Motor/Fórmula 1 - ( - Atualizado )

‘Herdeiro’ Bruno lembra de tio brincalhão e comprometido nas férias

André Sender e Bruno Ceccon São Paulo (SP)

Além do talento nas pistas, Ayrton Senna era conhecido na Fórmula 1 por trabalhar exaustivamente no acerto de seus carros. Essa dedicação podia ser vista até mesmo nos momentos de férias ao lado da família, em que ele tentava relaxar antes de iniciar a temporada, mas não deixava para trás a preocupação, recorda o sobrinho Bruno.

Nesta semana, quando a morte de Senna completa 20 anos, a Gazeta Esportiva apresenta uma série de reportagens sobre a vida e a carreira do tricampeão mundial, morto em um acidente em 1º de maio de 1994 no Grande Prêmio de San Marino de Fórmula 1.


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Um dos refúgios preferidos de Ayrton Senna era sua casa em Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro. Lá, aproveitava o tempo mergulhando, passeando de jet-ski e de lancha, e brincando com os familiares. Era nestas ocasiões que ele podia mostrar a faceta mais divertida de sua personalidade. Os sobrinhos também se beneficiavam dos encontros com o tio, que constantemente os presenteava com brinquedos importados. 

“Ele sempre era muito dedicado na carreira, mas nesse momento tirava o pé para justamente recarregar as baterias. Era muito divertido, ele ficava fazendo brincadeiras, tirando sarro. Gostava muito de estar com a família, se encontrar lá”, contou Bruno Senna, que seguiu a carreira do tio e teve breve passagem pela F-1.

Apesar de os dias em Angras dos Reis serem planejados para Ayrton descansar do agitado e estressante cotidiano da Fórmula 1, o piloto paulista não conseguia esquecer completamente de seus deveres. Frequentemente deixava os momentos de diversão para se comunicar com a equipe com a finalidade de analisar o desenvolvimento dos carros.

Segundo o sobrinho, isto pôde ser visto especialmente nas semanas que antecederam o Mundial de 1993. Na temporada anterior, a Williams quebrou a hegemonia da McLaren e dominou o campeonato com o inglês Nigel Mansell, campeão, e o italiano Ricardo Patrese, segundo colocado.

Acervo/Gazeta Press
Ayrton se diverte agitando a bandeira quadriculada para o sobrinho Bruno em competição de kart

Senna, apenas o quarto colocado no Mundial de 92, queria recuperar o terreno perdido para a equipe adversária, que promoveria o retorno de Alain Prost, seu maior rival, à categoria após um ano afastado. O francês conquistou o título daquele ano, seu quarto na carreira, deixando o brasileiro em segundo, e se aposentou definitivamente.

“Ao mesmo tempo ele estava com um lado da cabeça dele sempre ligado, negociando, resolvendo as coisas, tentando saber como a equipe estava desenvolvendo o carro. Principalmente naquele ano de 1993, na McLaren, estava sempre no telefone, resolvendo as coisas. Era bem interessante como ele tentava relaxar muito tempo, mas nunca desligava 100%”, afirmou o sobrinho.

A admiração pelo tio tricampeão do Mundial de Fórmula 1 fez com que Bruno também se tornasse piloto profissional. Depois de passagens pela Fórmula 3 e GP2, chegou à Fórmula 1 para correr em 2010 pela então recém-criada Hispania, pequena equipe espanhola.

No ano seguinte, Bruno Senna se tornou reserva da Lotus-Renault e teve nova chance quando a equipe demitiu o alemão Nick Heidfeld, que substituía o polonês Robert Kubica, vítima de um forte acidente em uma prova de rali antes do início do Mundial. Com o carro preto e dourado da equipe em que o tio venceu sua primeira corrida na Fórmula 1, ele disputou as últimas oito etapas da temporada e não conseguiu convencer o time a mantê-lo para o ano seguinte.

Sua temporada final na F-1 foi na Williams, equipe que Ayrton representava quando sofreu o acidente fatal no Grande Prêmio de San Marino de 1994. Em 2012, Bruno foi escolhido para ocupar o lugar de Rubens Barrichello no time britânico e marcou 31 dos 33 pontos de sua carreira. Ele encerrou o campeonato em 16º, superado por seu companheiro Pastor Maldonado e acabou substituído no ano seguinte pelo finlandês Valtteri Bottas, que ainda segue na escuderia e é atual companheiro de Felipe Massa.

“Cada piloto tem uma dinâmica diferente. É difícil dizer que guio no estilo dele. Cada um pilota do seu jeito. Mas você assiste às corridas do Ayrton e se sempre se fascina”, afirmou Bruno. Depois de deixar a Williams, ele disputou o Campeonato Mundial de Endurance e atualmente trabalha como comentarista da F-1 na emissora britânica Sky Sports

Fernando Dantas/Gazeta Press
Já crescido, Bruno seguiu carreira do tio na Fórmula 1, mas ficou longe de ter o mesmo brilho

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