Atletismo/Mundial Indoor de Sopot - ( )

Por Mundial e Rio, Duda foge de feijoada da mãe e se muda para SP

André Sender São Caetano do Sul (SP)

O saltador brasileiro Mauro Vinícius da Silva, o Duda, iniciou 2014 com uma mudança. De casa. Logo no primeiro mês do ano, o atleta deixou a cidade de São José do Rio Preto, em que vivia com a família, e passou a morar em São Paulo. Na metrópole, ele realizou sua preparação para o Mundial Indoor de Sopot-2014, em que defenderá a medalha de ouro conquistada em Istambul, e permanecerá até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016.

O convite para trocar de cidade veio da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que o estendeu ao técnico Aristides Junqueira, o Tide, e seu grupo de atletas, tentando melhorar a preparação dos brasileiros para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Com a pista em São José do Rio Preto em más condições, Duda optou por se mudar para um apartamento mobiliado na região do Ibirapuera já no começo do ano e realizar na maior cidade do Brasil sua preparação para o Mundial Indoor de atletismo de Sopot, de 7 a 9 de março.

“Ainda não fui no jogo do Corinthians. Cheguei agora e estou tranquilo até porque o Timão está em uma fase mais ou menos aí. Depois do Mundial terei tempo para fazer tudo”, contou Duda em entrevista à Gazeta Esportiva após seu último treino de salto, no ginásio da BM&F Bovespa, em São Caetano do Sul. Neste domingo, ele embarcou para Lisboa, onde realizará a parte final de sua preparação para o Mundial.

Medalha de ouro em Istambul-2012 no salto em distância, Duda competirá na Polônia tentando conquistar o bicampeonato, objetivo que ganhou ainda mais importância depois que o saltador ficou sem medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 (7º lugar) e o Mundial de atletismo de Moscou-2013 (5º).

Um dos aliados de Duda nessa busca é a rotina mais focada nos treinos em São Paulo do que tinha em São José do Rio Preto, onde nem sempre conseguia saltar os convites de churrascos com a família no final de semana e feijoadas na casa da mãe.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Duda fez parte de sua preparação para o Mundial de Sopot na área indoor do CT da BM&F Bovespa

Gazeta Esportiva.net: A mudança para São Paulo é definitiva ou é só uma fase de treinamentos?
Duda: 
Viemos para ficar, lá em São José do Rio Preto a pista não oferecia mais condições para a gente treinar bem. Eu não conseguia fazer lá alguns treinos que hoje faço com facilidade aqui e até um pouco mais. Tive lesões e umas dores, até essa que estou no joelho agora é por causa da pista de lá em que eu não estava conseguindo treinar.

Gazeta Esportiva: Qual o seu problema no joelho?
Duda:
É uma dor só. Não vou precisar operar, mas tenho que tomar cuidado para não agravar. Por isso tenho que usar uma proteção, mas isso faz parte da vida do saltador em distância e de triplo. Joelho de saltador é complicado.

Gazeta Esportiva: Você já tinha passado um período longo na sua nova cidade?
Duda:
O máximo que eu fiquei em São Paulo sem voltar para casa foi 20 dias, em uma época em que eu também fazia os 100m rasos. Então teve um camping de revezamento e nós ficamos por um período. Mas só agora estou sentindo como é ser um paulistano.

Gazeta Esportiva: E que tal?
Duda:
A gente precisa se adaptar em algumas coisas. A questão principal talvez seja o trânsito porque o resto é até legal. Onde estou morando é muito bom, mas o trânsito é um pouco complicado. Você precisa saber que tem que sair antes.

Gazeta Esportiva: A mudança para São Paulo já estava planejada para fazer a preparação para o Mundial?
Duda:
Não era a nossa programação. Tínhamos em mente ir a Moscou no meio de janeiro, mas de repente a CBAt viu que ficaria melhor aqui e veio a proposta para a gente vir, já treinar e ficar definitivamente depois do Mundial até os Jogos de 2016. As coisas mudaram, agora estamos aqui.

Gazeta Esportiva: Neste pouco tempo de treino em São Paulo, o que já mudou em relação à rotina em São José do Rio Preto?
Duda:
Agora está melhor, tenho um acompanhamento nutricional e isso está fazendo diferença. Estou levando uma vida mais focada, mais regrada. Não que eu não levasse, mas quando a gente está perto da família, come churrasco no fim de semana, feijoada quando a mamãe faz. Tem tudo isso, né. Aqui não. A gente está mais atento a isso porque pode fazer uma diferença grande lá na frente.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Saltador brasileiro mudou para São Paulo em busca de melhores condições de treino

Gazeta Esportiva: Você faz a parte final de sua preparação para o Mundial em Lisboa e tem uma competição em Birmingham antes de ir a Sopot. Acha que é o suficiente?
Duda:
Eu queria competir mais para melhorar, usar o clima de competição e aumentar minha marca como se fosse o Mundial, mesmo. Infelizmente minha empresária não conseguiu me confirmar em outras competições, mas vamos ver se até a próxima semana ela consegue algo mais.

Gazeta Esportiva: Nesta competição na Inglaterra você já deve enfrentar seus principais adversários na luta pelo ouro do Mundial?
Duda:
O Alexander Menkov (campeão do Mundial de Moscou-2013) parece que está confirmado, o Greg Rutherford (ouro em Londres-2012) é de lá. Tem um amigo nosso da Suécia, o Michel Tornéus, que falou que vai também. Então será bem forte.

Gazeta Esportiva: Você chega ao Mundial de Sopot para defender a medalha de ouro conquistada em Istambul-2012. Isso muda alguma coisa?
Duda:
É diferente, é diferente. É uma responsabilidade maior, você chega já visto, conhecido, com o título na bagagem. As pessoas até me perguntam “se você não for campeão, você perde também a medalha?” [risos]. Não, pô! É diferente de boxe, MMA, essas coisas. Minha medalha está em casa, guardada, mas é claro que posso acrescentar algo mais na minha carreira, que é um bicampeonato ou uma outra medalha.

Gazeta Esportiva: Depois do ouro no Mundial Indoor de Istambul, criou-se muita expectativa para seu desempenho em Londres-2012 e Moscou-2013, em que você acabou com a quinta e a sétima posições, respectivamente. Ficou aquém do que você esperava?
Duda:
Nas Olimpíadas poderia ter sido melhor porque na final saltei só 8,01m. Fiquei em sétimo, uma colocação razoável até, mas se tivesse saltado o que consegui em Moscou, por exemplo, ficava com a medalha de prata. No Mundial encaixei o salto, mas outros saltaram bem também, então não era a hora. Mas vamos trabalhar, não deixar a peteca cair porque uma hora a gente acerta e traz mais uma medalha.

Gazeta Esportiva: E não ter subido ao pódio em Londres-2012 e Moscou-2013 deixa o Mundial Indoor em Sopot mais importante?
Duda:
No Mundial de Istambul, saltei 8,23m, mas meu pé estava 24cm atrás da tábua. É um salto real de quase 8,50m. Capacidade a gente sabe que tem. É questão de fazer certo e chegar preparado à competição, isso é o mais importante.

Gazeta Esportiva: A Maurren Maggi falou que com você morando em São Paulo pode te ajudar mais. Como é a relação de vocês?
Duda:
A gente tem uma amizade legal. Eu conto com conselhos da Maurren em muitas competições como nos Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012. Estava lá em Pequim quando ela foi campeã olímpica, eu era novato, um aprendiz, mas estava lá. Isso a gente tem que estreitar agora porque ela é uma pessoa muito importante para o atletismo brasileiro e também uma amizade verdadeira.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Na Polônia, o paulista tenta defender o ouro conquistado no Mundial Indoor de atletismo de Istambul-2012

Gazeta Esportiva: A Maurren diminuiu o ritmo de treinos e competições neste começo de ano porque está sem patrocínio. Acha que ela ainda pode seguir saltando? O sonho dela é disputar os Jogos do Rio-2016.
Duda:
Não conversei com ela sobre isso, mas vendo as últimas reportagens acho que ainda pode porque está com gás para treinar. O treino é o mais difícil. Se ela ainda tem gás para treinar, vai conseguir competir ainda. Mas depende muito dela.

Gazeta Esportiva: Ela é treinada pelo Nélio Moura, que recentemente voltou a trabalhar com o panamenho Irving Saladino, ouro em Pequim-2008, por sugestão da própria Maurren. Ele é um adversário para o Mundial de Sopot?
Duda:
Sem dúvida um adversário muito forte. Se não me engano, ele ainda não tem o índice (de 8,16m) porque sofreu uma lesão no ano passado. Mas deve conseguir porque ainda tem muitas competições indoor. Ele saltou 8,10m outro dia aqui em São Paulo. E também é um amigo, um parceiro. Sempre conversamos em competições, ele tem até um jeitão brasileiro bem bacana. Quando não estou disputando diretamente, sempre torço para ele porque é um cara que merece.

Gazeta Esportiva: O Nélio Moura já defendeu que a prova hoje caiu de nível em comparação ao começo dos anos 2000. Você concorda?
Duda:
Estranhamente deu uma nivelada para baixo. Se você pegar a época em que o Irving foi campeão mundial (Osaka-2007), ele saltou 8,57m e o segundo lugar fez 8,47m. De 2008 para cá, ficou mais calmo, a prova parou ali no 8,30m, mais ou menos. Agora apareceu o Menkov que saltou 8,56m no Mundial. Esse ano desceu um pouco, mas ainda pode aumentar. Só que ele é o único hoje.

Gazeta Esportiva: Dá para explicar isso? É o caminho contrário a muitas provas que nos últimos anos tiveram sucessivas quebras de recordes.
Duda:
O salto é uma prova muito difícil. Quando você finaliza uma temporada bem, não significa que começará a seguinte bem também. O início de temporada é muito difícil, com lesões, e isso influencia muito na sequência de resultados do atleta. O Irving foi uma vítima disso. Precisou operar e agora está voltando bem.

Publicidade

Publicidade


Publicidade


Publicidade


Publicidade

Publicidade