Futebol/Copa 2014 - ( )

Barbosa é tema que pressiona e incomoda goleiros brasileiros

Tossiro Neto Teresópolis (RJ)

Por não ter defendido o chute de Ghiggia que definiu o título mundial do Uruguai no Maracanã, em 1950, Barbosa é até hoje, para alguns torcedores, o vilão daquele vice-campeonato. Sessenta e quatro anos depois, às vésperas da segunda Copa disputada no Brasil, os goleiros da Seleção são lembrados a todo instante daquele momento histórico. E não gostam.

Definido com antecedência pelo técnico Luiz Felipe Scolari como titular da meta, Júlio César é, dos três convocados para a posição, quem mais convive com a pressão de ganhar o torneio para pôr fim ao fantasma que ainda persegue a história da equipe nacional - ainda que, a partir da edição seguinte, ela tenha alcançado cinco títulos e se tornado a maior vencedora da competição.

"Já conversei com o Jefferson algumas vezes sobre isso, com o Victor ainda não. Não tem uma entrevista que a gente faça que não perguntem para a gente sobre essa situação. Ficou uma coisa muito forte em relação a isso", disse o goleiro, que pertence ao Queens Park Rangers, da Inglaterra, mas atuou no primeiro semestre pelo canadense Toronto.

"Nossa posição é realmente ingrata, digo isso por experiência própria", acrescentou o jogador, apontado como um dos culpados pela eliminação na semifinal da Copa de 2010, para a Holanda. "A gente procura esquecer isso".

Fernando Dantas/Gazeta Press
Júlio César, Jefferson e Victor são os goleiros que poderão disputar a Copa no Brasil, tal qual Barbosa, em 50
Mas é quase impossível esquecer o que houve com Barbosa, morto em 2000, vítima de parada cardiorrespiratória seguida de insuficiência hepática. Por meia década, antes de falecer, o goleiro lamentou diversas vezes o fato de ter pego "pena perpétua" de parte da torcida brasileira, sendo que a pena máxima instituída no País é de 30 anos.

Não há nada combinado para, em caso de título, Barbosa ser homenageado de forma póstuma. Mas Júlio César (ou Jefferson e Victor, atuais reservas da posição) não descarta alguma lembrança. "Se pintar oportunidade, não tem motivo para não se fazer. Ele jogou uma Copa no Brasil, então foi um goleiro formidável. O que aconteceu com ele pode acontecer com qualquer um, somos seres humanos", avisou o camisa 12, aparentemente incomodado.

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