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Livro retrata 201 clássicos do Brasil com histórias inusitadas

Vinicius Custódio, especial para GE.net São Paulo (SP)

O final de semana dos Estaduais apresenta jogos que prometem empolgar o público. A rivalidade estará presente principalmente nos três estados do Sudeste, região que concentra a maior atenção do esporte no País. Em São Paulo, o cardápio terá Corinthians e Palmeiras no estádio do Pacaembu. O charme do Rio de Janeiro será reforçado no domingo com o encontro entre Vasco e Flamengo, no Maracanã. Por fim, a hospitalidade mineira será realçada com o jogo Cruzeiro e Atlético-MG.

Os clássicos são os jogos que ocupam grande parte da memória dos torcedores. Aproveitando-se desta paixão, o colecionador e engenheiro elétrico José Renato Sátiro Santiago Junior, 43 anos, lança com a coautoria do advogado Marcelo Cavichio Unti, 39 anos, “Os Clássicos do Futebol Brasileiro”, uma obra que explica o surgimento de 201 rivalidades do futebol nacional.

“Tem clássicos de todos os estados do país”, orgulha-se José Renato, que aponta uma curiosidade do Corinthians sobre a forte ligação do adversário Palmeiras com a colônia italiana. “Poucas pessoas sabem, mas o Corinthians é o primeiro time com forte ascendência italiana”, diz o escritor em relação à origem dos operários que fundaram a equipe do Parque São Jorge em 1910 – o Timão ficou marcado, desde o início de suas atividades, como o clube do povo.

Divulgação
Livro retrata histórias de 201 clássicos do futebol brasileiro e será lançado no próximo mês.

O colecionador lembra que Palmeiras e Corinthians deixaram de lado a rivalidade em 1917 e formaram uma única equipe para enfrentar o Club Athletico Paulistano, na época o maior time da capital paulista. A ideia deu certo e o combinado venceu o embate por 2 a 0. Porém, a maior marca do clássico é o equilíbrio das equipes ao longo dos confrontos. Por isso o termo derby. O jornalista esportivo Tomás Mazzoni, ícone da história do jornal A Gazeta Esportiva, no início da década de 40, foi o primeiro a apelidar o confronto dessa maneira. Originalmente inglesa, a palavra era empregada para caracterizar a principal corrida de cavalos do país. Como não havia favoritos e os competidores tinham nível técnico parecido, a corrida era considerada um “derby”.

O pesquisador espera o confronto de domingo com imparcialidade. O que faz seu coração bater mais forte é a aproximação da data de lançamento de sua décima publicação. “Para concluir essa proposta escrevi, facilmente, cinco livros”, esclarece José Renato. A obra começou a ser planejada em 2011. Depois de três anos, o projeto independente teve um desfecho feliz. O livro será lançado dia 13 de março, em um bar temático na Zona Oeste de São Paulo. “Um não jornalista esportivo escrever um livro sobre futebol é um parto”, confessa o engenheiro, que ao lado de Marcelo Cavichio preparou 1000 exemplares do material. “Você encontrar a história que nunca foi contada é muito mais desafiadora”, comemora.

O pesquisador revela uma das histórias mais inusitadas registradas em seu livro. Trata-se do “Clássico das Cores”, disputado entre o Ferroviário Atlético Clube (de branco, vermelho e preto) e o Fortaleza Esporte Clube (de azul, vermelho e branco), em partida válida pelo Campeonato Cearense de 1948. O Ferroviário vencia por 3 a 1 até o fim do primeiro tempo. Na segunda etapa, o árbitro do jogo começou a beneficiar o Fortaleza, que empatou a partida. Indignados, os jogadores do Ferroviário cruzaram os braços e se recusaram a continuar o jogo.

O oficial de justiça, Sargento Apolinário, que fazia a segurança do estádio, afirmou prender os jogadores do Ferroviário caso a partida não fosse reiniciada. Os jogadores continuaram imóveis. Resultado: os 11 titulares do Ferroviário foram presos dentro do campo e levados para a delegacia ainda vestindo uniforme sob a acusação de se recusarem a jogar futebol. Sem adversário, o Fortaleza foi declarado campeão estadual daquele ano.


Os Clássicos do Futebol Brasileiro
Data: 13/03 – 19 horas
Rua Aspicuelta, 533 – Vila Madalena, São Paulo

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