Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Jogadores se solidarizam com Tinga; FMF e ministro exigem punição

São Paulo (SP)

Hostilizado por torcedores do Real Garcilaso em partida da Copa Libertadores na noite desta quarta-feira, disputada no Peru, o volante do Cruzeiro Tinga continua recebendo o apoio de autoridades e jogadores. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, telefonou nesta quinta-feira para o presidente da Conmebol, Eugenio Figueiredo Aguerra, e exigiu que a entidade máxima do futebol sul-americano tome “medidas enérgicas” para coibir e punir atos racistas.

“No ano em que o mundo inteiro se une para disseminar uma mensagem contra o preconceito durante a Copa do Mundo do Brasil, é inconcebível o comportamento que vimos em Huancayo (cidade onde foi disputada a partida entre Garcilaso e Cruzeiro). Tinga tem todo o nosso apoio na luta contra o racismo, que, esperamos, será combatido com firmeza pela Conmebol”, disse Rebelo.

Citando o artigo terceiro do estatuto da Fifa, a Federação Mineira de Futebol afirmou, em nota oficial, que exigirá “punição exemplar” à equipe peruana. “Não podemos admitir tal comportamento amador e criminoso dentro de uma competição continental, que envolve dez países”, diz um trecho do comunicado.

AFP
Torcida do Real Garcilaso imitava sons emitidos por macacos quando Tinga tocava na bola
Tinga também recebeu o apoio de outros jogadores de futebol. Neymar, por exemplo, compartilhou em seu Instagram a imagem divulgada pela CBF em apoio ao volante e contrária ao racismo. Astro do arquirrival Atlético-MG, Ronaldinho Gaúcho também se manifestou. “Muito triste pelo que aconteceu com meu parceiro @PauloCesarTinga na Libertadores. Incrível como isso ainda existe no futebol”, publicou Ronaldinho no Twitter.

Volante titular da seleção brasileira, Paulinho, do Tottenham-ING, definiu, também pelo Twitter, como “deprimente” o fato de “uma pessoa ser descriminada por sua cor da pele, ao invés de seu caráter”.

Figuras como o ex-jogador Ronaldo, os zagueiros Dante e David Luiz, os volante Fernandinho e Lucas Leiva, além do atacante Alexandre Pato, também expuseram seu apoio a Tinga por meio das redes sociais.

Abaixo, a íntegra da nota divulgada pela Federação Mineira de Futebol:

Infelizmente o que era para ser espetáculo aos poucos perdeu brilho e cor. Antes mesmo do início da partida, Real Garcilaso x Cruzeiro Esporte Clube, válida pela primeira rodada da Copa Libertadores 2014, o Clube Mineiro foi impedido de realizar o reconhecimento do gramado, sendo surpreendido por um apagão, um dia antes de sua estreia na Competição, e justamente no palco do jogo, o Estádio Huancayo.

Tal ato de indelicadeza se agravou no transcurso da estadia de nosso filiado na cidade de Huancayo, no Peru. No dia do jogo, na rodada de abertura da Competição que mobiliza toda a Conmebol, ao final do primeiro tempo, no vestiário da equipe visitante, não havia sequer água para os atletas, nem mesmo nas instalações hidráulicas que funcionavam normalmente antes do jogo.

Os gandulas, profissionais destacados para fazer a reposição de bolas durante os noventa minutos de partida, ficaram visivelmente apáticos após o segundo gol do Real Garcilaso, sem nenhuma orientação do árbitro venezuelano José Argote.

Como se não bastasse, após a entrada do jogador Tinga na etapa final, a torcida peruana em um ato criminoso, emitia sons de racismo e preconceito. É lamentável que em pleno século XXI fatos tão retrógrados ainda aconteçam. E nosso atleta seria por nós apoiado se resolvesse abandonar, juntamente com seus parceiros, o campo de jogo que de repente se transformou no retrato repugnante do retrocesso social.

Nesse contexto, vamos através da Confederação Brasileira de Futebol, da Confederação Sul-americana de Futebol e da FIFA, exigir uma punição exemplar ao time Peruano. Pois não podemos admitir tal comportamento amador e criminoso dentro de uma competição continental, que envolve dez países.

Tratamos a Copa Libertadores como um tesouro que nossos filiados desejam e se planejam para conquistar. Dentro do calendário Nacional, na maioria dos casos, a Libertadores é tratada com prioridade em detrimento de outros torneios não menos importantes em nosso contexto. Precisamos de um retorno mínimo de todos os envolvidos para que a essência do desporto não seja deixada de lado.

"A discriminação de qualquer tipo contra um país, um indivíduo ou um grupo de pessoas por origem ética, gênero, língua, religião, política ou qualquer outra razão está terminantemente proibida e será passível de punição por suspensão ou expulsão."

Assim diz o Artigo 3º do estatuto da FIFA, entidade máxima que comanda o futebol mundial. Aguardamos uma resposta.

Paulo Schettino
Presidente da Federação Mineira Futebol

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