Futebol/Campeonato Paulista - ( - Atualizado )

Sem entender greve, Emerson concorda com indignação dos torcedores

São Paulo (SP)

O atacante Emerson quebrou o silêncio dos jogadores do Corinthians após mais uma derrota no Campeonato Paulista, desta vez por 2 a 0 para o Bragantino, no Pacaembu. Enquanto muitos torcedores ironizavam a possibilidade de greve do elenco, o Sheik reconheceu que o time tem feito por merecer as cobranças desde a metade do ano passado.

“Perdemos, é...”, comentou Emerson, inicialmente pensativo. “Precisamos ter maturidade porque somos adultos. Não há mais crianças aqui. Está difícil. Devemos concordar com o torcedor, que, dependendo como for, tem todo o direito de reclamar. Desde o primeiro semestre do ano passado, o time não vem apresentando um futebol de alto nível como o das conquistas dos últimos anos”, admitiu.

Autor de dois dos gols mais importantes da história do Corinthians, sobre o argentino Boca Juniors na final da Copa Libertadores da América de 2012, Emerson atualmente é um dos jogadores mais cobrados pela torcida. Entre os organizados, a admiração pelo atacante ficou abalada desde que ele divulgou uma fotografia em que aparece dando um beijo na boca de um amigo.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Emerson entendeu a revolta da torcida, mas não a necessidade de uma greve contra a violência
Sem conseguir jogar um bom futebol para calar os mais críticos – nem ao menos para se firmar como titular –, Emerson virou um dos alvos principais das manifestações da torcida. Só não foi mais cobrado do que o astro Alexandre Pato, cedido por empréstimo ao São Paulo em negociação que envolveu a vinda do meia Jadson para o clube do Parque São Jorge.

Na noite desta quarta-feira, os torcedores não centralizaram as suas cobranças em um jogador específico. “Greve é o c...! Entra em campo e justifica o seu salário!”, berraram, nos minutos finais do tropeço contra o Bragantino. O desabafo era uma resposta aos jogadores que cogitaram não entrar em campo no Campeonato Paulista, para chamar a atenção para a violenta invasão do CT Joaquim Grava no sábado.

“Primeiro, é importante entender o porquê da greve”, comentou Emerson, que ainda não sabe bem a motivação de tal atitude. “A partir daí, a gente pode parar, ter uma reflexão e opinar. Particularmente, não sei os motivos da greve. Quero entender para, aí, me posicionar. Pode ser que existam motivos para que a greve um dia venha a acontecer”, divagou.

Apesar de não entender a hipotética greve, e sim a revolta da torcida, o Sheik não deixou de se incomodar com a violência dos torcedores que invadiram o CT. Mas não quis falar muito sobre o assunto, para respeitar o acordo que fez com os seus companheiros. “É... Então, o que aconteceu? Talvez eu comente meia hora aqui e ninguém vá entender. Combinamos de não dizer nada, então vou permanecer em silencio. Poderíamos passar horas e horas tentando explicar aquilo, e não conseguiríamos”, disse.

Não é só com a torcida corintiana que Emerson não quer se indispor. O atacante também não criou polêmica com Mano Menezes, que só o utilizou no segundo tempo do jogo com o Bragantino. O técnico preferiu escalar o setor ofensivo do Corinthians com o novato Zé Paulo, o antes desprestigiado Cachito Ramírez, Romarinho e Paolo Guerrero.

“A partir do momento em que a reserva não incomodar um atleta, ele precisa mudar de clube ou parar de jogar futebol. Mas temos um treinador competente, com nível de Seleção Brasileira, e companheiros que estão juntos há mais de três anos. É lógico que todo o mundo quer jogar, mas tenho um respeito absurdo por eles”, avisou o Sheik.

De fato, Emerson se mostra mais preocupado com o mau momento do Corinthians do que com a reserva. “Precisamos ter a grandeza de reconhecer que não está legal, que falta confiança. Todos sabem que isso só se resolve treinando, trabalhando. Só de vestir essa camisa já é uma grande motivação. O grupo é muito qualificado. Todo o mundo sabe jogar. Devemos encontrar uma forma e buscar confiança, aproveitamento que chegou um treinador novo. O caminho é trabalhar”, conscientizou-se.

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