Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Sem corintiano, grupo debate homossexualidade no futebol

Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

O Museu da Diversidade Sexual promoveu nesta terça-feira, no Museu do Futebol, um debate sobre a homossexualidade no esporte mais popular do Brasil, mas sem a presença de um atleta em atividade, já que o zagueiro Paulo André não pôde comparecer. De acordo com a organização, o atleta confirmou presença, mas teve de desmarcar por incompatibilidade de agenda.

A discussão contou com as presenças da ex-jogadora da Seleção Brasileira Aline Pellegrino, do psiquiatra Paulo Gaudêncio, do publicitário Washington Olivetto e dos jornalistas Cesar Giobbi e Juca Kfouri.

“Evidentemente que o futebol é a coisa que mais reflete o quadro social. Como tem homossexualismo na sociedade, claro que também tem no futebol, mas a estrutura é muito reacionária. Muitas vezes, os jogadores não têm coragem de assumir, infelizmente, porque estatisticamente aqueles que assumiram correram riscos”, afirmou Olivetto.

Psiquiatra do Corinthians na década de 1970, Gaudêncio vê uma evolução em relação ao assunto. “Havia homossexualidade naquela época? Devia haver. Mas de jeito nenhum que tinha discussão. Já é uma evolução discutir. Antes, não podiam sair do armário de jeito nenhum, não podiam nem pensar nisso”.

O assunto vem ganhando proporções maiores, principalmente depois que o artista Felipeh Campos criou a torcida gay Gaivotas Fiéis, do Corinthians. Antes disso, o atacante alvinegro Emerson Sheik tentou combater o preconceito ao divulgar a fotografia em que deu um selinho em seu amigo, gerando protestos de torcedores uniformizados e forçando seu pedido de desculpas a quem se ofendeu.

Na opinião de Gaudêncio, o evento desta terça serve como um passo para “uma longa caminhada”. Já Aline Pellegrino pediu para que o esporte não seja a única bandeira na luta pela diversidade.

“O futebol, por característica, não é hipócrita e levanta todas as questões abertamente, sendo um esporte machista e preconceituoso”, afirmou, para completar. “É bacana que se use o futebol para isso (debater), mas todas as bandeiras têm de andar sozinhas e não podemos depender só do futebol, porque ele não pode gerir tudo no Brasil”.

Com entrada gratuita, o evento durou pouco mais de duas horas e vai contribuir para a construção de uma exposição sobre homossexualidade e futebol, que entrará em cartaz no Museu da Diversidade, na capital paulista, durante a Copa do Mundo de 2014.

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