Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

No 20º aniversário da morte de Dener, Lusa faz homenagem

São Paulo (SP)

A Portuguesa utilizou seu site oficial para homenagear Dener, seu maior ídolo recente em que se completam 20 anos da morte do ex-camisa 10 rubro-verde.

Em um texto carregado de emoção, a Lusa relembra o maior momento do jogador com a camisa do time, quando anotou um gol de placa contra a Inter de Limeira, pelo Campeonato Paulista de 1991.

Além disso, os lusitanos usam depoimentos de vários ex-companheiros ou treinadores para corroborar a tese de que ele foi um dos maiores jogadores de toda a história, sem o devido reconhecimento. Pepe e Edinho estão entre os citados.

Dener despontou como craque na própria Portuguesa, em 1990, quando conquistou a Taça São Paulo de Futebol Júnior, sendo o líder de uma grande equipe.

Jogou até 1993 no time principal da Lusa e depois defendeu as cores do Grêmio e do Vasco, seu último clube. Defendia o cruzmaltino, quando, em 1994, um acidente de carro lhe tirou a vida de forma prematura.

Acervo/Gazeta Press
Dener despontou com a camisa da Portuguesa em 1990, conquistando a Copa São Paulo de Futebol Júnior
Confira o texto na íntegra:

Dener, o supercraque da camisa 10

Naquela noite fria de quarta-feira do outono paulistano, o placar apontava um empate insosso sem gols entre Portuguesa e Internacional de Limeira, pela segunda rodada da segunda fase do Campeonato Paulista de 1991, quando, já perto do final do jogo o time do interior teve um escanteio pela direita do campo de ataque, para o lado do gol dos vestiários do Canindé. O tiro de canto, mal batido, foi interceptado por Wladimir. Nilson, o centroavante do time, ajeitou a bola para Dener, que vinha em velocidade na altura do grande círculo do meio-de-campo.

Como um bólido, partiu com a bola dominada e foi superando os adversários, um por um: primeiro Ivan, driblado em velocidade, na passada; depois, um drible da vaca em cima do zagueiro Lica. Denis, lateral-esquerdo, veio babando para aplicar uma tesoura, mas o arisco camisa 10 luso nem tomou conhecimento, para, da marca do pênalti, apenas tirar, com um toque sutil do lado direito, o goleiro, que tentava em vão fechar o ângulo. Na mesma noite, todos os telejornais (em 1991 a internet não era acessível como hoje) davam destaque ao gol de placa marcado no Canindé pelo menino que, menos de um ano antes, encantara (vestindo a mesma camisa oito que foi imortalizada por Enéas) o país na histórica conquista da Taça São Paulo de Futebol Júnior.

Dener era assim: criava oportunidades de gol do nada, em jogos em que parecia que não aconteceria mais nada. Ele foi um dos últimos gênios do futebol brasileiro. “Meia à moda antiga, criava chances de gol a partir do nada”, constatou o guia do Campeonato Brasileiro de 1993, da revista Placar. “O melhor do mundo. Morreu antes do reconhecimento”, disse certa vez Edinho, ex-goleiro do Santos e um dos grandes amigos do genial jogador, com a autoridade de quem é filho do Rei Pelé. Dos inúmeros sucessores do Rei, foi o que mais mereceu tal alcunha. Como se não bastasse, Pepe, que jogou com Pelé na Seleção e no Santos e foi técnico do craque luso, decreta em entrevista ao site Globoesporte.com: “Foi um dos cinco melhores atacantes que eu vi, e olha que eu vi Pelé, Eusébio, Puskas… Dener está neste rol”.

Vestindo a camisa dez da Portuguesa, Dener brilhou intensamente. Como craque que foi, esteve acima de qualquer rivalidade, pois até os adversários renderam-se diante do seu imensurável talento. Quando ele se foi, seu nome ecoou por todos os estádios do país do futebol, não importando quais times estivessem em campo. Acima do bem e do mal, no coração e na saudade de todos, naquele momento, estava o nome de Dener.

Quando morreu, naquela estúpida madrugada de 19 de abril de 1994, Dener estava no banco do carona do seu Pássaro Branco, que era como ele chamava o seu Mitsubishi Eclipse branco, de placa DNR-1010. No momento em que Oto Gomes de Miranda, que conduzia o carro, colidiu numa árvore na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, Dener dormia. Se estivesse acordado, certamente teria dado um drible na morte.

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