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Decepcionado, Gobbi recorda cadeirada e avisa que vai até o fim no cargo

Marcos Guedes São Paulo (SP)

O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, mostrou-se bastante decepcionado com a insatisfação de parte da torcida. Ele disse não concordar com tanta cobrança, especialmente a feita violentamente no CT do Parque Ecológico no último sábado, mas recordou outros momentos de dificuldade, como uma agressão sofrida há quase cinco anos, para assegurar que não desistirá de seu cargo até a eleição de fevereiro de 2015.

“Fiquei sócio em 2000. Em 2002, virei conselheiro vitalício do Corinthians. Em 2004, comecei a ver que a gestão não era das melhores. A partir daí, formamos um grupo político que tirou o poder do seu Alberto (Dualib). Quando você toma uma atitude dessas, enfrenta essa situação, depois tem que ser homem. Se fui chamado para trabalhar, tenho que honrar meu compromisso, e esse compromisso termina no final do mandato”, afirmou.

Para mostrar sua força, o dirigente se lembrou de um período de muita pressão vivido em 2009, quando era diretor de futebol. Sua justificativa pelas vendas de André Santos, Cristian e Douglas gerou várias críticas pelo uso da palavra “cultura”, e ele chegou a ser atacado quando estava em um bar dentro da sede social do clube, no Parque São Jorge.

“Um torcedor da Camisa 12 me deu uma cadeirada no rosto. Apartei, acalmei todo o mundo, parou aquele zum-zum-zum. Voltei para minha mesa, tomei minha cerveja e fui embora. Falaram: ‘Mário, como você não chamou a polícia?’. Porque lá eu sou um dirigente e tenho que zelar pela paz. Se eu faço muvuca, transformo réu em vítima e vítima em réu. Tive o bom-senso de apaziguar, entendi que a pessoa não tinha consciência da conduta dela”, comentou o cartola, que é delegado.

Divulgação/Agência Corinthians
Depois de começar 2014 "com feridas", Gobbi espera terminá-lo "com alegria" (foto: Daniel Augusto Jr.)
É com paciência semelhante que ele, campeão da Copa Libertadores e do Mundial como presidente, pretende superar a decepção pelos protestos violentos. “Parece que os sete anos de glórias que o Corinthians teve agora, ganhando títulos importantes, especificamente nos últimos dois anos, não bastou. O Corinthians ganhou talvez os maiores títulos de sua história, sendo um time referência, e nem isso bastou para que essas pessoas, essa minoria de 200 que esteve aqui, enxergassem que o Corinthians está passando por uma reformulação.”

Gobbi argumentou que o time campeão do mundo em 2012 começou a ser montado em 2008, com remanescentes da equipe que disputou o Campeonato Brasileiro da Série B. “Vamos à luta”, afirmou, torcendo por um novo ciclo vitorioso, mas lamentando que a questão de sua segurança pessoal tenha sido revisitada com a invasão ao centro de treinamento alvinegro.

“Sabe o que parece? Que estou no Vietnã. Vou ter que me preocupar com segurança? O que fiz de errado? Todos nós cuidamos o Corinthians com amor, com carinho. Faz sete anos que o Corinthians vive de glórias. Se eu preciso de segurança... Talvez eu não deva ser o presidente do Corinthians. Se as coisas estão caminhando para uma situação dessas... Quem viver verá”, bradou.

Na sequência, porém, o presidente voltou a adotar o tom de força e assegurar que dirigirá a agremiação do Parque São Jorge da melhor maneira até o início do próximo ano. “Quando não me quiserem, será só decretar o meu impeachment. Enquanto tiver essa responsabilidade, vou cumprir. Você forma feridas dentro de si, é natural. Comecei o ano com feridas, espero terminar com alegria.”

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