Corrida Internacional de São Silvestre - ( - Atualizado )

Belga corre a São Silvestre para comemorar 50 anos da vitória do pai

André Sender São Paulo (SP)

A Corrida Internacional de São Silvestre tradicionalmente reúne participantes da elite do atletismo mundial, mas este ano contará também com um atleta estrangeiro amador para quem a prova é especial. É o belga Kris Clerckx, filho de Henri Clerckx, campeão da edição de 1963 da prova.

Filho de Henri Clerckx se emociona em visita à Fundação

Kris, escritor e jornalista, manteve a ideia de homenagear a vitória de seu pai por alguns anos e começou a planejar sua viagem a São Paulo ainda em 2012. Após contato com o cônsul belga na cidade, Didier Vanderhasselt, levou à frente o plano. Com a namorada e um amigo, chegou ao Brasil cerca de dez dias antes da prova. A única frustração é não ter conseguido trazer também os irmãos mais velhos.

A experiência na São Silvestre será registrada por um cinegrafista da RTBF, canal de televisão pública da Bélgica, e integrará um documentário sobre cidadãos do país europeu em São Paulo. A viagem do jornalista ao Brasil deve posteriormente ser retratada em um livro. “Acho importante comemorar momentos especiais. O 50º aniversário da vitória do meu pai na São Silvestre, sua prova favorita, já estava na minha cabeça há certo tempo. Participar da Corrida será um tributo ao meu pai que morreu em 1985, quando eu tinha apenas nove anos de idade”, explicou Kris Clerckx.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Escritor e jornalista Kris Clerckx fotografa exemplares do jornal A Gazeta Esportiva sobre vitória do pai na SS-1963
A vitória da São Silvestre de 1963 transformou Henri Clerckx em uma estrela de seu país. As imagens do corredor festejando sua vitória nas ruas de São Paulo, cercado pelos torcedores brasileiros, fascinaram os belgas. A glória o fez ser convidado para um encontro com o então Príncipe Alberto, posteriormente Rei Alberto II, no Palácio Real de Bruxelas, e o colocou como possível candidato a uma medalha nos 10 mil metros nos Jogos Olímpicos de Tóquio-1964.

Kris sabe que não terá chances de repetir o desempenho obtido por seu pai nas ruas de São Paulo, apesar de ter treinado atletismo durante a adolescência (desistiu por conta de lesões) e ciclismo. Mesmo depois de ter abandonado as pretensões de se tornar atleta profissional, continuou participando de eventos, como os 20km de Bruxelas e da Memorial Rik Clerckx, corrida em homenagem a seu pai realizada desde 1988 em Linkhout, seu local de nascimento. Na edição de 2012, Kris ficou na segunda posição.

A São Silvestre era a prova favorita de Henri Clerckx, que planejava retornar a São Paulo para competir pela terceira vez – também correu em 1961 e ficou na terceira posição. Um acidente de carro em 1967, no entanto, que o impediu de mexer uma das pernas pelo resto da vida o obrigou a encerrar a carreira. Mesmo aposentado, o belga queria visitar novamente a cidade de sua maior glória, ao lado da mulher, mas morreu aos 49 anos de idade, antes de concretizar o plano.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Em uma década dominada por corredores da Bélgica, fundista Henri Clerckx venceu a edição de 1963 da São Silvestre
“Espero encontrar muitas pessoas se divertindo durante a corrida. Praticar esporte nas ruas de uma grande cidade como São Paulo criará muita energia e também é um ótimo modo de visitar a cidade de um modo completamente diferente. A corrida, o esporte em geral, é muito mais do que apenas a competição, é também conhecer muitas pessoas e uma cultura rica e bonita”, defendeu o jornalista belga.

Henri Clerckx foi o segundo de três corredores belgas a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre. O primeiro título do país na prova veio com Lucien Theys, em 1950. Os outros com Gaston Roelants em 1964, 1965, 1967 e 1968.

Após a São Silvestre, Kris Clerckx permanecerá por mais alguns dias em São Paulo, onde celebrará o Réveillon, para dar continuidade ao projeto do documentário sobre cidadãos de seu país na cidade e também realizar pesquisas sobre o local.

A Bélgica integra o Grupo H da Copa do Mundo de 2014, ao lado de Argélia, Rússia e Coreia do Sul, e enfrentará a equipe asiática no Itaquerão, em 26 de junho. Apelidada de Diabos Vermelhos, a seleção belga, apontada como uma das mais promissoras do Mundial, escolheu Mogi das Cruzes, a aproximadamente 60km de São Paulo, como sua base durante a competição.

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