Futebol - ( )

Timão volta a enfrentar Timão 22 anos após massacre emocionante

Marcos Guedes São Paulo (SP)

“Corinthians”, respondeu Basílio, sem falso otimismo, questionado sobre o time que sairia vitorioso do Parque São Jorge em 1º de maio de 1992. Naquele dia, na reinauguração do estádio Alfredo Schurig, aconteceu o até agora único Corinthians x Corinthians da história, confronto que será reeditado no próximo sábado, em um dos eventos de abertura da nova casa alvinegra, em Itaquera.

Mais de cem jogadores estarão em campo em um embate que, ao menos dentro das quatro linhas, terá mais equilíbrio do que o anterior. Deverão acontecer várias pequenas partidas com a presença de ídolos como Ronaldo, Ezequiel e o próprio Basílio, que atuaram no amistoso ocorrido há 22 anos. Na ocasião, os profissionais enfrentaram uma seleção de másteres e não tiveram dó: 12 a 0.

Como vem acontecendo nas cerimônias em Itaquera, a reabertura da Fazendinha em 1992, ampliada para receber um público de quase 15 mil pessoas, foi recheada de políticos. Entre eles, estavam a prefeita Luiza Erundina e o governador Luiz Antônio Fleury Filho, que abraçou alguns jogadores e se atrapalhou ao cumprimentar Ronaldo: “Olá, Solito”.

Reprodução/A Gazeta Esportiva
A celebração de 1º de maio de 1992 foi devidamente registrada no jornal A Gazeta Esportiva
Desfeita a confusão, começou um jogo que não tinha mesmo como ser equilibrado. Até Neto, constantemente questionado pela condição física ao longo de boa parte da carreira, arrancava com facilidade entre os adversários mais velhos, marcando dois gols. A atividade foi encarada como treino pelos atletas, que enfrentariam o Bragantino três dias depois – e empatariam por 1 a 1.

Nem mesmo a presença do técnico da equipe profissional do outro lado inspirou alguma piedade. Basílio era o comandante alvinegro na época e atuou pelos másteres, que levaram sete gols ainda no primeiro tempo. O ponta-esquerda Luciano, que só marcou um gol em 15 jogos oficiais em preto e branco, teve sua tarde de artilheiro, balançando quatro vezes as redes de Jairo e Solito.

Reprodução/A Gazeta Esportiva
O governador Fleury abraçou Neto e se confundiu ao cumprimentar Ronaldo
O massacre dentro de campo pouco importou. Foi um dia de festa no Parque São Jorge, observado com emoção pelo vice-presidente Vicente Matheus – por uma questão de estatuto, o histórico dirigente alvinegro botou sua mulher, Marlene, na presidência, entre 1991 e 1993. Os 13.800 pagantes demonstraram grande orgulho por estar em sua modesta casa, onde o time jogaria algumas vezes no início daquela década.

É possível imaginar algo mais emocionante no sábado, ainda que sem o carismático Matheus. Cerca de 20 mil torcedores vão pela primeira vez ao estádio de Itaquera, a morada definitiva do clube nascido no Bom Retiro há mais de cem anos. Eles verão com os próprios olhos a quase concluída arena alvinegra, curtindo ídolos do passado em sua casa do futuro.

Reprodução/A Gazeta Esportiva
“Ão, ão, ão, Buiú é Seleção!”

Antes que começasse o confronto entre profissionais e másteres de 1992, foi inaugurado um monumento à paz – homenagem ao garoto Rodrigo de Gásperi, morto em janeiro daquele ano, atingido por uma bomba caseira em um jogo do Corinthians na Copa São Paulo de juniores. Na sequência, aconteceu uma partida da equipe dente de leite alvinegra e a seleção do campeonato interno do clube.

Dividido em dois tempos de 20 minutos, o jogo mereceu um texto intitulado “O maior show foi de Buiú” na edição do dia seguinte de A Gazeta Esportiva. Liderados pelo ponta-direita – que fez dois gols, deu duas assistências e ainda participou de outro tento dando um chapéu no marcador –, os dentes de leite venceram por 9 a 0. À época, eles estavam invictos fazia dois anos e meio, com 42 jogos no período.

Reprodução/A Gazeta Esportiva
No Parque, "o maior show foi de Buiú"
“Os laterais do ano 2000 podem ficar assustados. O ponta-direita Fernando dos Santos Filho, 12 anos, 1m30, apelidado de Buiú, mostrou ontem, no jogo preliminar da festa corintiana, que será muito difícil marcá-lo no futebol profissional. Recebeu a primeira bola e aplicou o primeiro drible no lateral Rodrigo, coisa que repetiu durante todo o jogo”, descreveu a reportagem.

A previsão acabou não se concretizando, mas o garoto viveu sua tarde de estrela e ouviu gritos de: “Ão, ão, ão, Buiú é Seleção!”. Depois de se surpreender com os microfones e assegurar que não tirava notas vermelhas na escola, ele mostrou seu corintianismo legítimo ao apontar o dedicado Wilson Mano como ídolo e explicar sua boa atuação: “Joguei com muita raça e amor à camisa”.

Publicidade

Publicidade


Publicidade


Publicidade


Publicidade

Publicidade