Futebol/Campeonato Brasileiro - ( )

Vitorioso em 00 acredita na Portuguesa e prevê Brasileirão ‘melado’

Yan Resende, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

A batalha judicial entre Portuguesa e CBF na Justiça comum ainda pode render tristes capítulos para o futebol nacional. Diante de uma guerra de liminares, as duas partes esperam o processo ser analisado pelo tribunal e um parecer favorável ao clube do Canindé, mesmo depois de muito tempo, deve gerar grandes transtornos na Série A e na Série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com Flávio Raupp, ex-diretor do Gama que já viveu experiência semelhante há 14 anos, os resultados das equipes envolvidas no caso devem ser anulados diante de um triunfo rubro-verde.

O representante candango se baseia no Estatuto do Torcedor, o qual também ajudou a escrever e foi o responsável pela implementação da parte relacionada às ‘viradas de mesa’ no tribunal. O quarto parágrafo do artigo 10 afirma que “serão desconsideradas as partidas disputadas pela entidade de prática desportiva que não tenham atendido ao critério técnico previamente definido, inclusive para efeito de pontuação na competição”. Sendo assim, uma decisão favorável à Lusa indica que o clube do Canindé não estaria apto a entrar em campo pela Série B.

“Se depois de algum tempo for julgado o mérito de que a Portuguesa tinha razão, por lei, cai os pontos das equipes envolvidas nos campeonatos que já começaram. Mesmo que a CBF ganhe essa guerra de liminares, o campeonato fica sob insegurança jurídica. Podem ser anulados os jogos dessas equipes. Agora, recentemente, a Justiça Federal decidiu que o Sport é campeão de 87. Ou seja, pode mudar algo que teria sido decidido lá atrás”, explica Flávio Raupp à GazetaEsportiva.Net.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Depois de ser obrigado a ficar à frente da TV e torcer pelo desempenho de seu clube nos tribunais de Justiça...
O ex-diretor do Gama também esclarece que a análise do caso sob os artigos do Estatuto do Torcedor relevam qualquer indício de que a Portuguesa poderia ter agido de má-fé com relação ao próprio rebaixamento. As investigações do Ministério Público, portanto, que já revelaram irregularidades nos bastidores do Canindé ao longo a gestão de Manuel da Lupa, não causariam qualquer tipo de interferência na decisão da Justiça, já que está sendo discutido o direito de quem está nas arquibancadas.

“Mesmo se a Portuguesa se vendeu, o que eu não acredito que tenha acontecido, isso não importa, o direito é do torcedor. O Estatuto não se chama assim por acaso. Pode ver que todos os artigos são para o torcedor”, afirma o ex-diretor do Gama, que vê o clube do Canindé em situação favorável no processo justamente por causa dos direitos dos torcedores, que foram feridos com a decisão do STJD – anulação do resultado do jogo, punição por causa da escalação irregular de um jogador e perda de quatro pontos que culminou no rebaixamento.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
...o torcedor da Portuguesa quer voltar ao estádio do Canindé para incentivar o time rubro-verde pela Série A
O andamento do processo, aliás, é usado por Flávio Raupp como alerta para o risco corrido pelo Campeonato Brasileiro diante de uma decisão final da Justiça. Para o ex-diretor, as liminares favoráveis à CBF indicam pouca coisa e não devem ser comemoradas. “Se há centenas de pessoas entrando na Justiça é porque existe uma razão para isso. O campeonato está sob insegurança jurídica. Mesmo que a CBF acredite que teve uma vitória neste momento na guerra de liminares, é uma bobagem se vangloriar disto”.

Defensor do direito do torcedor, o representante candango, que atualmente é economista, também alfineta a entidade máxima do futebol brasileiro para explicar os estádios vazios em um ano de Copa do Mundo no país. “O torcedor de futebol não gosta do jogo, gosta do campeonato. Se você coloca um amistoso entre duas equipes, não vai ninguém, mas se você faz um jogo entre as mesmas equipes, valendo o campeonato, o estádio enche. A desvalorização do Campeonato, que a CBF está promovendo, leva a diminuição do público”.

Publicidade

Publicidade


Publicidade


Publicidade


Publicidade

Publicidade