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Próximo da oposição, Muricy tem falas cifradas contra atual gestão

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Muricy Ramalho disse a membros da oposição política do São Paulo, quando desempregado, que aceitaria voltar ao clube após a eleição de abril de 2014. Mas um convite às pressas da atual gestão, preocupada em salvar o time do rebaixamento à segunda divisão nacional, o convenceu a antecipar a ideia. Não sem, desde então, ele repetidamente frisar que só o fez por instituição e torcida.

Sempre que pode, o treinador tem alfinetado as decisões tomadas pela diretoria antes de sua chegada. Não se trata de uma crítica específica ao presidente Juvenal Juvêncio, de quem se diz amigo, mas aos rumos tomados pelos membros da cúpula como um todo. O ex-diretor de futebol e hoje diretor secretário-geral Adalberto Baptista, por exemplo, foi responsável, dentre outros pontos, por reforços questionáveis e por ter alongado a excursão ao exterior, no meio do ano, a qual comprometeu a parte física do elenco.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Treinador, que estava acertado com a oposição, tem pedido mudanças no clube a partir do ano que vem
Ídolo da torcida, Muricy é o único capaz de fazer isso sem aceitar ingerências ou imposições. Paulo Autuori, também vencedor pelo clube, tentou o mesmo, mas não resistiu e foi demitido. O atual treinador, ao contrário, não apenas já levou a equipe para a oitava posição no Campeonato Brasileiro e a semifinal da Copa Sul-americana, em dois meses de trabalho, como também tem a promessa de novo contrato ao final do ano.

"Contrato fica em segundo plano", desconversa. "A gente tem que se organizar melhor. É opinião minha, já falei para o Juvenal. O São Paulo não pode estar na situação em que estava. É bobagem falar (o que se passou), mas o ambiente não estava bom. Estavam todos de cabeça baixa, revoltados, nervosos. Muita coisa não estava correta. Mas também agora não adianta ficar olhando para trás. O que passou, passou".

Apesar das mensagens cifradas, Muricy acertará sua permanência no comando do São Paulo, independentemente do resultado da eleição de abril. Até porque tanto a chapa de oposição (liderada pelo ex-diretor jurídico Kalil Rocha Abdalla e o ex-superintendente Marco Aurélio Cunha) quanto o candidato da situação (o ex-presidente Carlos Miguel Aidar) já manifestaram publicamente o desejo de que ele continue no cargo por muito tempo.

Aidar, a propósito, esteve presente na reunião que definiu a demissão de Autuori e a contratação de Muricy, em setembro. No dia seguinte, fez questão de ir ao CT da Barra Funda para falar com o treinador. Algo que Marco Aurélio Cunha, o qual assumirá o futebol em caso de vitória da ala oposicionista, também costuma fazer com frequência. Respaldado pelo apoio de ambos, o ainda funcionário de Juvenal começa a traçar o planejamento para 2014.

"O São Paulo tem que ter consciência de que precisa melhorar. Não adianta contratar um treinador e continuar as coisas como estão. Tem que melhorar, errar pouco, errar menos. Devo acertar (a permanência), com certeza. Mas tem que se ter uma linha, tem que se voltar ao que sempre foi isso aqui. Tem que se estudar mais, para não cometer tantos erros. Por isso, ter conversa é fundamental. Senão, não dá. Vai passar sufoco de novo?", cobrou o técnico tricampeão brasileiro.

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