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Em 2000, Evair deixou Palmeiras e buscou valorização no São Paulo

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Duas ou três conversas com a diretoria do São Paulo, em janeiro de 2000, bastaram para Evair se convencer de que não seria um problema trabalhar lá depois de ter passado o ano anterior todo do outro lado do muro, na Academia de Futebol. O atacante se acertou rapidamente com o time rival por encontrar nele a valorização que alegava lhe faltar no Palmeiras, clube do qual era ídolo e o maior artilheiro da década, com 124 gols.

Não se tratava de uma valorização financeira - embora, aos 34 anos, tenha pedido a outros interessados, como a Portuguesa, R$ 100 mil de salário e contrato de uma temporada. O que ele queria - e Luiz Felipe Scolari não oferecia - era mais tempo em campo. O estopim foi ter entrado apenas no segundo tempo da derrota para o Manchester United, na final do Mundial Interclubes, em dezembro de 1999. Ao final do jogo no Japão, avisou que aquela tinha sido sua última atuação.

"Alguns não entenderam a importância desta partida para um jogador que deu sua vida ao Palmeiras", disse, ainda em Tóquio. Quando retornou ao Brasil, fez alguns treinos separadamente até ser avisado de que não estava relacionado para a semifinal da Copa Mercosul, contra o argentino San Lorenzo. Imediatamente, procurou a diretoria e definiu sua rescisão de contrato, válido até o final daquele ano. "É claro que tenho culpa na saída do Evair. Sou o técnico e entendi que poderia prescindir dele no time que jogou em Tóquio. O problema dele foi com a escalação", reconheceu Felipão.

Acervo/Gazeta Press
Atacante vestiu a camisa do São Paulo há 14 anos, depois de sua segunda passagem pelo Palmeiras
A ida de Evair para o São Paulo, como também a de Kardec - ainda não oficializada, mas dada como certa nesta segunda-feira pelo presidente do Palmeiras, Paulo Nobre -, não é algo comum na história. Depois do último grande camisa 9 do clube no século passado, apenas cinco fizeram esse caminho: o atacante Marcelo Ramos (em 2000), o lateral direito Leonardo Moura (2003), o atacante Itamar (2003), o lateral esquerdo Lúcio (em troca com o atacante Roger, em 2006) e o lateral direito Ilsinho (em 2006, naquela que, até agora, era a mais polêmica mudança). Ao todo, 24 jogadores tomaram igual decisão.

O caso de Kardec é um pouco diferente do final da história de Evair no Palmeiras. No auge da carreira, o goleador atual queria estender seu vínculo, que se encerraria em 30 de junho, e tinha vaga cativa na equipe do técnico Gilson Kleina. Só não jogou no último sábado, contra o Fluminense, porque alegou gastrite, em meio à negociação até então não confirmada com o São Paulo. Mas ele queria ficar apenas se tivesse um reajuste salarial depois de ter ajudado o clube a voltar à primeira divisão nacional. Só que a economia e a demora de Nobre cansaram o atacante, que acabou seduzido pelas conversas da diretoria rival.

Para ser oficializada, a transferência de Kardec para o Morumbi depende da aceitação da proposta enviada ao Benfica, clube português que detém os direitos econômicos do jogador de 26 anos. Condição que deve ser cumprida ainda nesta semana. A estreia oficial do atacante com a camisa tricolor, no entanto, só poderia se dar depois da Copa do Mundo, na abertura de nova janela de transações internacionais, uma vez que o negócio terá um clube europeu como parte interessada. Nesse intervalo, porém, o São Paulo pode excursionar e fazer amistosos pelos Estados Unidos.

A estreia de Evair também foi em um torneio amistoso. Em 15 de janeiro de 2000, ele debutou diante do Avaí, em duelo válido pela Taça Constantino Cury. O São Paulo venceu o time catarinense por 3 a 2, no Morumbi, mas ele desperdiçou um pênalti, algo que fez poucas vezes em toda a carreira. Ele lutaria contra lesões e a titularidade de Raí, atuaria somente em 31 jogos e faria nove gols antes de voltar a reclamar de receber poucas oportunidades do treinador (de Levir Culpi, curiosamente amigo de Felipão), encerrando sua passagem um semestre antes do previsto.

Kardec, se de fato for oficializado como são-paulino, terá como principal desafio a concorrência de Luis Fabiano e Alexandre Pato. Além, claro, de não apagar a boa imagem construída junto à torcida do Palmeiras de 2013 para cá. Ilsinho, último a pular o muro, não fez questão disso. Logo na entrevista de apresentação, após não receber o que queria para renovar contrato no rival, disse que tinha pulado do Titanic, em alusão ao famoso navio transatlântico que naufragou no Oceano Atlântico, em 1912. O lateral direito, jamais ídolo alviverde, ao menos foi bicampeão brasileiro pelo São Paulo.

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