Futebol/Mundial de Clubes - ( - Atualizado )

Prometendo equilíbrio, Mundial de Clubes terá início quarta-feira

Gazeta Press Belo Horizonte (MG)

O Mundial de Clubes da Fifa, que pela primeira vez será disputado no Marrocos, começa nesta quarta-feira e a expectativa é de um torneio mais equilibrado. Logicamente que Atlético-MG e Bayern de Munique são os principais favoritos ao título, inclusive com grandes chances de fazerem a decisão. Porém, dessa vez, os demais participantes não dão sinais de que serão apenas figurantes e buscam algo a mais.

Além dos favoritos supracitados, o torneio terá times experientes, como o Monterrey, do México, e o Al Ahly, do Egito, que a cada ano que passa parecem ganhar mais bagagem para endurecer os jogos. Isso sem falar no Guangzhou Evergrande, da China, que fez grandes investimentos em seu elenco. O país anfitrião ainda se fará representar pelo Raja Casablanca, que não pode ser considerado um time bobo.

“Acredito que estamos conseguindo melhorar a cada ano o nível da competição e isso já se refletiu em dois mil e dez, quando não tivemos na decisão um sul-americano. O nosso objetivo é tornar a competição ainda mais equilibrada e acredito realmente que o Marrocos possa acompanhar o melhor Mundial de Clubes de todos os tempos”, disse o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa.

O MUNDO ENTROU EM 2000

Entre 1960 e 1999 o Mundial de Clubes era disputado apenas entre representantes da Europa e da América do Sul. Até 1979 era um jogo na América do Sul e outro na Europa. A partir de 1980, como ganhou o patrocínio de uma fábrica japonesa de automóvel, o torneio passou a ser disputado em um único jogo no Japão, conhecido como Copa Toyota. Até então a Fifa não dava seu aval e não considerava a taça como oficial.

Diante disso, em 2000, a entidade máxima do futebol mundial decidiu organizar o torneio, dessa vez com a presença de todos os continentes e a sede inicial foi o Brasil. O Corinthians ficou com a taça após bater o Vasco numa final brasileira, mas os europeus, que já não curtiam o modelo anterior, passaram a boicotar a competição, que sofreu para conseguir uma segunda edição em 2005.

E foi em 2005 que a Fifa, colocando muito dinheiro para atrair os europeus, escolheu o Japão como sede para não criar maiores problemas com o antigo patrocinador e acabar com o modelo anterior. Assim, se considerou a dona do Mundial de Clubes, que passou a levar seu nome. Em troca, a entidade passou a considerar como oficial as conquistas desde 1960 e deu mais ânimo aos participantes.

BRASIL TEVE GRANDES MOMENTOS

O futebol brasileiro conquistou o Mundial de Clubes em dez ocasiões. Nas duas primeiras a taça chegou ao país por intermédio do esquedrão do Santos de Pelé, que em 1962 e 1963 superou Benfica e Milan, respectivamente, na final. Demoraram 18 anos para os brasileiros voltarem a ter um campeão mundial. Pelos pés de Zico e companhia que o Flamengo bateu o Liverpool na decisão daquele ano.

Dois anos mais tarde o Sul do Brasil comemorou mais do que o resto do país a conquista do Grêmio, liderado por Renato Gaúcho. O time gremista superou o Hamburgo, da Alemanha.

“A sensação de ganhar um Mundial de Clubes é enorme, pois mesmo sabendo que ganhamos pela camisa de um time, sabemos que a maior parte do Brasil torceu pela gente. Em 1983, acredito que apenas os torcedores do Internacional não vibraram com a conquista do Grêmio. Ainda mais pelo fato de os europeus nos olharem com o nariz em pé nesse tipo de decisão”, lembrou Renato Gaúcho.

O Mestre Telê Santana montou dois esquadrões, em 1992 e 1993, e encantou o futebol brasileiro e mundial. No primeiro ano superou o poderoso Barcelona e na temporada seguinte bateu o Milan.

No atual modelo de disputa, com a presença de todos os continentes, o Brasil é o grande ganhador de troféus. Em 2000, no Maracanã, o Corinthians superou o Vasco numa decisão brasileira. Em 2005 foi a vez do São Paulo de Rogério Ceni mandar o Liverpool chorando para a Inglaterra. Um ano depois, em 2006, o Internacional superou o poderoso Barcelona com 1 a 0, gol de Adriano Gabiru. Em 2010, o Internacional fracassou ao ser eliminado logo no primeiro jogo, diante do modesto Mazembe, de Congo. Já em 2011, o Santos de Neymar não resistiu ao Barcelona de Messi, sendo goleado impiedosamente por 4 a 0. A última vez que o Brasil conquistou o título foi no ano passado, quando o Coritnhians comandado pelo técnico Tite fez 1 a 0 no Chelsea, da Inglaterra, na decisão.

OS PARTICIPANTES

AL AHLY

O Al Ahly é um dos experientes times dessa edição. O representante do Egito já disputou o Mundial de Clubes quatro vezes: em 2005, 2006, 2008 e 2012. Em 2008 conseguiu o terceiro lugar. O clube é considerado um gigante da África, tendo conquistado nada menos do que 17 títulos continentais.

Campeão da Liga dos Campeões da África, tendo superado na final o Orlando Pirates, da África do Sul, o Al Ahly vem sofrendo com a crise do futebol egípcios, suspensos por conta da crise política vivida pelo país. O técnico Mohamed Youssef tem como principal destaque o veterano meia Mohamed Aboutrika.

RAJA CASABLANCA

O Raja Casablanca é o clube mais popular do Marrocos e chegou a este Mundial como representante do país anfitrião, já que é o atual campeão nacional. O time, porém, é uma incógnita, já que, por conta de problemas de relacionamento com a diretoria, o técnico Mohamed Fakhir foi demitido algumas semanas antes da competição interncontinental, o que desagradou ao elenco.

Quem assumiu o comando da equipe foi Faouzi Benzarti, que dirigiu a seleção da Líbia recentemente. O principal ídolo dos torcedores é o goleiro Yassine El Had. O Raja Casablanca participou apenas uma vez do Mundial de Clube, na primeira edição, em 2000, no Brasil, onde não passou da primeira fase.

AUCKLAND CITY

O Auckland City é sem dúvida o grande azarão deste Mundial de Clubes, já que tem uma equipe frágil e ainda amadora. O futebol na Nova Zelândia está longe de ser considerado profissional. Apesar disso o time já vai para sua quarta participação no torneio intercontinental, tendo tido a melhor participação em 2009, quando alcançou um surpreendente quinto lugar. Em 2006, 2011 e 2012 não conseguiu passar da primeira fase.

Para chegar a este Mundial o Auckland conquistou o título da Liga dos Campeões da Oceania, tendo superado na final o seu compatriota Waitakere. O técnico Ramon Tribulietx tem como principal destaque o artilheiro Roy Krishna.

GUANGZHOU EVERGRANDE

Para muitos especialistas, se existe um time capaz de impedir uma esperada decisão entre sul-americanos e europeus, esse time é o Guangzhou Evergrande. E olha que o representante da China participará do torneio pela primeira vez, graças ao fato de ter conquistado o título da Liga de Clubes da Ásia, batendo na decisão o Seul, da Coréia do Sul.

As apostas no Guangzhou Evergrande se devem ao fato de o clube ter sido assumido recentemente por um milionário grupo chinês, que decidiu investir em algumas contratações de imapcto. A começar pelo técnico italiano Marcello Lippi, que trouxe a experiência de quem já dirigiu gigantes do futebol europeu. Em campo o grande nome é o meia argentino Darío Conca, de saída para o Fluminense, mas que pretende fechar com chave de ouro a sua participação pelo time. Ao seu lado jogam dois velhos conhecidos da torcida brasileira: o meia Elkeson, ex-Botafogo, e o atacante Muriqui, ex-Vasco.

MONTERREY

O Monterrey chega pela terceira vez consecutiva ao Mundial de Clubes da Fifa e no ano passado conseguiu a sua melhor colocação, um terceiro lugar, que apagou a péssima campanha do ano anterior, quando estreou ficando apenas na quinta posição. O elenco, dirigido pelo técnico José Guadalupe Cruz, é muito envelhecido. Para se ter uma ideia da média de idade, os grandes destaques são veteranos como o lateral Walter Ayoví e os atacantes Humberto Suazo e César Delgado.

Para chegar a este Mundial de Clubes, o Monterrey participou de uma decisão épica contra o também mexicano Santos na Liga dos Campeões da Concacaf. Isso porque no jogo decisivo, após sair perdendo por 2 a 0, conquistou uma virada épica: 4 a 2.

BAYERN DE MUNIQUE

Apontado como favorito ao título, o Bayern de Munique chega a este Mundial de Clubes tentando provar que o time comandado pelo espanhol Josep Guardiola é tão confiável quanto o que Jupp Heynckes na temporada passada levou a Tríplice Coroa, ganhando o Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões da Europa, quando superou o rival Borussia Dortmund na final.

A base foi mantida em relação à temporada passada. Mais do que isso, foi reforçada, não apenas pela chegada de Guardiola, mas também pela aquisição do meia Mario Goetze, contratado justamente junto ao Borussia Dortmund.

Apesar do timaço, o Bayern corre sério risco de ser prejudicado por conta da perda de seus principais jogadores. O volante Bastian Schweinsteiger, que sofreu fratura na clavícula, e o atacante holandês Arjen Robben, com um corte profundo no joelho direito, foram cortados. O apoiador francês Franck Ribéry, com uma lesão na costela, foi inscrito, mas dificilmente vai reunir condições de jogar todo seu potencial. Assim, as pricnipais esperanças são os experientes identificados com o clube, como o goleiro Manuel Neuer, o lateral Philipp Lahm e o meia Thomas Müller.

ATLÉTICO-MG

O Galo Forte e Vingador é a esperança do Brasil de conquistar o 11º título da história do país no Mundial de Clubes da Fifa. O Atlético-MG conquistou de maneira inédita a Copa Libertadores deste ano apresentando um futebol envolvente e de qualidade, como é costume nos times dirigidos pelo técnico Cuca. Na final, porém, a conquista veio de maneira sofrida, nos pênaltis, contra o Olimpia, do Paraguai.

Agora, o Galo chega para este Mundial apostando em todo o trabalho que foi desempenhado até o momento. O clube possui um dos elencos mais fortes do Brasil. Em relação ao plantel que conquistou a Libertadores a única perda foi o meia Bernard, que se transferiu para o futebol da Ucrânia. O Galo agiu rapidamente e trouxe o meia Fernandinho, ex-São Paulo, para ser o substituto.

Mesmo se recuperando de uma lesão na perna direita, o meia Ronaldinho Gaúcho segue sendo a principal esperança atleticana. O Galo porém conta com outros jogadores capazes de desequilibrar, como os atacantes Diego Tardelli e Jô. Abaixo a lista completa de atletas que defenderão o time mineiro no torneio intercontinental:

Goleiros: Victor, Lee e Giovanni
Laterais: Marcos Rocha, Junior Cesar, Carlos Cesar, Lucas Cândido e Michel
Zagueiros: Leonardo Silva, Réver e Gilberto Silva
Meias: Pierre, Leandro Donizeti, Josué, Rosinei, Fernandinho e Ronaldinho Gaúcho
Atacantes: Diego Tardelli, Luan, Jô, Alecsandro, Guilherme e Neto Berola

RELAÇÃO DE CAMPEÕES

ANO CAMPEÃO VICE PLACARES
1960 Real Madrid (Espanha) Peñarol (Uruguai) 0-0; 5-1
1961 Peñarol (Uruguai) Benfica (Portugal) 0-1; 5-0; 2-1
1962 Santos (Brasil) Benfica (Portugal) 3-2; 5-2
1963 Santos (Brasil) Milan (Itália) 2-4; 4-2; 1-0
1964 Internazionale (Itália) Independiente (Argentina) 0-1; 2-0; 1-0 *
1965 Internazionale (Itália) Independiente (Argentina) 3-0; 0-0
1966 Peñarol (Uruguai) Real Madrid (Espanha) 2-0; 2-0
1967 Racing (Argentina) Celtic Glasgow (Escócia) 0-1; 2-1; 1-0
1968 Estudiantes (Argentina) Manchester United (Inglaterra) 1-0; 1-1
1969 Milan (Itália) Estudiantes (Argentina) 3-0; 1-2
1970 Feyenoord (Holanda) Estudiantes (Argentina) 2-2; 1-0
1971 Nacional (Uruguai) Panathinaikos (Grécia) 1-1; 2-1
1972 Ajax (Holanda) Independiente (Argentina) 1-1; 3-0
1973 Independiente (Argentina) Juventus (Itália) 1-0
1974 Atlético de Madrid (Espanha) Independiente (Argentina) 0-1; 2-0
1975 Não foi disputada
1976 Bayern de Munique (Alemanha) Cruzeiro (Brasil) 2-0; 0-0
1977 Boca Juniors (Argentina) Borussia Möenchengladbach (Alemanha) 2-2; 3-0
1978 Não foi disputada
1979 Olímpia (Paraguai) Malmöe (Suécia) 1-0; 2-0
1980 Nacional (Uruguai) Nottingham Forest (Inglaterra) 1-0
1981 Flamengo (Brasil) Liverpool (Inglaterra) 3-0
1982 Peñarol (Uruguai) Aston Villa (Inglaterra) 2-0
1983 Grêmio (Brasil) Hamburgo (Alemanha) 2-1 *
1984 Independiente (Argentina) Liverpool (Inglaterra) 1-0
1985 Juventus (Itália) Argentinos Juniors (Argentina) 2-2 (4-2) **
1986 River Plate (Argentina) Steaua Bucareste (Romênia) 1-0
1987 Porto (Portugal) Peñarol (Uruguai) 2-1 *
1988 Nacional (Uruguai) PSV Eindhoven (Holanda) 2-2 (7-6) **
1989 Milan (Itália) Atlético Nacional (Colômbia) 1-0 *
1990 Milan (Itália) Olímpia (Paraguai) 3-0
1991 Estrela Vermelha (Iugoslávia) Colo Colo (Chile) 3-0
1992 São Paulo (Brasil) Barcelona (Espanha) 2-1
1993 São Paulo (Brasil) Milan (Itália) 3-2
1994 Vélez Sarsfield (Argentina) Milan (Itália) 2-0
1995 Ajax (Holanda) Grêmio (Brasil) 0-0 (4-3) **
1996 Juventus (Itália) River Plate (Argentina) 1-0
1997 Borussia Dortmund (Alemanha) Cruzeiro (Brasil) 2-0
1998 Real Madrid (Espanha) Vasco (Brasil) 2-1
1999 Manchester United (Inglaterra) Palmeiras (Brasil) 1-0
2000 Boca Juniors (Argentina) Real Madrid (Espanha) 2-1
2000 Corinthians (Brasil)**** Vasco (Brasil) 0-0 (4-3) **
2001 Bayern de Munique (Alemanha) Boca Juniors (Argentina) 1-0 *
2002 Real Madrid (Espanha) Olímpia (Paraguai) 2-0
2003 Boca Juniors (Argentina) Milan (Itália) 1x1-(3x1) **
2004 Porto (Portugal) Once Caldas (Colômbia) 0-0 (8x7) **
2005 São Paulo (Brasil)**** Liverpool (Inglaterra 1-0
2006 Internacional (Brasil) Barcelona (Espanha) 1-0
2007 Milan (Itália) Boca Juniors (Argentina) 4-2
2008 Manchester United (Inglaterra) LDU (Equador) 1-0
2009 Barcelona (Espanha) Estudiantes (Argentina) 2-1
2010 Internazionale (Itália) Mazembe (Congo) 3-0
2011 Barcelona (Espanha) Santos (Brasil) 4-0
2012 Corinthians (Brasil) Chelsea (Inglaterra) 1-0

* Definido na prorrogação
** Definido nos pênaltis
*** Ano de início da disputa no Japão (Copa Toyota), com uma única partida final.
**** Mundial de Clubes da FIFA.

TÍTULOS POR CONTINENTE:
Europa: 26
América do Sul: 25

TÍTULOS POR PAÍS:
BRASIL: 10
ARGENTINA: 9
ITÁLIA: 9
URUGUAI: 6
ESPANHA: 6
HOLANDA: 3
ALEMANHA: 3
PORTUGAL: 2
INGLATERRA: 2
IUGOSLÁVIA: 1
PARAGUAI: 1

TÍTULOS POR EQUIPES:
MILAN: 4
SÃO PAULO: 3
BOCA JUNIORS: 3
REAL MADRID: 3
PEÑAROL: 3
NACIONAL: 3
INTER DE MILÃO: 3
SANTOS: 2
INDEPENDIENTE: 2
JUVENTUS: 2
AJAX: 2
BAYERN DE MUNIQUE: 2
PORTO: 2
MANCHESTER UNITED: 2
BARCELONA: 2
CORINTHIANS: 2
GRÊMIO: 1
FLAMENGO: 1
INTERNACIONAL 1
RIVER PLATE: 1
RACING: 1
VÉLEZ SARSFIELD: 1
ESTUDIANTES: 1
ATLÉTICO DE MADRID: 1
OLIMPIA: 1
FEYENOORD: 1
BORUSSIA DORTMUND: 1
ESTRELA VERMELHA: 1

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