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Povo longe do estádio e bairro carente incomodam Fiel e vizinhança

Marcos Guedes São Paulo (SP)

O corintiano está orgulhoso de ter finalmente a sua casa; a zona leste de São Paulo, palco da abertura da Copa do Mundo, sorri por estar prestes a receber gente de todo o planeta. Nem por causa disso o torcedor alvinegro e o morador da ZL – por vezes, a mesma pessoa – esquecem-se de cobrar aquilo que julgam lhes ser de direito no estádio de Itaquera e em tudo o que o envolve.

“Maloqueiro”, como gosta de se descrever, Alberto Gomes tem dificuldade para acreditar que enfim poderá fazer o seu “poropopó” na casa própria preta e branca. O popular Favella, porém, incomoda-se, a menos de um mês da abertura do Mundial, com o fato de que as promessas feitas à região sejam hoje tão palpáveis quanto a precisão de Fábio Ferreira nos desarmes em 2007.

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“Como torcedor corintiano, fico muito feliz de o estádio estar aqui. Mas, como cidadão, morador de Itaquera, ainda não vi contrapartida. Depois que passar a Copa, espero que apareça alguma coisa. Estou feliz de o Corinthians ter a sua casa, mas, como teve dinheiro público em uma área pública, tem que investir em educação e segurança”, diz o líder comunitário.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
A menção à expressão "padrão Fifa" é frequentemente acompanhada de um palavrão pelos corintianos
Exceção feita às obras viárias – ainda incompletas –, realmente a região de Itaquera não viu o progresso prometido. E a preocupação não se restringe aos moradores do bairro, estendendo-se aos corintianos que temem, mesmo caminhando na direção de sua querida zona leste, perder espaço em um palco moderno. Os preços da inauguração oficial, o Corinthians x Figueirense de domingo, não foram animadores.

“O nosso lazer é ir ao estádio de futebol. A gente não conhece teatro, cinema, parque... A gente é de Diadema. Então, são R$ 50 do ingresso (na prática, R$ 35 para os sócios-torcedores, que compraram todos os bilhetes da estreia), mais os R$ 15 da passagem. Fora o lanche, entendeu? Com jogo de quarta e domingo, isso quebra! Nossa preocupação maior é que podem tirar o torcedor do campo e botar os telespectadores”, comenta Rogério Maldonado, o Bambu, presidente da Estopim da Fiel.

Reprodução
Protesto da Pavilhão Nove mostra como torcedores não gostam de ser tratados como consumidores
O temor é compartilhado pelas demais organizadas do Corinthians, incomodadas com os parâmetros estabelecidos em um campo de Copa do Mundo. Depois de comemorar a vitória sobre o Atlético-PR na reinauguração da Arena da Baixada, em amistoso na última quarta-feira, a Pavilhão Nove publicou fotos do triunfo com a seguinte legenda: “Padrão Fifa é o c...! Respeita a favela!”.

O padrão é elevado no estádio de Itaquera, ainda que as obras estejam inacabadas. Quem já esteve no local – chame-o de Itaquerão, Fielzão, Arena Corinthians ou o nome que quiser – observou, por exemplo, banheiros recentemente inimagináveis em jogos do time do Parque São Jorge. Desde que o povo não fique longe de seu time, não haverá problema, mas ele está preocupado com o valor cobrado – de R$ 50 a R$ 400, na estreia.

“Vão começar a idolatrar o estádio: ‘Olha, que lindo!’. E é verdade. Eu estive no Maracanã, em Brasília, na Arena da Baixada, onde mais? Nenhuma dessas arenas se compara com a Arena Corinthians. É impressionante a comparação. Na Arena do Grêmio, é cimento liso pintado. Aqui, é mármore! Está bem faraônico. Tudo bem, a torcida do Corinthians merece todo o luxo, mas a gente teme que o preço afaste o banguela, o descabelado, o que usa a camisa do camelô...”, alerta Bambu.

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