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Julgamento de Pistorius começa; Testemunha revela gritos antes de tiros

Pretória (África do Sul)

Primeiro atleta paralímpico da história a ter disputado uma edição dos Jogos Olímpicos, em Londres-2012, o sul-africano Oscar Pistorius iniciou, nesta segunda-feira, a disputa mais importante de sua vida. Acusado de ter assassinado a sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, em fevereiro do ano passado, o sul-africano começou a ser julgado nesta manhã, em Pretória (África do Sul), e, logo nas declarações da primeira testemunha, já se complicou. Vizinha do atleta, Michelle Burger afirmou ter ouvido “gritos de congelar o sangue” de uma mulher, antes dos tiros disparados por Pistorius - o que desmente a versão dele.

O sul-africano alvejou a sua namorada em fevereiro do ano passado. Segundo Pistorius, ele acordou nas primeiras horas do dia dos namorados para pegar um ventilador, quando ouviu um barulho no banheiro. Sentindo-se inseguro por estar sem suas próteses, o velocista pegou a pistola 9mm que guardava na cabeceira da cama e atirou quatro vezes através da porta. Só depois disso ele percebeu que Reeva não estava na cama e poderia ter sido atingida por engano. Ele, então, colocou as próteses e chamou ajuda para carregar a modelo até a parte inferior da casa, onde ela morreu antes da chegada dos médicos.

De acordo com as afirmações de Michelle Burger, primeira testemunha do caso, porém, houve gritos de uma mulher antes do barulho de tiros, o que desmentiria a versão de Pistorius. “Pouco depois das três horas da manhã, eu acordei com os gritos. Ela gritava terrivelmente e pedia por socorro. Depois eu também escutei um homem pedir socorro. Ele gritou por ajuda três vezes. Eu peguei meu celular e liguei para a segurança. Foi muito traumático para mim. Eu escutei gritos de gelar o sangue. O medo na voz da mulher é difícil de explicar à Corte. Você só grita daquele jeito se sua vida está ameaçada”, afirmou a vizinha do sul-africano.

AFP
Um dos maiores atletas paralímpicos da história, Oscar Pistorius pode ser condenado à prisão perpétua

Ela também disse que houve uma pausa entre o primeiro e o segundo tiros. Algo que não ocorreu nos disparos seguintes. O advogado de defesa do paratleta, Barry Roux, pressionou a testemunha para que ela esclarecesse a cronologia dos fatos. “Foi uma noite confusa, porque eu estava dormindo e de repente eu estava acordada. Eu não notei durante quais tiros ela estava gritando. Mas eu posso testemunhar que escutei”, acrescentou Burger.

Durante todo o depoimento, Pistorius se manteve sentado, olhando apenas para o chão. Nesta segunda-feira, ele ainda encontrou June Steenkamp, mãe de Reeva, pela primeira vez após a tragédia. “Estou pronta para perdoá-lo, mas, antes, ele deve me olhar nos olhos e ver a dor e angústia que me afligem. Muitas pessoas, no meu lugar, gostariam de vê-lo morto ou punido de maneira exemplar. Mas acredito na fé e na justiça. Não há ódio ou vingança no meu coração”, disse June, em entrevista ao jornal Daily Mail, antes do julgamento.

O sul-africano ainda disse, sob juramento, ser inocente na frente de todo o tribunal. O início do julgamento atrasou aproximadamente 1h30, por causa de um problema na comunicação do tribunal, e deve durar mais alguns dias até o veredicto final. Caso seja considerado culpado, Oscar Pistorius, uma das figuras mais admiradas do esporte mundial, pode ser condenado a prisão perpétua.

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