Futebol/Campeonato Brasileiro - ( - Atualizado )

Aidar chama de "patética" fala de Nobre e vê Palmeiras se apequenar

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Um dia depois de ter sido chamado de antiético por ter tirado Alan Kardec do Palmeiras, Carlos Miguel Aidar, mandatário do São Paulo, respondeu na manhã desta terça-feira ao presidente do clube rival. Antes de ler um discurso preparado na noite anterior, ele puxou de uma sacola de papel quatro cachos de banana - que, ao provar mais tarde, percebeu estar verde.

"Isso aqui não é enfeite, acabei de comprar. Estou muito triste com essa discriminação toda, e o São Paulo quer se associar a essas manifestações contrárias ao racismo dentro do futebol", justificou, referindo-se à onda de apoio que se seguiu ao gesto do brasileiro Daniel Alves, lateral direito do Barcelona, de comer uma banana atirada no gramado, no fim de semana.

Em seguida, já sentado, Aidar sacou um papel do paletó e passou a rebater Nobre. "Queria dizer que a manifestação do presidente Paulo Nobre chega a ser patética, demonstra infelizmente o atual tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras, que, ano após ano, se apequena com manifestações desta natureza", disse, ao lado do vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Presidente do São Paulo descascou e comeu uma banana (verde, segundo ele) logo depois de seu pronunciamento
"O São Paulo, há algumas temporadas, perdeu vários atletas. O Dagoberto, o Oscar... O Cafu e o Antônio Carlos, através do Brunoro (José Carlos Brunoro, atual diretor executivo do Palmeiras e dirigente do clube também na década de 1990), que os tirou do São Paulo fazendo uma ponte com o Juventude. Todos eles assinaram pré-contrato com os demais clubes. Foram embora, e o São Paulo não ficou chorando. Faz parte da regra do jogo. O São Paulo agiu absolutamente dentro da legislação esportiva", falou.

Na sequência, Aidar disse que o São Paulo enviou uma proposta de 4,5 milhões de euros (quase R$ 14 milhões) ao Benfica apenas no último sábado, assim que soube que os representantes de Kardec estavam dispostos a ouvir outros clubes interessados. Mas jurou que, com o atacante, não há nada certo ainda. A oferta a ele teria sido feita somente na tarde de segunda-feira, depois de Nobre declarar que ele não era mais jogador do Palmeiras e criticar Aidar. "Uma coletiva extremamente juvenil, pueril mesmo", opinou o são-paulino, antes de voltar a rebater.

"Onde está a falta de ética em fazer proposta a atleta que não renova com determinado clube? Onde está a falta de ética ao fazer proposta ao detentor do vínculo, que é o Benfica, se a Sociedade Esportiva Palmeiras reconhece que não acertou com atleta? E, mais do que isso, se haviam feito determinada oferta e o próprio presidente resolver reduzir esse valor, o que gerou o desconforto total que abriu a porta para que nós entrássemos? Ele ainda não é nosso, mas será. O treinador Muricy já disse que quer ter esse atleta no elenco", acrescentou.

"O caminho do choro é o caminho mais fácil para se justificar com a torcida. Isso é choro. Choro não cabe no futebol. Vamos lutar para segurar todos os nosso atletas, mas estamos sujeitos que amanhã um clube faça a mesma coisa, venha e tire um jogador nosso. Não vamos convocar coletiva para explicar o que é normal no futebol. Não houve quebra de ética em hipótese alguma, Dito isso, o choro é livre. Chore quem quiser, muito obrigado", concluiu, descascando a primeira banana.

O contrato de empréstimo de Kardec com o Palmeiras se encerraria em 30 de junho, mas será rescindido. De qualquer forma, caso consiga efetivar a contratação, o São Paulo só poderá ter o atacante oficialmente em julho, quando nova janela de transferências internacionais for aberta. O clube espera ainda nesta terça-feira um sim do jogador, através de seus agentes.

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