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Sem Kardec, Nobre não muda a sua política de contenção de gastos

Helder Júnior São Paulo (SP)

O fracasso na negociação para manter Alan Kardec no Palmeiras não fará o presidente Paulo Nobre modificar a sua política de contenção de gastos. Mesmo após pechinchar pelo atacante e pagar o preço de perdê-lo para o São Paulo, o mandatário adotará a mesma postura em futuras negociações com jogadores.

“Não brincar com o dinheiro do Palmeiras foi um compromisso da minha campanha. Quero um clube responsável e forte financeiramente. Essa é a minha obrigação. Então, em todas as negociações que envolverem muito dinheiro, brigaremos por cada real. E aqui não existe a política de passar a perna em ninguém”, disse Nobre, revoltado com a postura do São Paulo.

O interesse do rival por Kardec teria feito o presidente palmeirense perder muitos reais da sua briga constante por economia. Nobre encontrou um investidor disposto a igualar os € 4,5 milhões (quase R$ 14 milhões) que o São Paulo pagará ao Benfica por Alan Kardec – o clube português emprestou o atacante ao Palmeiras até 30 de junho. E iria se esforçar para também equiparar a proposta salarial.

“Não tive a oportunidade de cobrir a oferta. Da mesma maneira que fui buscar € 4 milhões que oferecemos ao Benfica, tentaria chegar ao valor pretendido. Mas o pai do Alan Kardec falou que havia dado a palavra dele para o São Paulo e que não voltaria atrás”, lamentou Nobre.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O econômico Paulo Nobre conta cada real investido no departamento de futebol do Palmeiras
Antes de o São Paulo aparecer, o pai de Alan Kardec esteve próximo de chegar a um acordo salarial com o Palmeiras. Nobre, no entanto, discordou de um acerto feito pelo diretor executivo José Carlos Brunoro e queria pagar R$ 20 mil a menos mensalmente ao jogador, que se irritou com a atitude.

“O problema é que o atleta ganha um salário fixo, um variável e as luvas. Eu não podia deixar esse todo estourar. O Palmeiras ainda subiu a sua proposta umas quatro ou cinco vezes. Eles diminuíram uma vez, e ficamos próximos de fechar. Tinha certeza de que fecharíamos. Infelizmente, não deu certo”, lastimou de novo.

Tentando se reanimar, Paulo Nobre ainda defendeu os contratos por produtividade do Palmeiras (que fazem o clube economizar, mas se tornar menos atrativo para os jogadores) e lembrou que Kardec estava no ostracismo no Benfica antes de chegar ao clube. Por isso, considera possível descobrir outro grande jogador sem investir tanto.

“O Palmeiras está nessa situação porque administrações anteriores não tiveram a mesma responsabilidade. Contabilmente, o clube ainda deu prejuízo no ano passado, mesmo com toda a nossa austeridade financeira. A nossa dívida é grande, mas administrável, desde que não pratiquemos políticas de aumentar o rombo”, comentou Nobre.

Em temporada de centenário, o presidente garantiu não temer se tornar impopular com a sua contenção de gastos. “A saída do Kardec me deixou muito chateado como torcedor e como presidente. Mas não posso me pautar por atitudes para ser enaltecido pela torcida. Tenho a obrigação de defender os interesses do Palmeiras. Se eu ficar manchado por causa disso, sem problemas”, concluiu.

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