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“Vivo do passado”, disse Travaglini cinco meses antes de morrer

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

O ex-técnico Mário Travaglini, falecido no último dia 20 de fevereiro, costumava comparecer ao Jantar dos Veteranos, evento organizado anualmente pelo Palmeiras. Exatos cinco meses antes de sua morte, ele concedeu entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva durante a festividade.

Aos 81 anos, Travaglini foi um dos primeiros a chegar à edição de 2013 do Jantar, realizada no dia 20 de setembro em alusão à Arrancada Heroica. Com sua tradicional boina e o zíper da jaqueta fechado até o pescoço, ele esperava pela abertura do salão de uma casa de eventos localizada na zona oeste da capital paulista.

Assim que a entrada dos convidados foi autorizada, enquanto funcionários ainda testavam o sistema de som, o ex-técnico instalou-se em uma das várias mesas circulares do local. Abordado pela reportagem, Travaglini aceitou conceder entrevista do lado de fora do salão, mas mostrou preocupação em retornar rapidamente para guardar o lugar.

“Sempre venho ao Jantar dos Veteranos. É uma forma de recordar o que vivemos e de reencontrar pessoas amigas. No momento, tenho uma filosofia: a gente vive do passado no presente. É o passado das nossas vidas que nos faz vislumbrar o futuro. Fico feliz por ver todos com saúde e paz. Espero participar outras vezes”, disse Travaglini, em entrevista que permanecia inédita.

Gazeta Press
O ex-técnico Mário Travaglini conversou com a Gazeta Esportiva exatos cinco meses antes de falecer em São Paulo
Campeão paulista de 1966 e da Taça Brasil de 1967 no comando do Palmeiras, ele encontrou no evento ex-jogadores como Dudu, Leivinha, Edu Bala, Alfredo Mostarda e Eurico. Entre os ícones do time que ficou conhecido como Academia de Futebol, Travaglini lamentou a troca intensa de clube por parte dos atletas atuais.

“O esporte mudou muito. Naquela época, os jogadores eram patrimônio do clube. Eram comprados ou criados nas divisões de base. Isso fazia com que os atletas passassem muito tempo no mesmo time. Hoje, é tudo momentâneo e, na verdade, os jogadores pertencem aos empresários”, apontou.

Em setembro do ano passado, o Palmeiras ainda lutava para assegurar seu retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. No Jantar dos Veteranos, Mário Travaglini elogiou o trabalho do técnico Gilson Kleina e do presidente Paulo Nobre, também presente ao evento.

“Tenho que cumprimentar e parabenizar o nosso querido presidente por manter um treinador de bom gabarito no comando do time. É um homem humilde, trabalhador e conhecedor do futebol. No aspecto administrativo, o Palmeiras também mudou completamente”, afirmou.

Após a entrevista, Travaglini retornou ao salão e encontrou seu lugar como o havia deixado. Praticamente sem a presença da imprensa – a Gazeta Esportiva foi o único veículo no evento -, ele pôde confraternizar com os amigos e, apesar de não sabê-lo, se despedir deles.

Devido a complicações respiratórias provenientes de um câncer, Travaglini faleceu no último dia 20 de fevereiro. Além da passagem pelo Palmeiras, clube que também defendeu como jogador, ele foi campeão com Vasco (Brasileiro-1974) e Fluminense (Carioca-1976). No período da Democracia Corinthiana, ganhou o Paulista-1982 e, pela Seleção, atuou como supervisor no Mundial-1978.

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