Futebol/Brasileiro Série B - ( - Atualizado )

Picerni considera guinadas pós-vexames fundamentais em 2003 e 2013

Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

Treinador do Palmeiras na primeira participação do clube na Série B do Campeonato Brasileiro, Jair Picerni acompanha pela TV a segunda passagem da equipe pela competição. Acomodado em seu sítio no interior paulista, o ex-comandante alviverde relembra o caminho que percorreu para levar o time de volta à elite nacional e vê uma semelhança com o trajeto atual: um vexame antes da redenção.

Nas duas oportunidades em que foi rebaixado, o Palmeiras ainda teve de amargar poucos meses depois novo trauma. Em 2003, o Verdão foi humilhado ao perder por 7 a 2 para o Vitória, no Palestra Itália, pela Copa do Brasil. Nesta temporada, o time do técnico Gilson Kleina caiu por 6 a 2 diante do Mirassol, pelo Paulistão. Picerni acredita que os dois episódios serviram para o clube buscar novos rumos antes da Série B.

“Depois da ‘piombada’ na Copa do Brasil, fiz uma reunião com o Mustafá (Contursi, presidente na época), falei para ele que vinha fazendo jogos-treinos contra juniores durante a semana e que levávamos bailes. Disse para aproveitar que tinha um pessoal de saída, para que ele deixasse as coisas fluírem. Foi uma transição arriscada, e o Mustafá estava com a orelha vermelha, mas foi um projeto estudado, uma aposta certa”, recorda o treinador, em entrevista à Gazeta Esportiva.net.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Técnico Jair Picerni foi campeão com o Palmeiras na disputa da Série B de 2003
Depois daquele vexame, Picerni alçou à equipe titular jovens como Vagner Love, Edmílson e Alceu, que permaneceram como base da equipe até o acesso. Já na atual temporada, o ex-treinador palmeirense entende que a goleada para a agremiação do interior foi mais determinante para a mudança de postura da equipe.

“Não é questão de falta de respeito, mas, para o Mirassol, não poderia ter tomado de seis. Isso fez mudar, o pessoal teve um pouco mais de vergonha, porque machucou muito. Se acontecesse contra uma equipe do mesmo nível... Mas foi uma sapecada contra um time intermediário”, acrescentou.

Ao contrário de 2003, em vez de recorrer à base, o Palmeiras preferiu buscar reforços para esta Série B, o que foi considerado fundamental por Jair Picerni, já que via o time enfraquecido antes das chegadas de jogadores como Alan Kardec e Mendieta, no meio do ano.

“O pessoal estava até meio encabulado, mas o clube fez três ou quatro contratações e deu uma ajeitadinha melhor. No início, eu já tinha falado que o Palmeiras precisava contratar três jogadores do nível do Henrique, que é de Seleção. Chegou o centroavante (Kardec) e encaixou bem, porque estavam necessitando de um jogador assim”, ponderou.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Técnico mudou o time depois do vexame contra o Vitória, passando a dar chances a Vagner Love e garotos
Apesar da facilidade do time de Kleina no acesso, Picerni acredita que a equipe que dirigiu era melhor, pois enfrentou um campeonato mais complicado, que teve uma fase classificatória e, em seguida, dois quadrangulares. Além disso, em 2003, havia apenas duas vagas para a primeira divisão, em uma edição que tinha também outro grande clube brasileiro, o Botafogo.

“Não vamos tirar o mérito deste Palmeiras, pelo contrário, mas era completamente diferente do que é hoje. O time está sobrando, mas, se fosse por pontos corridos naquela época, teríamos uma condição muito boa também. Acredito que antes foi muito mais difícil, pela condição do campeonato. E nós tínhamos um campeão do mundo no gol (Marcos), além de juniores que vinham jogando na Seleção de base, que eram Alceu, Vagner e Edmílson”, avaliou.

Independentemente das diferentes entre as duas participações na segunda divisão, Picerni só espera não ter de ver novamente o clube na Série B. “Pela grandeza do Palmeiras e pelo que representa, é para disputar título sempre na elite”, encerrou.

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