Atletismo/São Silvestre - ( - Atualizado )

Discípulo do tio, deficiente visual dá trabalho a guia e orgulha mãe

Bruno Grossi, especial para a GE.net São Paulo (SP)

A família Matricardi de Oliveira tem relação íntima com a Corrida Internacional de São Silvestre. O veterano José Antônio levou o sobrinho Mário Renato pela primeira vez à prova em 1989, mas ficou de fora da 89ª edição devido a problemas no joelho. A ausência, porém, não impediu que o discípulo participasse da SS novamente para encarar os desafios da deficiência visual.

“Eu corro para participar e estar juntos dos atletas. Me preparo no Parque das Bicicletas, lá no Ibirapuera. É cansativo, mas é muito bom estar aqui mais uma vez. Espero que possa correr por muitos e muitos anos ainda”, celebrou o atleta de 39 anos, que correrá acompanhado do guia Edmond Agopian e sob os olhares atentos e orgulhosos da mãe, Dona Bruna.

“A relação dele com a prova começou como brincadeira junto com meu irmão que era corredor de rua. É o sobrinho que virou corredor. O tio agora não corre mais, enquanto meu filho deixou de fazer por brincadeira, deixou de ser treininho e virou oficial, com guia acompanhando. Posso dizer que para ele é uma esperança, é a última corrida do ano depois de muitas provas”, contou a mãe de Mário.

A disposição do deficiente visual não move apenas os familiares, mas também dá trabalho para os guias. Mário disputa, no mínimo, uma prova por mês entre corridas de 10km e 15km, além de maratonas. O forte ritmo do atleta obriga seus guias, como Edmond Agopian, a ter rotina de atleta olímpico durante todo o ano.

“Já perdi o número de vezes que viemos à São Silvestre. Para correr você só precisa da rua e de vontade, até descalço vc pode correr. Meu treinador, quando falei que o Mário era ligeirinho, me mandou correr no Pico do Jaraguá (ponto mais alto de São Paulo). Ele manda os atletas olímpicos lá para ter desafios lá, como a Keila Costa, do salto. Não viemos aqui para falar: ‘Ó que bonita a São Silvestre’. Viemos para encerrar um ano cheio de provas”, sentenciou Agopian.

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