Futebol - ( )

Preparador de 1977 vê fim de jejum superior a título da Libertadores

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

Um dos pioneiros da preparação física no futebol brasileiro, José de Souza Teixeira participou da conquista corintiana no Campeonato Paulista de 1977, com Osvaldo Brandão no comando. Para o profissional, o final do jejum iniciado em 1954 é mais significativo que a Copa Libertadores alcançada pelo técnico Tite em 2012.

Teixeira lembra fiasco de astro na SS

“Desculpe, 1977 (foi mais importante)”, diz Teixeira, sem titubear. “Esse título foi uma abertura para conquistas maiores e tirou toda a enorme carga de pressão com a qual o Corinthians jogava naquele tempo”, acrescentou, lembrando que a estrutura da agremiação na época era modesta.

“O clube passou muitos anos sem um centro de treinamento. Depois do CT, por ‘coincidência’, foi campeão da Libertadores e do Mundial. Quando você tem um carro sofisticado, não pode levar em qualquer oficina. Em 1977, a gente não tinha nada de CT”, comparou o profissional, autor de livro sobre o final do jejum.

José de Souza Teixeira assumiu o cargo de técnico do Corinthians em 1978, na temporada seguinte ao sonhado final do jejum. Assim como Tite, precisou enfrentar as dificuldades de administrar o elenco pouco tempo depois de uma conquista marcante.

“Um dos grandes problemas do futebol é o título. É o direito adquirido que o jogador acha que tem. Se ele ganhou título, por que não pode fazer coisas fora de hora? Em 1977, percebi que meu time incorreria nesse erro. Então, achamos por bem dar passe livre a oito campeões paulistas e montamos uma equipe nova”, explicou.

Após a reformulação, o Corinthians, já sob o comando de Jorge Vieira, seria campeão paulista em 1979. Com mais de 100 jogos como técnico do clube, Teixeira viu a queda de rendimento do time dirigido por Tite durante o segundo semestre desta temporada, o que culminou com a dispensa do treinador.

Acervo/Gazeta Press
Então técnico do Corinthians, José de Souza Teixeira (à direita) conversa com jogadores Sócrates e Palhinha em 1979
“Quando sai um jogador taticamente importante e você não tem reposição, complica. O Jorge Henrique, por exemplo, voltava marcando até a linha de fundo. O Sheik fechava pelo lado direito e o Paulinho ficava no meio. O Corinthians perdeu o Jorge Henrique e o Paulinho, enquanto o Sheik parou de voltar. Assim, a estrutura tática foi rompida”, explicou.

Ganhador da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes, Tite entrou no rol dos mais importantes técnicos da história corintiana, do qual Osvaldo Brandão, campeão paulista em 1954 e 1977, já fazia parte. Elogioso ao falar de ambos, Teixeira espera ver o treinador dispensado recentemente alçar voos maiores.

“O Brandão ganhou dois títulos importantíssimos pelo Corinthians, mas não podemos esquecer que também foi campeão por Palmeiras, São Paulo, Independiente-ARG e ainda treinou a Seleção Brasileira. Futuramente, gostaria de ver o Tite em uma Seleção. Não podemos tirar os méritos dos dois”, disse.

Então com 22 anos, José de Souza Teixeira começou como preparador físico do técnico Vicente Feola no São Paulo, em 1958. Durante sua carreira, passou por 19 clubes, 14 no Brasil e cinco no exterior, além de 11 seleções. Atualmente, aos 78, ministra palestras e cursos.

Publicidade

Publicidade


Publicidade


Publicidade


Publicidade

Publicidade