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Incentivado por Maurren, panamenho reata parceria com Nélio por 2016

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

Sob o comando de Nélio Moura, Irving Saladino conquistou os maiores resultados de sua carreira. Cerca de quatro anos depois de interromper o trabalho ao lado do treinador, o panamenho, campeão olímpico do salto em distância nos Jogos de Pequim-2008, incentivado pela amiga Maurren Maggi, resolveu reatar a parceria pelo sonho de subir ao pódio no Rio de Janeiro-2016.

Saladino passou a treinar com Moura em São Paulo depois de Atenas-2004. Com o técnico brasileiro, ficou com a prata no Mundial Indoor de Moscou-2007, conquistou o ouro no Mundial de Osaka-2007 e, para completar, foi campeão olímpico em Pequim-2008. Cansado da rotina de treinamentos longe de seu país, o saltador resolveu retornar ao Panamá em 2010.

Sem Nélio Moura, Irving Saladino não conseguiu repetir os mesmos resultados. Ele passou por uma cirurgia no joelho no começo de 2012 e reencontrou o técnico brasileiro nos Jogos Sul-americanos de Cartagena-2013. Durante o evento disputado na Colômbia, o atleta manifestou o desejo de retomar a parceria vitoriosa, o que aconteceu em outubro do ano passado.

“Eu estava tendo um pouco de problemas no Panamá. Não conseguia treinar de um jeito bom. Meu pensamento foi voltar a São Paulo para trabalhar com o Nélio e ficar no ambiente das Olimpíadas. As dores da cirurgia no joelho já sumiram. Tenho apenas que competir e fazer o índice em casa, porque é isso que o Brasil significa para mim”, declarou Irving à Gazeta Esportiva.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Incentivado pela amiga Maurren Maggi, Irving Saladino retomou a parceria com o técnico Nélio Moura em São Paulo
Único panamenho com um ouro olímpico no currículo, Saladino é um ídolo nacional, a ponto de batizar a cidade esportiva da capital do país. Assediado intensamente pela imprensa de sua terra natal, o saltador pode trabalhar tranquilamente em São Paulo. Ele percorre a pé o caminho da residência até o Estádio Ícaro de Castro Mello e pouco sai de casa, já que prefere gastar o tempo vendo televisão e conectado à Internet.

“Aqui, consigo ficar mais concentrado no treinamento. A verdade é que estou me sentindo muito bem, como se fosse em 2006, 2007. Posso dizer que me sinto como um menino de 26 anos", disse o panamenho, sorrindo. "A minha meta é ficar entre os três primeiros nas Olimpíadas de 2016. É difícil dizer que vou ganhar o ouro novamente. Quero continuar trabalhando para chegar bem e brigar pelo pódio”, completou.

Independentemente de sua motivação, Saladino terá 33 anos na época dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016. Otimista, o panamenho não precisou procurar muito para encontrar uma inspiração, uma vez que Maurren Maggi, treinada por Nélio Moura desde a adolescência, conquistou o ouro em Pequim-2008 aos 32 e influenciou o amigo a voltar ao Brasil.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Com Nélio Moura, panamenho Irving Saladino foi campeão mundial em Osaka-2007 e olímpico em Pequim-2008
“Mesmo quando eu ainda estava no Panamá, a Maurren falava bastante comigo pelo Whatsapp. Dizia que estava com saudade e pedia o meu retorno. Ela fala que é minha fã e eu digo o mesmo a ela. A Maurren teve a ver com essa volta. Somos muito amigos. Brincamos bastante e às vezes até brigamos dentro da pista, mas sempre para tentar melhorar o treinamento”, contou Saladino.

Chamado carinhosamente de “careca” pelo pupilo panamenho, Nélio Moura compara o comportamento de Saladino desde que retornou ao Brasil com a sede de vitórias exibida pelo atleta em seu auge. Experiente, o técnico brasileiro também acredita na possibilidade de um novo pódio olímpico na competição de salto em distância do Rio de Janeiro-2016.

“O que estou gostando é que vejo o Irving tão determinado quanto naquela época. Pode parecer exagero, mas não é: ele cumpriu 100% das sessões de treino até agora. Desde outubro, não perdeu um dia de treinamento, mesmo quando esteve no Panamá para as festas de final de ano. Isso já é um diferencial. A decisão de voltar foi dele, não teve ninguém que ficou pressionando. Está realmente decidido a recuperar o nível que sempre teve”, disse.

IRVING ELOGIA PROMESSAS
Foto: Divulgação

Campeão olímpico e mundial, Irving Saladino trabalha ao lado de algumas promessas dos saltos horizontais sob o comando do técnico Nélio Moura. O panamenho citou os jovens Caio Cezar Fernandes (foto) e Kauam Kamal de forma elogiosa.

Caio conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude-2010, mas sofreu uma grave lesão no joelho em 2011 e ainda está em busca de ritmo. Já Kauam Kamal, nascido em São Carlos, é apadrinhado pela conterrânea Maurren Maggi.

“O Caio é bastante talentoso. Apesar da lesão séria que sofreu, está voltando e conseguindo saltar muito bem. Sempre procuro conversar com ele. No triplo, o Kauam é outro menino que tem futuro”, apostou Saladino, medalha de ouro nos Jogos de Pequim-2008.

Satisfeito, o técnico Nélio Moura vê o panamenho como modelo. “O Irving é um ídolo para os meninos. A garotada pode saber das histórias dele e ver que não saltou 8,73m apenas pela qualidade que tem, mas também pelo esforço”, disse o brasileiro.

Na final dos Jogos de Londres-2012, o britânico Greg Rutherford ganhou o ouro com 8,31m. Em 2013, o russo Aleksandr Menkov terminou como líder do ranking mundial ao fazer 8,56m, seguido pelo mexicano Luis Rivera, 8,46m. Diante deste cenário, Nélio Moura vê chances reais de Saladino voltar a fazer resultados expressivos – o panamenho é responsável pelo oitavo melhor salto da história, 8,73m, feito em 2008.

“A modalidade tem estado bem aberta nos últimos anos. O último grande duelo que vimos na prova foi entre o Irving e o Dwight Philipps, que já se aposentou. Hoje, raramente alguém faz 8,50m no circuito. Então, acho que ele tem plenas condições. Se voltar a saltar constantemente 8,40m, o que não é nada demais para um atleta desse nível, certamente vai ser um dos três melhores do mundo”, apostou.

No próximo sábado, Saladino disputará uma competição preparatória em São Paulo. No final de janeiro, o panamenho segue para a Rússia e participa de um evento indoor, no qual deve encontrar Aleksandr Menkov. Com índice de 8,16m, o Mundial Indoor de Sopot será realizado de 7 a 9 de março. Já os Jogos Sul-americanos de Santiago ocorrem de 7 a 18 de março.

“A competição indoor de Moscou vai ser o primeiro grande teste para a gente ver em que situação o Irving está efetivamente. Em função do desempenho nesse evento, vamos definir sobre o Mundial. Se acharmos que pode ser competitivo em Sopot, ele vai. Caso contrário, segue para o Sul-americano e continua treinando para a temporada ao ar livre, principalmente para a Liga de Diamante, que é a grande meta do ano”, explicou Moura.

Como agregado da embaixada do Panamá, Irving Saladino conta com apoio governamental para viver e treinar no Brasil. Perfeitamente adaptado ao País, o saltador, torcedor do Santos, ganhará a companhia da mulher e do filho a partir de fevereiro. Há duas semanas, ele teve a chance de treinar no Rio de Janeiro, cidade na qual espera reinar em 2016.

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