Futebol/Copa 2014 - ( - Atualizado )

Garoto pergunta sobre banana, e Daniel Alves brinca: "Evita cãibra"

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Um assunto sobre o qual Daniel Alves ouviria inevitavelmente em seu retorno ao Brasil não foi abordado pela imprensa. Quem trouxe à tona o ato do lateral direito do Barcelona de comer uma banana atirada ao campo foi um garoto, durante evento de uma patrocinadora da Seleção Brasileira, na manhã desta terça-feira, em São Paulo.

"Você gostou da banana?", perguntou, com autorização do mestre de cerimônias (o ator e apresentador Rodrigo Faro), um menino que, assim como os demais convidados mirins (alguns negros), vestia uma camisa amarela e um calção azul, em alusão ao tradicional uniforme brasileiro.

"Era bem gostosa", respondeu o jogador do Barcelona, sorrindo. "Meu pai sempre falava que banana evita cãibra", continuou, como forma de deixar a brincadeira de lado para falar com seriedade sobre a provocação racista sofrida há pouco menos de um mês, em partida contra o Villarreal, pelo Campeonato Espanhol – ao ver uma banana atirada próximo a ele, em tentativa de compará-lo a um macaco, o brasileiro a descascou e comeu.

"Foi um momento espontâneo", lembrou. "Não esperava tanta repercussão com essa ação. O mais importante não foi a ação, e sim o objetivo. Eu queria fazer com que as pessoas entendessem que somos todos iguais, somos todos humanos. Nossa proposta com esporte é que as pessoas se eduquem, mesmo tendo a opinião de que, no futebol, você não pode julgar as pessoas. Elas agem muito com coração, quase nunca com a cabeça. Então, (o torcedor) está perdoado".

AFP
Lateral participou de ação de marketing de empresa que patrocina a Seleção (Crédito: Miguel Schincariol/AFP)

O torcedor que arremessou a fruta foi David Campayo Leo, que tem 26 anos e era funcionário do Villarreal. A cena gerou repercussão mundial, e, depois de ser identificado, preso e liberado pela polícia espanhola, Leo foi demitido do clube espanhol. Daniel Alves pede que ele seja readmitido, sob a justificativa de que não pretende causar dano a ninguém, mas reforça a esperança de que a Copa do Mundo no Brasil possa ajudar a acabar com episódios como aquele.

"Que, pelo menos, ela possa contribuir para que nossa luta continue. As coisas foram feitas, as mensagens foram dadas, as pessoas entraram na causa, mas espero que não aconteça como quando há uma catástrofe no mundo. as pessoas se sensibilizam naquele momento e depois, passou, não querem mais saber como é que estão as coisas naquele lugar. Espero que esta luta possa continuar depois de tudo isso", falou.

Mesmo em estádios brasileiros, há casos (menos frequentes) de racismo. De qualquer forma, se bananas forem eventualmente jogadas nos gramados que receberão partidas do Mundial, está dada a dica para transformar a atitude condenável em algo produtivo: ela evita cãibra.

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