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Decepção com "barbados" faz Juvenal voltar a apostar em Cotia

Bruno Grossi* e Tossiro Neto Barueri (SP)

Juvenal Juvêncio não deixa passar uma oportunidade para exaltar as qualidades do Centro de Formação de Atletas Laudo Natel. O presidente são-paulino se orgulha da estrutura erguida em Cotia durante sua gestão e rasga elogios a cada geração formada no local, principalmente após uma temporada tão frustrante como a última.

"Sou mais abordado pelo exterior para tirarem os garotos do que sobre os barbados da Barra Funda. Antes, o europeu queria o jogador de 25 anos, casado, experiente. Hoje, eles querem esses garotos, baratos, criam do jeito que querem, ficam em um time por dois anos e voltam para o time que comprou. Aí podem ganhar dinheiro ou qualificar o elenco. O europeu quer isso aqui, não os velhos. Esses estão voltando", criticou o mandatário.

Desmotivado a fazer grandes contratações após o fracasso dos últimos medalhões, Juvenal pede que os torcedores assistam à Copa São Paulo de Juniores para conhecerem o futuro do Tricolor. "Cotia é uma dádiva divina, vocês vão ver esses moleques jogando este ano, é uma barbaridade. Temos muito talento e todos vão ver isso desta vez. O nosso futuro é brilhante. O nosso futuro é o presente", profetizou, antes mesmo da estreia contra os japoneses do Kashiwa Reysol pelo grupo W da Copinha -- o jogo terminou empatado em 1 a 1, frustrando os planos presidenciais.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O atacante Joanderson é um dos jovens mais promissores da atual geração sub-20 do São Paulo
Enquanto jovens como Gabriel Boschillia e Joanderson têm prestígio de sobra com o presidente, os veteranos seguem em baixa. Apesar de valorizar o trabalho feito para contratar Lúcio, Jadson, Paulo Henrique Ganso, Osvaldo e Luis Fabiano, Juvenal não deixa de criticar o desempenho abaixo do esperado das maiores estrelas do elenco tricolor. "Eu trouxe uns e não me dei bem. Os salários são altos, os hábitos são outros e você paga o preço da fama".

Entre todas as elucubrações sobre o potencial do São Paulo em revelar talentos, Juvenal Juvêncio também mostra consciência de que o resultado não pode ser creditado apenas ao clube: "Quem não nasceu para esse negócio, não adianta forçar. A gente não fabrica atleta. Temos um CT maravilhoso, mas ninguém aprende a jogar bola lá. É nato da pessoa, a gente só aprimora".

Juvenal parece ter mudado até mesmo a postura em relação à utilização dos garotos no time profissional. Antes crítico veemente dos técnicos que não apostaram na base, o presidente agora reconhece que é necessário esperar o momento certo para lançar os jovens, mas não deixa de lamentar pelo período de incertezas vivido pelos atletas na transição da base para o time de cima.

"Eles querem que os garotos encorpem mais, que fiquem mais robustos para os choques, eu entendo isso. Sei que demora um pouco para poder usar a competência deles. São mais frágeis? São, mas têm mais competência. É uma pena que fiquem à deriva, pois têm muita qualidade. Os técnicos não querem usá-los aos 18 anos, querem somente aos 20", opinou.

*especial para GE.net

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