, e não mais de um ou outro atleta.

Sem uma estrela, o clube se estabeleceu com uma base formada pelo goleiro Fernando Prass, o zagueiro Henrique, o intocável e contestado Márcio Araújo e o atacante Alan Kardec, que substituiu Barcos sem fazer alardes e marcando gols. Leandro e Luis Felipe deram juventude à equipe, que sofreu apenas com as seguidas ausências de Valdivia, fosse por lesão, suspensão ou pela volta das convocações para a seleção chilena. Assim, o camisa 10 foi substituído por várias vezes pelo paraguaio Mendieta, aplaudido pelos palmeirenses até sofrer a lesão no joelho esquerdo já nesta reta final.

O clube superou os tropeços anteriores para exibir um desempenho soberano na Série B, apagando o vexame dos 6 a 2 para o Mirassol, em um Paulistão que acabou em eliminação para o Santos. O futebol “sangue na veia”, que virou lema do presidente Paulo Nobre, não foi suficiente também para levar a agremiação longe na Libertadores e na Copa do Brasil, mas serviu com sobras para dar tranquilidade na segunda divisão.

Tendo a Chapecoense como sua principal adversária nesta competição, o time paulista comprova sua hegemonia ao obter o acesso mesmo com seis rodadas ainda a serem disputadas. A partir de agora, a briga será pelo título, para confirmar que é o mais forte fora da primeira divisão. Mas a maior prova se o time realmente evoluiu depois da queda virá em 2014, com toda a expectativa do centenário.

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