Futebol/Reportagem - ( - Atualizado )

Selecionado pelo Cinefoot, filme de 1993 junta heróis e ‘renegados’

Bruno Ceccon São Paulo (SP)

O documentário “12 de junho de 1993 – O dia da paixão palmeirense” será exibido pela primeira vez na próxima edição do Cinefoot (Festival de Cinema de Futebol). O filme sobre a quebra do penoso jejum de títulos do Palmeiras, dirigido por Mauro Beting e Jaime Queiroz, junta os heróis da vitória sobre o Corinthians na final do Campeonato Paulista com jogadores que acabaram estigmatizados pela torcida durante a fila.

Beting liga Paulista-1993 a tetra de 1994

O filme começa pelo histórico título paulista de 1974 – com um gol do atacante Ronaldo no Morumbi, o Palmeiras prolongou o jejum do arquirrival Corinthians. A conquista do Estadual de 1976, a última do ídolo Ademir da Guia, também é retratada, já que sinaliza o começo do jejum alviverde. O lateral Denys, lembrado pela falha contra a Inter de Limeira na final de 1986, o goleiro Martorelli e o meia Jorginho Putinatti foram entrevistados.

“Uma das coisas legais do filme é que conversamos também com alguns jogadores que ficaram marcados durante o período da fila. Eles ofereceram depoimentos comoventes, falando que dariam tudo para terem sido campeões com a camisa do Palmeiras, como foi a geração de 1993”, contou o jornalista Mauro Beting, co-diretor do documentário.

Para realizar as primeiras entrevistas, colhidas em 2011, a produção reuniu 10 dos jogadores que participaram da campanha de 1993, como Evair, Zinho, Sérgio, Tonhão e Antônio Carlos. Além de gravarem seus respectivos depoimentos, os heróis, trajados com réplicas das camisas de 1993, entraram em campo para um bate-bola. Descontraídos, reproduziram o primeiro gol da partida e o pênalti da prorrogação.

“Foi um negócio emocionante, porque muitos desses atletas não se encontravam desde 1994. Eles abriram o coração nas entrevistas e muitos deles abriram o berreiro. Várias vezes se emocionaram e ficaram com lágrimas nos olhos relembrando os feitos. Nós, da produção, ficamos ainda mais emocionados vendo nossos representantes dentro de campo daquela forma”, contou Beting.

De acordo com o co-diretor, os protagonistas da quebra do jejum, na condição de ex-jogadores, se permitiram contar detalhes desconhecidos da campanha e dos dramáticos confrontos com o Corinthians. Nomes consagrados como Zinho e Vanderlei Luxemburgo, ambos pentacampeões brasileiros e com passagem pela Seleção, entre outros, trataram de valorizar o Estadual de 1993.

“Todos consideram aquele Campeonato Paulista como a grande conquista da carreira. Foi algo espetacular. Nunca uma equipe saiu tão bonito e tão bem da fila como esse Palmeiras. É o tipo de coisa na vida que pensei que só fosse possível na ficção: meter 4 a 0 no arquirrival em uma final de campeonato e quebrar o jejum de títulos”, disse Beting, que comentou a decisão de 1993 pela Rádio Gazeta.

O jornalista tentou entrevistar Neto, Ronaldo e Viola, alguns dos principais jogadores alvinegros na época, mas o trio se recusou a falar, diferentemente do atacante Paulo Sérgio. O Corinthians exerce um papel importante no documentário e o tratamento ao arquirrival histórico, segundo Mauro Beting, é sempre cuidadoso.

Acervo/Gazeta Press
Derrotado por 1 a 0 no primeiro jogo, o Palmeiras de Evair fez 4 a 0 na finalíssima e conquistou o Paulista de 1993
“Embora o filme seja oficial do Palmeiras, não é chapa branca nem alviverde. A gente tenta mostrar o outro lado. Há uma ligação clara com o Corinthians, mas é uma relação muito respeitosa. Não é que (a obra) tem uma visão corintiana, mas dá voz ao Corinthians. Tentamos, dentro do possível, ser equilibrados, porém evidentemente o documentário é passional, palestrino e palmeirense”, reiterou Beting.

A ótica do centroavante Evair, autor do gol de pênalti que garantiu o título, é amplamente explorada. Paulo Nobre, atual presidente e testemunha no Morumbi, e José Carlos Brunoro, presente na parceria com a Parmalat e hoje em dia, estão entre os entrevistados ao lado de ícones da Academia, como Ademir da Guia, Dudu, César Maluco, Leivinha e Luís Pereira, além de alguns torcedores. O árbitro José Aparecido de Oliveira, criticado pelos corintianos, também foi ouvido.

“Ficou um filme muito legal, emotivo e divertido ao mesmo tempo. É uma história de superação, de vencedores que ficaram muito tempo perdendo. Quando um time grande encerra um longo jejum, é fantástico. O Palmeiras, como campeão do século XX, teve outras conquistas históricas, mas para muitos torcedores esse 12 de junho é insuperável. Pelo adversário, pelo Dia dos Namorados e pela maneira como veio”, disse Beting.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Jornalista Mauro Beting é co-diretor do filme
Os diretores tentaram licenciar a narração de José Silvério – com o memorável aviso “e agora, eu vou soltar a minha voz” antes do último grito de gol – mas a Jovem Pan não liberou os direitos. Desta forma, a pedido da produção, o locutor, atualmente na Rádio Bandeirantes, regravou a descrição do pênalti cobrado por Evair na prorrogação.

“12 de junho de 1993 – O dia da paixão palmeirense”, com 93 minutos de duração, integra a mostra competitiva de longa-metragem da quinta edição do Cinefoot. O festival será realizado em São Paulo entre os dias 29 de maio e 3 de junho, com exibições gratuitas no Museu do Futebol e no Espaço Itaú de Cinema da Rua Augusta. A programação ainda não foi divulgada pela organização.

O documentário, dirigido e roteirizado por Mauro Beting e Jaime Queiroz, com trilha sonora do também palmeirense Simoninha, é da produtora Canal Azul, responsável por recentes obras oficiais ligadas ao Corinthians e ao Santos. O filme sobre a quebra do jejum é o primeiro de uma trilogia palestrina que também inclui “Campeão do Século”, a ser lançado no dia do centenário, e “A Conquista da América”, dedicado à Copa Libertadores de 1999.

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