Futebol/Campeonato Brasileiro - ( )

Amigo de Adilson, Tristão mantém distância de boleiros e esconde time

Marcos Guedes e Luiz Ricardo Fini São Paulo (SP)

As partidas de tênis que Tristão Garcia tanto gosta de jogar, por vezes, têm Adilson Batista como parceiro. O matemático gaúcho é amigo do técnico, que o consulta com frequência e o encontra para bater um papo ou uma bolinha amarela em suas visitas ao Rio Grande do Sul.

Os dois se falaram algumas vezes neste ano, mas não conseguiram se ver na última passagem do treinador por Porto Alegre, um dia antes de o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul atender a Gazeta Esportiva em uma longa entrevista por telefone. Era uma jornada de muito trabalho na universidade.

Tristão com pontos corridos, Garcia se alegra com degola e Libertadores
Vaidoso, matemático dorme pouco para ser consultado sobre futebol

“Ele não me consultou com nenhuma pergunta do tipo: ‘Pego ou não pego?’. Mas sei que ele acompanha meu site. Se estiver vendo uma luzinha no fim do túnel, tenho certeza de que vai fazer uma simulação. Bota um resultado aqui, outro ali...”, sorriu o gaúcho.

Marcelo Sadio/Vasco
Adilson Batista consulta os números de Tristão na luta para salvar o Vasco do rebaixamento
O matemático disse ter recebido telefonemas de outro treinador, cujo nome escolhe não divulgar, mas prefere manter certa distância do mundo dos boleiros. “Falo com alguns outros, mas amigo é o Adilson. Ele é uma pessoa de que gosto muito. Mas é melhor não conhecer muito porque constrange, bota pressão no cara.”

Outra explicação para a distância não tem nada a ver com constrangimento. Tristão Garcia é um apaixonado por futebol, motivo pelo qual passa boa parte de seus dias fazendo cálculos de probabilidade do Campeonato Brasileiro, e não quer perder o encanto com uma proximidade maior.

“Evito entrar muito nos bastidores, embora acabe entrando de certa maneira. Porque acaba perdendo a graça. Vou te dizer uma frase que você pode escrever: a felicidade está na ignorância, não é no conhecimento”, afirmou o matemático, já um pouco desiludido por causa de seu domínio dos números.

“A formação técnica te prepara, entende? A única coisa chata é que tu sonha menos e enxerga mais, vê que o time morreu antes do que o torcedor enxerga. Tu não diz que ele morreu, mas tu está vendo. Isso que é chato. Essa graça tu perde. A felicidade está na ignorância”, repetiu.

A ignorância é também mencionada pelo matemático quando ele foge da pergunta sobre seu time do coração. Segundo ele, é “muito melhor não revelar porque as pessoas vão te julgar pelo clube, não pelo trabalho”, mas fique certo de que suas escolhas cromáticas não fogem do vermelho ou do azul.

Alexandre Lops/Divulgação/Internacional
Tristão não diz se é Inter ou Grêmio, mas ostenta sem pudor o seu orgulho de ser gaúcho
“Já viu gaúcho torcendo para carioca ou para paulista? O único lugar em que vocês (paulistas) não têm torcedor é aqui. O clube de maior torcida no Paraná é o Corinthians. No dia em que o gaúcho tiver um time que presta, vai ganhar do paulista, porque ele acredita. O paranaense quer ser paulista, é diferente.”

A empolgação com o Rio Grande fez até Tristão Garcia perder de vista os cálculos sobre rebaixamento à Série B e classificação à Copa Libertadores, sobre os quais vinha falando ardorosamente. Antes de matemático, colorado ou tricolor, ele é gaúcho, orgulhoso.

“Nós somos uns coitados, mas nos temos em alta conta. Não queremos ser paulistas. Engraçado, né? A gente fala, fala, fala, mas a indústria que cresce é a de São Paulo. Embora a gente tenha muita competência aqui, tem muita trava. Na Argentina, então, os caras estão em outro patamar, mas a produção é desse tamaninho. Observo as coisas. Acho que esse troço de cultura, formação, é só uma parte da coisa.”

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