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'Precursores' do Bom Senso, Afonsinho e Wladimir aprovam nova luta

Lucas Mariano e Tarcísio De Lucca, especial para a GE.net São Paulo (SP)

Após o passe livre de Afonsinho e a Democracia Corintiana de Sócrates, Casagrande, Wladimir e outros nomes, o futebol brasileiro volta para a politização com o Bom Senso FC. Contra a CBF, o movimento pede melhores condições de trabalho e mais profissionalização aos jogadores, totalmente unidos.

Em entrevista à GE.net, Afonsinho e Wladimir compararam as suas respectivas lutas com a atual e se animaram: depois de mais de 30 anos, eles voltaram a notar a crítica por trás do esporte mais popular do País.

“O Bom Senso busca, realmente, a melhoria do futebol, o engajamento e a participação dos atletas, fundamentais nesse processo. Porque eles sentem o que estão vivendo. Nada mais justo do que eles buscarem melhores condições de atuação”, defende Wladimir, um dos maiores ídolos do Corinthians.

Gazeta Press
Jogador que mais vestiu a camisa do Corinthians (805 vezes), "Wlad" acha que Democracia influenciou Bom Senso
No começo da década de 1980, o ex-lateral-esquerdo, ao lado de Sócrates, Casagrande e Zenon, liderou a Democracia Corintiana, que inovou a administração do clube de Parque São Jorge, dando mais poder e voz aos jogadores.

AFONSINHO E O PASSE LIVRE
Foto: Acervo/Gazeta Press

Afonsinho foi um dos jogadores mais politizados do Brasil. Tranquilo, ele lutava pelo que achava certo. Esta característica lhe rendeu vários prejuízos, dentre eles no Botafogo. Após recusar a se desfazer de barba, cabelo e bigode longos, sofreu represálias da diretoria alvinegra.

Aos poucos, Afonsinho, mesmo sendo um dos nomes mais técnicos do time carioca, foi sendo encostado. Impedido de jogar e de ser negociado, ele travou uma grande batalha judicial contra o clube de General Severiano, acabou vencendo e virou um marco no País.

Afonsinho, inclusive, participou da equipe do Santos na época de Pelé. No entanto, a produção irregular, os altos salários e "alguns probleminhas" fizeram com que sua passagem pela Vila Belmiro não durasse mais do que dez meses.

Já Afonsinho acha que o Bom Senso FC tem duas frentes: “A de tratar dessas prioridades pelo consenso, com organização, e a de trabalhar a humildade dos jogadores e outros interessados, de uma maneira geral. É fundamental”, explica, lembrando-se das dificuldades de mais de 40 anos atrás.

Em plena ditadura militar, o ex-meia, barrado pelo Botafogo, venceu uma batalha jurídica e se tornou o primeiro atleta a obter o passe livre. Mas, antigamente, o apoio era diferente. “Não havia uma ação coletiva. Hoje, vejo com simpatia e entusiasmo os acontecimentos e posicionamentos”, elogia.

Também formado em medicina, assim como Sócrates, Afonsinho só mudou o tom da serena voz para criticar José Maria Marin, presidente da CBF que participou do regime militar. O mandatário criticou os protestos do Bom Senso FC, que, de acordo com ele, estaria desrespeitando os torcedores nos estádios.

“Com esse tipo de alegação, ele se arrisca a cair no ridículo”, rebateu Afonsinho, discordando de Marin. Isto porque, durante os manifestos dos jogadores em campo, o público presente costuma aplaudi-los, entrando na mesma luta contra o arcaico calendário brasileiro, por exemplo.

“Eu vejo como natural, é uma forma que eles encontraram de chamar a atenção das autoridades futebolísticas numa tomada de consciência e de um diálogo mais justo”, opinou Wladimir, quando perguntado sobre os atos dos atletas se sentarem nos gramados antes do início dos jogos.

O ex-camisa 4 alvinegro, inclusive, tem um filho envolvido com o Bom Senso FC: o lateral-direito Gabriel, do Inter. “Ele está engajado também. Quer dizer, ele acompanhou nosso processo”, disse, vendo certa influência da Democracia Corintiana sobre o atual movimento.

Arte GE.Net
Bom Senso FC é prova de que ainda há resquícios de uma mobilidade por parte dos jogadores de futebol
Visibilidade

À frente da luta pelo passe livre e pela Democracia, Afonsinho e Wladimir tiveram mais visibilidade em relação a outros jogadores da época e até hoje são procurados para falar sobre atitudes e posturas tomadas no passado. O mesmo já começa acontecer com participantes do Bom Senso FC, que, enquanto lutam para melhorar o futebol, valorizam também a própria imagem.

Na mesma época em que os protestos começaram nos gramados brasileiros, por exemplo, o zagueiro Paulo André virou garoto-propaganda da Visa para promover um jogo de futebol e finanças pessoais. “É claro que, quando você defende uma posição, levanta uma bandeira, acaba sendo visado, mas não foi essa a nossa intenção e não deve ser a deles”, analisou Wladimir.

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