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Política prevalece sobre lógica, diz Turíbio sobre jogos na altitude

Demetrius Larocca Lima, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Especializado em medicina esportiva, o fisiologista Turibio Leite de Barros, que trabalhou no departamento médico do São Paulo durante 25 anos, criticou a realização de jogos entre times de países distintos na altitude. Segundo ele, tal exposição para um atleta que não está adaptado a atuar nessas condições é tão prejudicial quanto o calor excessivo, que foi tema de um estudo recente do médico junto à Fenapaf, que serviu de base para a entrada de uma ação jurídica da entidade contra a Fifa, pedindo a mudança nos horários dos jogos das 13h da Copa do Mundo.

"Deveria existir proibição de se expor um atleta de jogar acima de um nível crítico, porque inquestionavelmente está se submetendo ele ao risco. Isso já foi debatido muitas vezes, mas a gente percebe que a influência política acaba prevalecendo sobre a lógica científica. E, sem dúvida nenhuma, a altitude é tão grave quanto a temperatura elevada. Como dizemos, só quando acontecer uma tragédia de conhecimento no mundo todo é que talvez esse conceito seja mais respeitado", comentou o especialista.

Para Turibio, as tentativas de adaptação feitas pelos times brasileiros que atuam na Libertadores ou na Sul-americana e são obrigados a jogar na altitude são ineficazes.

"O ideal é fazer uma adaptação, mas nas circunstâncias em que os jogos são disputados, nunca é possível ter esse tempo. Ninguém consegue, em três ou quatro semanas, se adaptar para enfrentar essa situação. Tem várias estratégias no sentido de encontrar a mais eficaz. Mas o que a maioria dos especialistas entendem é que é até pior chegar dois ou três dias antes de um partida do que você chegar imediatamente”, analisou Turibio.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Ex-médico do São Paulo, Turibio Leite afirmou que, por questões de saúde, jogos na altitude deveriam ser proibidos

O médico também explicou a situação é diferente para jogadores que cresceram atuando nessas circunstâncias. "Eles moram lá, então os habitantes desenvolvem uma adaptação muito mais prevalente do que o indivíduo que enfrenta a altitude de forma aguda. Além disso, vários mecanismos adaptativos ajudam um nativo a ter uma tolerância muito maior a possiveis riscos do que uma pessoa sem essa adaptação”, explicou.

Entidade descarta ação - Parceira de Turibio no estudo que mediu os efeitos do calor excessivo nos jogadores, a Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol) não cogita entrar neste tipo de discussão. Para o presidente da entidade, Rinaldo Martorelli, uma ação deste tipo seria injusta com equipes de países como Bolívia e Equador.

"É uma questão de adaptação, ninguém morre por isso. Tem centro de treinamento por lá, inclusive. Quando se conversa com os jogadores em La Paz, contam que passam muito mal quando vão jogar no calor do Brasil. Por que eles não podem jogar na altitude? É uma questão de igualdade. É diferente do calor extremo", comparou o executivo.

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