Motor/Fórmula 1 - ( - Atualizado )

Avisado de morte em treino, Fittipaldi cita flerte de Senna com a Indy

São Paulo (SP)

Bicampeão mundial de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi continuou a colecionar glórias no esporte depois de deixar a categoria. Ele migrou para o automobilismo norte-americano e venceu duas vezes as 500 Milhas de Indianápolis, além de ter conquistado o título de 1989, caminho que também poderia ter sido percorrido por Ayrton Senna.

Nesta semana, quando a morte de Senna completa 20 anos, a Gazeta Esportiva apresenta uma série de reportagens sobre a vida e a carreira do tricampeão mundial, morto em um acidente em 1º de maio de 1994 no Grande Prêmio de San Marino de Fórmula 1.  


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A segunda vitória de Fittipaldi em Indianápolis ocorreu em 1993, época em que ele tinha bastante contato com Senna. O plano do já veterano piloto era poder correr as 500 Milhas ao lado do amigo, mas a ideia foi vetada pela McLaren. Em dezembro de 1992, Senna chegou a testar com o carro da equipe Penske e impressionou o time.

“O Roger Penske ia trazer um terceiro carro para o Senna. Estávamos no auge de nossas carreiras. Fomos para os Estados Unidos, onde ele viu os testes e chegou a pilotar o carro. Em Phoenix, no circuito oval de uma milha, Roger Penske não deixou o Ayrton pilotar pois tinha medo de ele andar muito rápido e se machucar. Ia ser espetacular ter a oportunidade de correr com Nigel Mansell e Ayrton naquele ano”, disse o piloto.

Acervo/Gazeta Press
Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi tinham relação próxima apesar de correrem em categorias diferentes

Fittipaldi foi avisado da morte de seu amigo durante um treino da Fórmula Indy. Em 1º de maio de 1994, ele estava realizando um teste com o carro da Penske no circuito de Michigan. Depois de abastecer o tanque, o brasileiro deveria dar 28 voltas no autódromo e estranhou quando foi chamado aos boxes novamente pelo chefe da equipe depois de apenas 17 giros.

Inicialmente, o piloto brasileiro achou que o time tinha detectado algum problema em seu carro. Depois, estranhou ainda mais quando soube que estava sendo chamado para atender a uma ligação de sua esposa Teresa Fittipaldi.

“Nunca na minha história um chefe de equipe me chamou para atender o telefone durante um teste. Achei que era alguma tragédia da minha família, que algo pudesse ter acontecido com os meus filhos. Quando fiquei sabendo da morte do Ayrton, foi um choque”, explicou o veterano.

Na chegada do corpo de Senna ao Brasil, Emerson Fittipaldi foi um dos pilotos que carregaram o caixão do brasileiro no Cemitério do Morumbi antes do enterro. Outros grandes nomes do automobilismo como o rival Alain Prost, Gerhard Beger, Johnny Herbert, e o compatriota Rubens Barrichello, que sofreu forte acidente dois dias antes da morte do tricampeão, também participaram da homenagem.

“O acidente do Senna esfriou um pouco os fãs do automobilismo. Temos uma brecha de geração que precisamos reconquistar. É muito bacana poder lembrar todos os momentos com o Ayrton, o trabalho fantástico que ele fez na história do automobilismo brasileiro e mundial”, analisou Fittipaldi.

Além da amizade, os dois tinham em comum o histórico de triunfos pela McLaren. Depois de ser campeão do Mundial de Fórmula 1 com a Lotus em 1972, Emerson Fittipaldi acertou com a escuderia britânica em 74 e já em seu primeiro ano no time venceu o campeonato.

O Mundial de 74 foi o primeiro conquistado por um piloto da McLaren, que naquele ano também venceu o campeonato de Construtores de forma inédita. Fittipaldi deu início a um caminho de vitórias que contou com três importantes capítulos protagonizados por Ayrton Senna, campeão pelo time em 1988, 1990 e 1991. Pela equipe, o tricampeão mundial conquistou 36 de suas 41 vitórias na Fórmula 1.

“O limite que Senna andava, tanto dele, quanto do carro e da pista, era excepcional. Na minha opinião, ele foi o melhor”, resumiu Fittipaldi.

Gazeta Press
Emerson carregou o caixão de Senna no Cemitério do Morumbi ao lado de outros pilotos

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